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Bourbon Street Fest 2015: Little Freddie King traz “blues de verdade” a São Paulo

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Na cena atual do blues são raros os músicos que ainda cultivam, como ele, o tradicional estilo criado no delta do Mississipi quase um século atrás. O guitarrista e cantor Little Freddie King, 75, é uma das principais atrações do 13º Bourbon Street Fest, que começa na tarde deste domingo (23/8), com três shows gratuitos no parque do Ibirapuera, em São Paulo.

“Tem muita gente por aí tocando um blues artificial, eletrônico, que não passa de rock-blues. Graças a deus, sou um dos últimos músicos ainda vivos que tocam blues de verdade”, provoca King. Em sua banda, o veterano bluesman trará “Wacko” Wade Wright (bateria), Anton “Skeet” Anderson (baixo) e Bobby Ditullo (gaita), que o acompanham desde os anos 1990.

King (na foto acima) é um sobrevivente, não apenas por se dedicar ao blues tradicional até hoje. Conta que se não tivesse parado de beber em doses industriais, por volta de 1989, o alcoolismo já o teria matado, provavelmente. Também conseguiu sobreviver a um casamento conflituoso: chegou a ser esfaqueado e baleado pela esposa.

Fread Eugene Martin (seu nome verdadeiro) nasceu em McComb, no Mississipi, a poucos metros da casa de Bo Diddley, o guitarrista e pioneiro do rock’n’roll. Ser filho do bluesman Jessie James Martin não facilitou a vida do garoto, quando decidiu seguir a mesma carreira. Sem dinheiro, fez sua primeira guitarra com uma caixa de charutos e cordas de crina de cavalo.

“Meu pai me ensinou os três acordes básicos, mas disse que eu tinha que aprender sozinho mesmo”, relembra. Aos 17 anos, mudou-se para Nova Orleans. Até começar a ganhar algum dinheiro com a música encarou vários bicos: carregou bananas no porto, reparou telhados de casas, consertou televisões e motores. 
 

Embora seu estilo lembre mais o de seu primo Lightnin’ Hopkins (uma de suas maiores influências musicais, ao lado de John Lee Hooker e Muddy Waters), já nos anos 1960 assumiu o pseudônimo que se refere ao bluesman texano Freddie King (1934-1976). Os dois chegaram a tocar juntos algumas vezes. 

 
“As pessoas diziam que o meu som era parecido com o dele. Não me incomodei quando começaram a me chamar de Little Freddie King (Pequeno Freddie King)”, diz o veterano guitarrista. 

 
Hoje ele conta, com orgulho, que já se apresentou 45 vezes no Jazz & Heritage Festival de Nova Orleans, um dos maiores eventos do gênero no mundo. E neste ano também foi homenageado pelo French Quarter Festival, outro grande evento musical da cidade, que usou a imagem de King para ilustrar seu pôster oficial. 

 
“Adoro tocar em festivais. Fico feliz ao ver tanta gente reunida para ouvir blues. Os jovens gostam de blues porque sabem que essa é uma música que sai direto do coração”, conclui o veterano bluesman. 
 

DESTAQUES DO FESTIVAL

Outras quatro atrações se destacam na 13ª edição do Bourbon Street Fest. Ainda inédita em palcos brasileiros, a cultuada banda Galactic tem 21 anos de estrada e costuma atrair multidões aos festivais que frequenta. Seu funk mistura influências de jazz, soul, rock e hip hop. Vocalista atual da banda, Erica Falls (na foto abaixo) já é conhecida há anos entre os frequentadores do Bourbon Street Music Club, em São Paulo.

 
Revelação da cena musical de Nova Orleans, o trompetista e cantor Leon “Kid Chocolate” Brown tem mostrado seu talento tocando jazz moderno e tradicional. Aqui vai homenagear o mestre Louis Armstrong, um dos grandes pioneiros do jazz.

Especialista em zydeco (gênero musical da Louisiana, centrado no acordeom, que lembra o nosso forró), o cantor e sanfoneiro Dwayne Dopsie faz suas plateias dançarem com uma música energética, recheada de R&B, reggae, funk e pop. 
 

Já a banda Lost Bayou Ramblers cultiva a tradicional música cajun da Louisiana, que é cantada em francês e tocada com instrumentos acústicos, como a rabeca, o acordeom e o contrabaixo. Com o tempo assimilou também influências do rockabilly e do rock. 
 

Além dos shows gratuitos no parque do Ibirapuera (dias 23 e 30/8), durante a semana o Bourbon Street Fest também oferece apresentações de todos esses artistas no Bourbon Street Music Club, de 25 a 29/8.

 
Mais informações no site do evento: www.bourbonstreetfest.com.br


(Texto publicado parcialmente na "Folha de S. Paulo", em 22/8/2015)

 

Amanda Shaw: violinista de New Orleans vem ao Brasil para o Bourbon Street Fest

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                                                                                                         Foto: Carlos Calado

Fora do palco, ela parece uma garota como outras do sul dos EUA. Mas, com o violino na mão, a pequena e simpática Amanda Shaw cresce e se destaca. Não é à toa que, aos 20 anos, ela é considerada uma das maiores revelações da cena musical de Nova Orleans, na última década.

Foi o próprio diretor do Jazz & Heritage Festival, Quint Davis, que a apresentou à plateia, anteontem, como “a queridinha de Nova Orleans”. Carinho que essa garota nascida em Covington, no interior da Louisiana, vem retribuindo como uma espécie de embaixatriz da cultura local.

“Já toquei em todos os cantos dos EUA e em muitos países. Então posso dizer que não existe um lugar como este no mundo. Nova Orleans é uma cidade tão musical é única, que você pode ouvir música ao vivo, num boliche, num barco, até num cemitério”, disse ela à "Folha".

Amanda começou a tocar violino com 4 anos. Aos 9, já dava “canjas” em clubes, incentivada por figurões da cena local de blues, como Marva Wright e Rockin’ Dopsie Jr. Antes de se decidir pela carreira musical, chegou a atuar em dois filmes da Disney, mas diz que não gostou dessa experiência.

“Durante as filmagens tive que conviver com aquelas garotas que não gostam de comer. Elas só comiam alface, nada mais, todos os dias. Jamais recuso uma lagosta ou carne. Adoro comer”, diz, rindo.

De formação erudita, Amanda conta que seu professor de violino ficou furioso, quando ouviu que ela também queria tocar e cantar música popular. Hoje, por sinal, seu repertório mistura blues, rock, cajun e outros gêneros locais.

“Meu professor achava que o clássico era o único caminho para uma instrumentista como eu. Depois de ouvir B.B. King ou Billie Holiday, entendi que a melhor música é a que sai do coração”, diz ela.
 

Amanda Shaw será uma das atrações da nona edição do Bourbon Street Fest, agendado para agosto, em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília. O produtor Edgard Radesca, que está em Nova Orleans para programar o evento, confirmou também os nomes do trombonista Delphayo Marsalis e da Dirty Dozen Brass Band.

Outro músico de Nova Orleans que vai se apresentar em São Paulo (no festival Jazz na Fábrica, dias 14 e 15/5, no Sesc Pompéia), o trompetista Christian Scott surpreendeu a platéia do Jazz Fest, anteontem, com uma cena inusitada. No meio de seu show, chamou a namorada, ajoelhou no palco e a pediu em casamento, aplaudido pela platéia.

(Texto publicado na "Folha de S. Paulo", em 7/05/2011)

Festival internacional da Louisiana: "lado B" de New Orleans faz 25 anos com música de raiz

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                                                                                                            Foto: Carlos Calado

Os shows, gratuitos e ao ar livre, são anunciados em francês. A eclética programação mistura música étnica da África, do Caribe e do Oriente com gêneros "de raiz" típicos do sul dos EUA, como o zydeco, o cajun ou o gospel.

Esse é o Festival Internacional da Louisiana, que comemorou 25 anos no último fim de semana. Realizado na cidade de Lafayette, esse evento vem crescendo a cada ano, como uma espécie de "lado B" do Jazz Fest de Nova Orleans, cuja 42ª edição prossegue até o próximo domingo, dia 8.


Considerada a capital extra-oficial da cultura cajun (corruptela do francês "acadien"), Lafayette é uma cidade pequena e charmosa, que preserva a língua francesa e a tradição musical e culinária dos acadianos, grupo étnico que deriva de colonizadores que viviam no nordeste da América do Norte.


Essa herança cultural ainda está presente no festival de Nova Orleans, em alguns shows e nas barracas que oferecem pratos típicos da Louisiana. Mas os preços altos dos ingressos (U$ 60 por dia) e o aumento significativo do rock e da música pop nas atrações desse evento têm levado os frequentadores a se interessar pelo concorrente.


A chuva fina que caiu no início da tarde de sábado não chegou a prejudicar o festival de Lafayette. Já conhecida pelo público local, a cantora cabo-verdiana Maria de Barros (na foto acima) esbanjou simpatia, contagiando a plateia com o ritmo dançante do funaná, que lembra o nosso carimbó.


Outro cantor que transformou seu show em um animado baile foi o congolês Ricardo Lemvo e sua banda Makina Loca, que misturam o mambo cubano com ritmos africanos, em irresistíveis arranjos para metais.


Já em Nova Orleans, o sol ajudou a atrair grandes multidões, no fim de semana, especialmente para ver atrações de rock e pop, como Bon Jovi (cujo guitarrista Richie Sambora, internado em clínica de desintoxicação, foi substituído por Phil Xenidis), Robert Plant, Jason Mraz, Wyclef Jean e Jeff Beck.


(Reportagem publicada na “Folha de S. Paulo”, em 2/05/2011)


 

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