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Nublu Jazz Festival 2014: John Scofield e Jason Moran excitaram a plateia paulistana

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                                                                                                               O pianista Jason Moran

Shows excitantes marcaram a noite de encerramento do 4º Nublu Jazz Festival, ontem, em São Paulo. O trio do pianista Jason Moran e o quarteto do guitarrista John Scofield, músicos norte-americanos bem conceituados na cena do jazz contemporâneo, fizeram vibrar a plateia que encheu a Comedoria do Sesc Belenzinho. Com som e iluminação de Primeiro Mundo, o local tem tudo para sediar outros eventos de caráter internacional.

O conceito desse festival está diretamente ligado à programação do Nublu – clube do Lower East Side, em Nova York, comandado por Ilhan Ersahin, produtor e baterista que também se apresentou na noite de abertura do evento. Jazz, hip hop, eletrônica e músicas de outros países, com destaque para o Brasil, convivem no dia a dia dessa alternativa casa de shows, que também possui uma pequena gravadora. 

Ao lado de Tarus Mateen (baixo elétrico) e Nasheet Waits (bateria), músicos excelentes com o quais formou o trio The Bandwagon mais de uma década atrás, Moran demonstrou àqueles que ainda não conheciam sua música experimental, porque é considerado um dos jazzistas mais inventivos deste século.   

                                                                                        O guitarrista John Scofield
O pianista deixou espectadores embasbacados com improvisos que misturam vozes e trechos musicais pré-gravados com influências de Thelonious Monk, Jaki Byard e do jazz de vanguarda. Também arrancou aplausos ao homenagear Hermeto Pascoal, inspirador de seus experimentos de transcrição musical da fala humana. Com as mãos postas e olhando para o céu, Moran referiu-se ao genial músico alagoano como se falasse de uma divindade.

Aos 63 anos, John Scofield (na foto acima) continua dedilhando suas cordas com a mesma garra que mostrava na banda de Miles Davis, na década de 1980, mas sem intenções de exibir técnica ou velocidade. Seus solos são sintéticos e carregados de suingue. Cada nota é muito bem escolhida por ele, como se quisesse cantar com a guitarra. 

Bem humorado, ao apresentar um tema dançante inspirado na soul music, Scofield contou à plateia que, depois de compô-lo, ficou com receio de ter copiado alguma canção de Al Green, do qual é fã. “Bem, talvez tenhamos copiado um pouco, por isso decidimos chama-la de ‘Al Green Song”, disse. Se ouvisse a deliciosa versão que Scofield e sua Überjam Band tocaram ontem, o reverendo da soul se sentiria, provavelmente, mais orgulhoso do que garfado.

Soul & Jazz: um namoro musical que começou na década de 1960

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O soul-jazz da banda alemã Tok Tok Tok alude a um caso de paixão imediata. O jazz começou a namorar a soul music logo após o surgimento deste gênero derivado do rhythm & blues e do gospel, no final dos anos 50. O grande pioneiro das fusões do jazz com o soul foi o pianista Horace Silver, que as antecipou em composições próprias, como “The Preacher” e “Sister Sadie”.

Na década de 60, o soul-jazz reinou absoluto em clubes e bares dos EUA, apreciado por muitos fãs, apesar dos narizes torcidos dos jazzófilos mais puristas, que preferiam ouvir essa música tratada como “arte”, em salas de concertos.

Jimmy Smith, George Benson e Les McCann foram alguns dos inúmeros músicos que se dedicaram a esse estilo híbrido. E ele continua por aí, em discos de jazzistas da cena atual, como o guitarrista John Scofield ou o saxofonista italiano Stefano di Battista. Esse namoro musical ainda vai longe.

(publicado na “Folha de S. Paulo”, em 25/03/2009)



 

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