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Kenny Werner: expert em improvisação, pianista se apresenta em MG e SP

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                                               Kenny Werner, no Buenos Aires Jazz Fest 2011 / Photo by Carlos Calado

Ainda pouco conhecido no Brasil, o pianista Kenny Werner, 59, é um caso típico do que se costuma chamar de “músico dos músicos”. Mas o fato de ser elogiado por colegas do alto escalão do jazz e da música instrumental, como o megaprodutor Quincy Jones e o gaitista Toots Thielemans, não significa que sua música seja hermética ou cerebral.

Werner – atração de hoje (26/7), na Casa do Núcleo, em São Paulo – é, literalmente, um especialista em criatividade e improvisação. Seu livro “Effortless Mastery” (maestria sem esforço), publicado em 1996, costuma ser recomendado por conceituadas universidades de vários países, não só em cursos de música.

Em entrevista à "Folha de S. Paulo", por telefone, músico o norte-americano revelou que suas investigações no campo da criatividade passaram pelo Brasil. No início da década de 1970, ao cursar a Berklee School of Music, em Boston, fez amizade com o lendário saxofonista Victor Assis Brasil (1945-1981), que o convidou a visitar o Rio de Janeiro. Assim conheceu o pianista João Carlos Assis Brasil, irmão gêmeo de Victor que marcou sua concepção musical.

“Naquela época eu ainda tocava de forma muito tensa. João já tinha desenvolvido uma abordagem mais pessoal, uma maneira quase zen, muito relaxada de tocar. Ele ajudou a mudar meu toque ao piano, corrigindo o modo como eu estudava”, relembra.

Foi nessa viagem também que Werner se aproximou da música brasileira. “Ela é o meu grande amor. A música que faço costuma ser original, não tem a ver com um repertório estabelecido. Mesmo assim toco com muita alegria a música de Tom Jobim ou a de Chico Buarque. Ao tocar música brasileira, não sinto desejo de inovar. Toco apenas para apreciar os acordes e as belas harmonias”.

Premiada com uma bolsa da Fundação Guggenheim, a composição “No Beginning, No End” (lançada em CD pela Half Note, em 2010) é considerada a obra mais ambiciosa de Werner. Escrita para quarteto de cordas, grupo de sopros e coro, num total de 70 músicos participantes, essa peça nasceu a partir de uma tragédia pessoal vivida pelo músico: a morte da filha de 16 anos, Katheryn, em acidente de carro, em 2006.

Após o concerto de ontem (25/), no 10º Savassi Festival, em Belo Horizonte (MG), onde tocou ao lado da Sinfônica de Minas Gerais, Werner traz a São Paulo seu inventivo trio, que destaca o baterista Ari Hoenig e o baixista Johannes Weidenmueller, músicos mais jovens com os quais toca há mais de uma década. 

Werner mostra-se bem otimista, ao se referir à cena atual do jazz. “Este é o momento mais criativo que presenciei em toda minha vida. Os músicos jovens que estão aparecendo são deslumbrantes, não só porque tocam muito bem, mas porque são muito criativos. Não dá para comparar com o que aconteceu no jazz dos anos 40, 50 e 60, porque este é outro momento, mas de alguma maneira a música de hoje soa mais avançada. Isso me estimula muito”, conclui o pianista.

(texto publicado na "Folha de S. Paulo", em 26/7/2012)



Buenos Aires Jazz: trio do pianista Kenny Werner abre festival portenho

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                                     O pianista Kenny Werner, no show de ontem / Photo by Carlos Calado

Um belo concerto do pianista norte-americano Kenny Werner marcou a abertura do Festival Internacional Buenos Aires Jazz, ontem, no Teatro Coliseo, no centro da capital argentina. Até o próximo domingo (dia 6/11) esse evento oferece dezenas de atrações dos EUA, da Europa e da Argentina, em quatro teatros e três clubes da cidade.

Ao apresentar seus parceiros à plateia portenha, Werner expressou satisfação por estar voltando a tocar, depois de alguns anos, com o baterista norte-americano Ari Hoenig e o baixista alemão Johannes Weidenmueller. A empatia musical entre os três impressiona, especialmente durante os improvisos.

No repertório, Werner combinou standards do jazz com composições de sua autoria, como a introspectiva “Beauty Secrets”, que em algumas passagens revela sua bagagem erudita. Etérea, a versão da balada “If I Should Loose You” (de Robin e Rainger) veio repleta de silêncios e sons suspensos. Bem lírica também foi a releitura de “In Your Sweet Way” (Dave Brubeck). Mais vibrante, “Peace” (Horace Silver) incluiu um solo de bateria do criativo Hoenig, que excitou a plateia. 


                                                               Kenny Werner Trio / Photo by Carlos Calado

Entre as atrações desta edição do Buenos Aires Jazz destacam-se também o trio do baixista norueguês Arild Andersen, o quarteto do trompetista norte-americano Charles Tolliver, o quarteto do trompetista italiano Paolo Fresu, a baterista norte-americana Marilyn Mazur e o trio do guitarrista francês (de origem vietnamita) Nguyên Lê.

O Brasil também está bem representado no elenco desse festival. O programa de sexta-feira (4/11), no palco do recém-reformado Teatro 25 de Maio, reúne o quinteto do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda e o duo formado pela cantora paulista Tatiana Parra com o pianista e compositor argentino Andrés Beeuwsaert, que lançaram o ótimo álbum “Aqui”, neste ano.

Uma das características mais originais do Buenos Aires Jazz, que tem com diretor artístico o pianista Adrián Iaies, é justamente a de exibir parcerias entre músicos estrangeiros e locais, que compõem a série Cruces. Entre os destaques desta edição estão o duo do pianista francês Baptiste Trotignon com o percussionista argentino Minino Garay e o encontro dos italianos Stefano Bagnoli (bateria) e Paolino Dalla Porta (baixo) com os argentinos Ricardo Cavalli (sax) e Guillermo Romero (piano).

Grande parte da programação vespertina de shows é gratuita. Mesmo a série de concertos noturnos de artistas internacionais tem ingressos vendidos a preços bem inferiores a eventos similares no Brasil, variando entre 20 e 60 pesos (de R$ 8,50 a R$ 25). A programação do evento também inclui workshops e mostras de fotografia e cinema.


Outras informações no site do festival: 


 

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