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Bourbon Street Fest: clube paulistano celebra a diversidade musical de New Orleans

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                                                                       O trombonista Corey Henry, líder da banda Tremé Funket  

Após o longo hiato imposto pelo período mais dramático da pandemia, um dos principais e mais simpáticos festivais brasileiros de música reativa o formato que o consagrou. O Bourbon Street Fest estreia na próxima semana sua 18.ª edição, com três shows por noite, de quarta (21/9) a domingo (25/9), no clube homônimo paulistano. Já nas tardes de sábado e domingo (24 e 25/9), essa festa musical se estende até o Parque Burle Marx, a partir das 13h, com entrada franca.

Quem já teve a oportunidade de acompanhar alguma das edições anteriores desse festival sabe o quanto ele é original. Edgard Radesca e Herbert Lucas, produtores do Bourbon Street Music Club, costumam escolher as principais atrações desse evento na eclética cena musical de New Orleans, uma das cidades mais musicais do mundo. Localizada na região da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, essa cidade realiza anualmente o New Orleans Jazz & Heritage Festival – um dos maiores festivais de jazz e música negra deste planeta.

Três dos artistas do elenco desta edição do Bourbon Street Fest já são conhecidos pela plateia de São Paulo: o conceituado saxofonista e compositor de jazz moderno Donald Harrison; o trompetista e cantor Leroy Jones, que cultiva o jazz tradicional ao estilo de New Orleans; e o acordeonista e cantor Dwayne Dopsie – expoente do zydeco, tradicional e dançante gênero musical da Louisiana.

Outras vertentes essenciais da música produzida em New Orleans estarão bem representadas por talentosos artistas em ascensão na cena musical dessa cidade: o neo-soul e o R&B da cantora e violonista Bobbi Rae, que terá a companhia do guitarrista brasileiro Igor Prado e sua banda Just Groove; o funk do trombonista Corey Henry, líder da energética banda Treme Funket; e o jovem tecladista e cantor Kevin Gullage, revelação do soul e do blues, com sua banda The Blues Groovers.

Conheça a programação completa do 18.º Bourbon Street Fest neste link:
fest.bourbonstreet.com.br/

Bourbon Street Fest: chuva não compromete shows de Dwayne Dopsie e Bonerama

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                                                                                     Dwayne Dopsie & The Zydeco Hellraisers 

Festivais de música ao ar livre possuem um charme e uma energia especiais – algo que raramente se sente nos shows em clubes ou em teatros. Porém, quando a chuva nos surpreende e grande parte da plateia desiste da festa, fica uma certa tristeza no ar, ao se ver a animação e os esforços dos artistas e dos produtores serem desperdiçados.

Foi essa minha sensação, ontem à tarde, ao ver as atrações do 16.º Bourbon Street Fest (no Parque Ibirapuera, em São Paulo) serem aplaudidas por uma pequena e corajosa plateia, com seus guarda-chuvas e capas de plástico. Uma pena, porque a banda Bonerama, já curtida em 2012 pela plateia paulistana, trouxe neste ano um show excitante: versões de sucessos da banda Led Zeppelin, em inusitados arranjos para seu naipe de trombones.


Outro conhecido dos frequentadores do Bourbon Street Music Club e de seus festivais dedicados à diversidade musical da cidade de New Orleans é o carismático acordeonista Dwayne Dopsie. Esse renovador do zydeco (um tradicional e dançante gênero musical da região da Louisiana, no sul dos EUA) é capaz de contagiar qualquer plateia com suas incendiárias releituras de clássicos do rhythm & blues e do rock & roll.


Batalhadores que divulgam a cultura musical e a gastronomia de New Orleans no Brasil há 25 anos, Edgard Radesca, Herbert Lucas e a equipe do Bourbon Street não mereciam essa decepção. Até pelo fato de que, nestes anos de crise econômica, têm insistido e conseguido realizar o Bourbon Fest, bravamente, sem o apoio de um grande patrocinador.


Por essas e outras, sei que no próximo ano 
 com ou sem patrocínio, faça chuva ou faça sol  já tenho um encontro marcado no 17.º Bourbon Street Fest para aplaudir mais uma vez esses embaixadores informais da música de New Orleans.

Bourbon Street Fest 2015: Little Freddie King traz “blues de verdade” a São Paulo

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Na cena atual do blues são raros os músicos que ainda cultivam, como ele, o tradicional estilo criado no delta do Mississipi quase um século atrás. O guitarrista e cantor Little Freddie King, 75, é uma das principais atrações do 13º Bourbon Street Fest, que começa na tarde deste domingo (23/8), com três shows gratuitos no parque do Ibirapuera, em São Paulo.

“Tem muita gente por aí tocando um blues artificial, eletrônico, que não passa de rock-blues. Graças a deus, sou um dos últimos músicos ainda vivos que tocam blues de verdade”, provoca King. Em sua banda, o veterano bluesman trará “Wacko” Wade Wright (bateria), Anton “Skeet” Anderson (baixo) e Bobby Ditullo (gaita), que o acompanham desde os anos 1990.

King (na foto acima) é um sobrevivente, não apenas por se dedicar ao blues tradicional até hoje. Conta que se não tivesse parado de beber em doses industriais, por volta de 1989, o alcoolismo já o teria matado, provavelmente. Também conseguiu sobreviver a um casamento conflituoso: chegou a ser esfaqueado e baleado pela esposa.

Fread Eugene Martin (seu nome verdadeiro) nasceu em McComb, no Mississipi, a poucos metros da casa de Bo Diddley, o guitarrista e pioneiro do rock’n’roll. Ser filho do bluesman Jessie James Martin não facilitou a vida do garoto, quando decidiu seguir a mesma carreira. Sem dinheiro, fez sua primeira guitarra com uma caixa de charutos e cordas de crina de cavalo.

“Meu pai me ensinou os três acordes básicos, mas disse que eu tinha que aprender sozinho mesmo”, relembra. Aos 17 anos, mudou-se para Nova Orleans. Até começar a ganhar algum dinheiro com a música encarou vários bicos: carregou bananas no porto, reparou telhados de casas, consertou televisões e motores. 
 

Embora seu estilo lembre mais o de seu primo Lightnin’ Hopkins (uma de suas maiores influências musicais, ao lado de John Lee Hooker e Muddy Waters), já nos anos 1960 assumiu o pseudônimo que se refere ao bluesman texano Freddie King (1934-1976). Os dois chegaram a tocar juntos algumas vezes. 

 
“As pessoas diziam que o meu som era parecido com o dele. Não me incomodei quando começaram a me chamar de Little Freddie King (Pequeno Freddie King)”, diz o veterano guitarrista. 

 
Hoje ele conta, com orgulho, que já se apresentou 45 vezes no Jazz & Heritage Festival de Nova Orleans, um dos maiores eventos do gênero no mundo. E neste ano também foi homenageado pelo French Quarter Festival, outro grande evento musical da cidade, que usou a imagem de King para ilustrar seu pôster oficial. 

 
“Adoro tocar em festivais. Fico feliz ao ver tanta gente reunida para ouvir blues. Os jovens gostam de blues porque sabem que essa é uma música que sai direto do coração”, conclui o veterano bluesman. 
 

DESTAQUES DO FESTIVAL

Outras quatro atrações se destacam na 13ª edição do Bourbon Street Fest. Ainda inédita em palcos brasileiros, a cultuada banda Galactic tem 21 anos de estrada e costuma atrair multidões aos festivais que frequenta. Seu funk mistura influências de jazz, soul, rock e hip hop. Vocalista atual da banda, Erica Falls (na foto abaixo) já é conhecida há anos entre os frequentadores do Bourbon Street Music Club, em São Paulo.

 
Revelação da cena musical de Nova Orleans, o trompetista e cantor Leon “Kid Chocolate” Brown tem mostrado seu talento tocando jazz moderno e tradicional. Aqui vai homenagear o mestre Louis Armstrong, um dos grandes pioneiros do jazz.

Especialista em zydeco (gênero musical da Louisiana, centrado no acordeom, que lembra o nosso forró), o cantor e sanfoneiro Dwayne Dopsie faz suas plateias dançarem com uma música energética, recheada de R&B, reggae, funk e pop. 
 

Já a banda Lost Bayou Ramblers cultiva a tradicional música cajun da Louisiana, que é cantada em francês e tocada com instrumentos acústicos, como a rabeca, o acordeom e o contrabaixo. Com o tempo assimilou também influências do rockabilly e do rock. 
 

Além dos shows gratuitos no parque do Ibirapuera (dias 23 e 30/8), durante a semana o Bourbon Street Fest também oferece apresentações de todos esses artistas no Bourbon Street Music Club, de 25 a 29/8.

 
Mais informações no site do evento: www.bourbonstreetfest.com.br


(Texto publicado parcialmente na "Folha de S. Paulo", em 22/8/2015)

 

9º Bourbon Street Fest: uma multidão para se divertir aos sons de New Orleans

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                                                                                          Photos by Carlos Calado
A tranquila Rua dos Chanés, em Moema, na zona sul de São Paulo, voltou a ser uma festiva New Orleans por um dia. Uma multidão participou, no último domingo, dos shows de encerramento do 9º Bourbon Street Fest. Difícil calcular quantas pessoas estavam ali, já que não só a rua, mas também suas transversais, ficaram abarrotadas de gente. Como acompanho esse festival desde o primeiro ano, posso dizer com segurança que essa foi sua edição mais concorrida. 

 
Os shows começaram com o sol ainda iluminando com intensidade o palco instalado ao lado do Bourbon Street Music Club. O sexteto do trombonista Delfeayo Marsalis (na foto acima), que também destaca o experiente pianista Victor Atkins, fez uma excitante exibição de jazz moderno. O clímax do show foi a frenética versão de "Pontius Pilates' Decision"
(de Marsalis), com um solo quase “free” do sax tenor Mark Shim. 


O acordeonista e cantor Nathan e sua banda The Zydeco Cha Chas entraram em seguida, provando que a plateia paulistana já assimilou e curte bastante o zydeco, gênero dançante típico da Louisiana, que possui certa semelhança com o nosso forró. Como outros artistas atuais do zydeco, Nathan tem um repertório eclético, que mistura o clássico gospel “Amazing Grace” com o hit soul “Fa-Fa-Fa-Fa-Fa (Sad Song)”, de Otis Redding.

 

Última atração do programa, a Dirty Dozen Brass Band (na foto acima) animou mais ainda a plateia com seus irresistíveis funks ao estilo de New Orleans. O palco mal tinha espaço suficiente para as “canjas” dos músicos de Nathan e Delfeayo Marsalis com a banda. Até alguns lencinhos brancos, típicos dos desfiles das bandas de rua de New Orleans, foram vistos na plateia, quando a Dirty Dozen e seus convidados tocaram o tradicional hino “When the Saints Go Marchin’ In”. 


 
Edgard Radesca, diretor artístico do Bourbon Street Fest, revelou a este blog que já está pensando em alternativas para ampliar o palco da Rua dos Chanés, permitindo assim que mais gente possa participar da comemoração de 10 anos do evento, no próximo ano. Quem esteve lá, no último domingo, certamente vai querer voltar em 2012. 





 

9º Bourbon Street Fest: evento traz ao Brasil a diversidade musical de New Orleans

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Nem seus criadores imaginaram que esse festival poderia crescer tanto. Idealizado em 2003, para comemorar os 10 anos do homônimo clube paulistano, o Bourbon Street Fest chega à nona edição, estendendo sua programação ao Rio de Janeiro (de 31/7 a 3/8) e Brasília (5 e 6/8). 
 
Seu assumido modelo é o New Orleans Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos musicais do mundo, que é realizado desde 1970 em Nova Orleans (EUA), de onde vem quase todo o elenco.


A programação segue a diversidade musical da pantanosa região da Louisiana: vai do blues ao soul, passando por gêneros locais, como o zydeco (espécie de forró), o dixieland (estilo de jazz tradicional) ou a música das brass bands (bandas de metais).


Os shows de hoje – a partir das 15h30, com entrada franca, no parque Ibirapuera – refletem esse ecletismo musical. A festa começa com a Orleans St. Jazz Band, banda de rua que recria clássicos do jazz tradicional. Depois entra o veterano cantor e guitarrista John Mooney, expoente do blues com a cara da Louisiana.


Outro destaque do cardápio no Ibirapuera é a simpática violinista e cantora Amanda Shaw, garota-prodígio que mistura bluegrass, cajun e rock, em seu repertório. O show termina com o quarteto New Orleans Ladies of Soul, formado por Yadonna West, Angela Bell, Elaine Foster e Tereasa Betts, cantoras que relembram hits de divas do soul e do R&B, como Tina Turner, Beyoncé e Amy Winehouse.


Na próxima semana (de 2 a 6/8), o festival ocupa o palco do Bourbon Street Music Club. Além das atrações citadas, a programação inclui também o jazz moderno do trombonista Delfeayo Marsalis, o funk com metais da veterana Dirty Dozen Brass Band (na foto acima) e o dançante zydeco do sanfoneiro Nathan & Zydeco Cha Chas.


O encerramento do festival, em 7/8 (domingo), inclui também o tradicional Jazz Brunch, que combina pratos da culinária típica de Nova Orleans, assinados pelo chef Viko Tangoda, com uma apresentação da cantora Cynthia Girtley.


Finalmente, no palco montado na rua dos Chanés (em Moema, zona sul), ao lado do clube, a partir das 16h, mais três shows gratuitos: Delfeayo Marsalis, Nathan & The Zydeco Cha Chas e a Dirty Dozen Brass Band. Uma semana para curtir os sons e sabores de Nova Orleans.


(texto publicado na "Folha de S. Paulo", em 30/07/2011)

Festival internacional da Louisiana: "lado B" de New Orleans faz 25 anos com música de raiz

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                                                                                                            Foto: Carlos Calado

Os shows, gratuitos e ao ar livre, são anunciados em francês. A eclética programação mistura música étnica da África, do Caribe e do Oriente com gêneros "de raiz" típicos do sul dos EUA, como o zydeco, o cajun ou o gospel.

Esse é o Festival Internacional da Louisiana, que comemorou 25 anos no último fim de semana. Realizado na cidade de Lafayette, esse evento vem crescendo a cada ano, como uma espécie de "lado B" do Jazz Fest de Nova Orleans, cuja 42ª edição prossegue até o próximo domingo, dia 8.


Considerada a capital extra-oficial da cultura cajun (corruptela do francês "acadien"), Lafayette é uma cidade pequena e charmosa, que preserva a língua francesa e a tradição musical e culinária dos acadianos, grupo étnico que deriva de colonizadores que viviam no nordeste da América do Norte.


Essa herança cultural ainda está presente no festival de Nova Orleans, em alguns shows e nas barracas que oferecem pratos típicos da Louisiana. Mas os preços altos dos ingressos (U$ 60 por dia) e o aumento significativo do rock e da música pop nas atrações desse evento têm levado os frequentadores a se interessar pelo concorrente.


A chuva fina que caiu no início da tarde de sábado não chegou a prejudicar o festival de Lafayette. Já conhecida pelo público local, a cantora cabo-verdiana Maria de Barros (na foto acima) esbanjou simpatia, contagiando a plateia com o ritmo dançante do funaná, que lembra o nosso carimbó.


Outro cantor que transformou seu show em um animado baile foi o congolês Ricardo Lemvo e sua banda Makina Loca, que misturam o mambo cubano com ritmos africanos, em irresistíveis arranjos para metais.


Já em Nova Orleans, o sol ajudou a atrair grandes multidões, no fim de semana, especialmente para ver atrações de rock e pop, como Bon Jovi (cujo guitarrista Richie Sambora, internado em clínica de desintoxicação, foi substituído por Phil Xenidis), Robert Plant, Jason Mraz, Wyclef Jean e Jeff Beck.


(Reportagem publicada na “Folha de S. Paulo”, em 2/05/2011)


8º Bourbon Street Fest: música, culinária e animação ao estilo de Nova Orleans

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Três palcos em São Paulo, dois no Rio de Janeiro, shows gratuitos ao ar livre e um variado cardápio musical com a animação típica dos festivais de Nova Orleans. Essa é a receita do Bourbon Street Fest, que realiza sua oitava edição de hoje até dia 22.

Entre as oito atrações importadas dos Estados Unidos, pelo menos quatro são imperdíveis: o piano blueseiro e os vocais de Jon Cleary; o energético coquetel de soul, funk e rock de Trombone Shorty; as fusões de jazz, R&B e hip-hop do trompetista-revelação Shamarr Allen (na foto acima); e o dançante zydeco (espécie de forró da Louisiana) do acordeonista e cantor Terrance Simien.


A programação destaca ainda o jazz e o soul da cantora Tricia Boutté, o blues do guitarrista e cantor Vasti Jackson, o boogie-woogie do pianista e showman Bob Jackson e o eclético saxofonista e cantor Gary Brown, velho conhecido dos frequentadores do Bourbon Street Music Club, em São Paulo.


Como nas edições anteriores, o Jazz Brunch (dia 22) combina música e culinária de Nova Orleans, desta vez com pratos assinados pelo chef Viko Tangoda. A festa termina ao ar livre, no palco instalado na rua dos Chanés, em Moema, ao lado do clube paulistano. 

Confira a programação de shows no site do festival:
www.bourbonstreetfest.com.br
(texto publicado parcialmente no "Guia da Folha", em 13/8/2010)


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7º Bourbon Street Fest: São Paulo recebe oito atrações musicais de New Orleans

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Musical e festiva como raras cidades no mundo, New Orleans está bem representada na 7ª edição do Bourbon Street Fest, que começa neste sábado, com entrada franca, no parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento destaca duas atrações inéditas no país: a bem-humorada pianista e cantora de rhythm & blues Marcia Ball e o jovem cantor e trombonista Glen David Andrews, revelação das bandas de metais da cidade. Quem fecha esse programa é o tecladista e cantor Kurt Brunus, bem conhecido por aqui.

Ball e Andrews voltam a se apresentar durante as cinco noites de shows, no Bourbon Street Music Club, a partir de terça (dia 18). Também inéditos por aqui, a cantora e pianista Carol Fran e o trio do organista Joe Krown, especialista em funk ao estilo de Nova Orleans, têm talentos de sobra para agradar a platéia.

De volta ao festival, o trombonista Big Sam comanda sua incendiária banda Funky Nation. Outro que retorna à cidade é o trompetista e cantor LeRoy Jones (na foto acima), seguidor de Louis Armstrong e mestre nos improvisos do jazz tradicional. Também não poderia faltar o zydeco, gênero dançante típico da Louisiana (e próximo do nosso forró), que será defendido pela banda Sunpie & The Sunpots. Festa garantida.

(publicado no “Guia da Folha”, em 14/08/2009)

New Orleans: a volta por cima de uma cidade que vive em clima de festa

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A proximidade do 7º Bourbon Street Fest, que começa no dia 15, em São Paulo (a programação completa está disponível no site do festival), me fez lembrar do show de encerramento, em 2005.
Naquele domingo ensolarado, já se sabia que New Orleans corria um grande perigo, por causa da iminente aproximação do furacão Katrina. Não foi por outra razão que, ironicamente, em meio à música festiva que cantores e instrumentistas da cidade exibiram no palco instalado à frente do Bourbon Street Music Club, era possível sentir uma certa preocupação no ar.

Muitos daqueles artistas nem conseguiram voltar para New Orleans, no dia seguinte. A tragédia desencadeada pelo Katrina é conhecida e deixou sequelas das quais a cidade ainda não se livrou, especialmente em suas áreas periféricas.
Dezenas de milhares de habitantes não retomaram suas casas até hoje, seja por falta de condições econômicas ou de auxílio do Estado norte-americano.

Por outro lado, o Jazz & Heritage Festival, um dos pilares do turismo da cidade, voltou a atrair as grandes multidões que costumavam frequentá-lo antes do Katrina. Não importa que o evento esteja recorrendo hoje a figurões do rock, como Jon Bon Jovi ou Robert Plant, para inflar suas bilheterias. Um festival tão eclético e gigantesco não corre o risco de se descaracterizar por meia dúzia de atrações mais apelativas.

O texto que vou postar em seguida foi escrito quatro anos atrás, ainda sob o impacto da tragédia provocada pelo Katrina. Fico satisfeito por ter conseguido
vislumbrar, naquele momento de dor e tristeza, que os artistas e moradores comuns de New Orleans teriam força suficiente para enxugar as lágrimas e dar a volta por cima.


UMA CIDADE CAPAZ DE DANÇAR EM SEU ENTERRO

Quem teve a sorte de conhecer Nova Orleans sabe que, além da impressionante diversidade musical que a cidade transpirava a cada esquina, ali também havia um ambiente especial. Sem a sisudez de outras cidades dos Estados Unidos, Nova Orleans cativava pela descontração, pelos sorrisos freqüentes que se viam tanto nas ruas do turístico French Quarter, como entre os edifícios do Central Business District.

Na verdade, nem seria preciso ir até à cidade para se captar essa atmosfera. Basta ouvir algum dos vários gêneros musicais cultivados ali, seja o rhythm & blues, o funk, o gospel, o zydeco ou o jazz das bandas de metais, todos eles marcados por uma carga de alegria que praticamente seduz o ouvinte, levando-o a sorrir ou mesmo dançar. Não era à toa que, até a chegada do furacão, qualquer dia era dia de festa, nas ruas, bares e clubes noturnos da capital musical da Louisiana.

Dois anos atrás, recém-chegado à cidade para cobrir mais uma vez o gigantesco New Orleans Jazz & Heritage Festival, evento que levava anualmente cerca de 500 mil pessoas ao Fair Grounds (o hipódromo local), tive a sorte de presenciar um dos rituais mais originais e característicos da cultura de Nova Orleans.

Ao cruzar a Canal Street, a longa avenida que se estende do rio Mississipi ao lago Pontchartrain, encontrei um ruidoso cortejo. Centenas de pessoas, incluindo grandes astros da música local, como os cantores Dr. John, Irma Thomas e Deacon John, desfilavam pela avenida, numa homenagem ao veterano guitarrista Earl King, mestre do blues de Nova Orleans, que morrera na véspera.

Celebração
Animada pelo som estridente dos trompetes e trombones das bandas Rebirth Brass Band e Young Men Olympian Junior Benevolent, incluindo alguns índios do Mardi Gras (o Carnaval local), a procissão prosseguiu por outras ruas da cidade, em direção ao Armstrong Park. Fechando o cortejo, dentro de uma carruagem negra puxada por cavalos, vinha o caixão do saudoso bluesman. Porém, em vez de lágrimas e olhares tristes, o que se via era uma celebração festiva, com os seguidores dançando e cantando pelas ruas. Alguns até portavam sombrinhas coloridas, além de grandes fotos do homenageado.

Rituais como esse, que pouco tinham a ver com as compenetradas tradições britânicas, eram bastante comuns em Nova Orleans já no século 19. Trata-se, segundo antropólogos e historiadores, de uma espécie de sincretismo, que teve origem em rituais e práticas semelhantes existentes em algumas regiões da África e da Europa.

Assim como algumas expressões musicais bem características de Nova Orleans, esse festivo ritual funerário reforça as diferenças culturais que a cidade revela frente ao resto dos Estados Unidos. Para isso contribuiu sua formação étnica e social. Uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, New Orleans tornou-se um borbulhante caldeirão cultural graças às contribuições de franceses, espanhóis, ingleses, irlandeses, eslavos, italianos, gregos e cubanos, além, é claro, dos africanos que chegaram até ali na condição de escravos.

O ambiente cosmopolita que já dominava a cidade, no final do século 19, explica seu distanciamento da conservadora doutrina luterana que proliferou pelo resto do país. Em Nova Orleans, graças ao contato direto entre negros e brancos, a música e a dança integravam a vida social. O prazer era visto como algo saudável e legítimo.

Incubadora do jazz
Traços culturais como esses também ajudam a explicar o papel essencial que Nova Orleans desempenhou na gestação do jazz. Hoje já se sabe que chamá-la de “berço do jazz” é um exagero que virou senso comum, mas não há dúvida de que a cidade desempenhou o papel de grande incubadora nessa criação musical.

Tendo isso em mente, ao ver hoje as tristes imagens de uma Nova Orleans submersa e devastada, penso que nem tudo está perdido. Essa cidade tão original e criativa existiu até hoje graças às pessoas, especialmente os artistas que ali nasceram e trabalharam, relacionando-se de uma forma inédita naquele país, em meio a contexto cultural e racial muito particular.

Lembrando da alegria sonora de John Boutté, Ivan Neville, Davell Crawford, Terrance Simien e Corey Henry, músicos de Nova Orleans que se apresentaram aqui em São Paulo, no último domingo (ironicamente, horas antes de verem sua cidade ser destruída), torço para que, enxugadas as lágrimas, eles e seus conterrâneos sejam capazes de cantar e dançar no aparente enterro de sua cidade. E que usem a animação de sempre para fazê-la reviver.

(Artigo publicado na “Folha de S. Paulo”, em 4/09/2005)


 

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