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Nublu Jazz: Neneh Cherry e Bebel Gilberto fecham oitava edição do festival

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                                                                          A cantora Neneh Cherry, no Nublu Jazz Festival

Numa noite dominada pelas mulheres, o Nublu Jazz Festival encerrou sua oitava edição, ontem, em São Paulo. A plateia que lotou a comedoria do Sesc Pompeia vibrou quando a cantora sueca Neneh Cherry (enteada do grande trompetista de jazz Don Cherry) homenageou Marielle Franco, a vereadora e ativista de direitos humanos assassinada dias atrás, no Rio de Janeiro. 

Carismática e elegante, Neneh ofereceu aos fãs de São Paulo o privilégio de conhecer em primeira mão o repertório inédito de seu próximo disco. Seu discurso é bem politizado, mas, curiosamente, algumas das canções são delicadas, realçadas por uma instrumentação pouco comum: harpa, piano acústico, teclados eletrônicos e percussão.


Já a cantora Bebel Gilberto, que abriu a noite, demonstrou coragem ao se lançar em uma apresentação bastante improvisada com três instrumentistas – o tecladista Ilhan Ersahin (criador do clube nova-iorquino que gerou o festival), o guitarrista Dave Harrington e o baterista Kenny Wollesen. Na prática, foram quase dois shows, já que entre as aparições viajandonas de Bebel, o trio mergulhou em improvisos instrumentais bem soltos, com um pé na vanguarda.

Nublu Jazz Festival 2016: evento volta ao Sesc com suas fusões contemporâneas

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Já aprovado pela plateia de São Paulo, o Nublu Jazz Festival vai realizar sua sexta edição, de 17 a 19/3. Como no ano passado, o evento ocupará o palco da comedoria do Sesc Pompeia, na zona oeste da capital, e o ginásio do Sesc São José dos Campos, no interior paulista, simultaneamente.

Se você ainda não acompanhou alguma das disputadas edições anteriores, vale o aviso: não vá esperando ouvir bebop, swing, muito menos algum estilo tradicional desse gênero calcado na improvisação. O foco musical do Nublu Jazz é essencialmente contemporâneo.

Criado pelo produtor e saxofonista Ilhan Ersahin, sueco de origem turca que comanda o clube Nublu, na área do Lower East Side, em Nova York, esse festival encara o rótulo “jazz” de maneira bem aberta. O que não deixa de ser algo natural, já que em mais de um século de evolução o jazz tem absorvido influências dos mais diversos gêneros musicais: da soul music à bossa nova, da música eletrônica ao hip hop, do funk ao afropop.

Na capital paulistana, o 6º Nublu Jazz começa na quinta-feira (17/3) com duas atrações. Comandada pelo multi-instrumentista e compositor Jason Swinscoe, a banda inglesa The Cinematic Orchestra (na foto abaixo) combina improvisos instrumentais com recursos eletrônicos. É o veículo ideal para as trilhas sonoras que seu líder já compôs para diversos filmes. Já o trio paulistano Baoba Stereo Club toca um repertório próprio e eclético, que vai do rock ao minimalismo, passando pelo jazz e por incursões experimentais.  



Na sexta, os garotos do BadBadNotGood (trio canadense que virou quarteto no início do ano; confira o video abaixo) exibem sua música instrumental com influências do jazz, do hip hop e da música eletrônica. Essa noite também destaca o grupo do baterista nova-iorquino Marcus Gilmore (na foto acima), a atração do elenco mais próxima do universo jazzístico. Em seu currículo ele já acumula parcerias com grandes nomes da cena atual, como Vijay Iyer, Kenny Garrett e Cassandra Wilson.

Finalmente, no sábado, o evento traz a veterana dupla jamaicana Sly & Robbie, expoente do dub e do reggae, que terá a seu lado o trompetista norueguês Nils Petter Molvaer. A noite inclui também a banda Praia Futuro, formada no ano passado pelo próprio Ilham Ersahim, produtor do festival, com músicos das bandas Nação Zumbi e Cidadão Instigado.

As mesmas atrações estarão no Sesc São José dos Campos em diferentes combinações: Marcus Gilmore e Praia Futuro (dia 17/3); Sly & Robbie com Nils Petter Molvaer e Baobá Stereo Club (18/3); The Cinematic Orchestra e BadBadNotGood (19/3).

Outras informações no site do Sesc São Paulo


Nublu Jazz Festival 2014: John Scofield e Jason Moran excitaram a plateia paulistana

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                                                                                                               O pianista Jason Moran

Shows excitantes marcaram a noite de encerramento do 4º Nublu Jazz Festival, ontem, em São Paulo. O trio do pianista Jason Moran e o quarteto do guitarrista John Scofield, músicos norte-americanos bem conceituados na cena do jazz contemporâneo, fizeram vibrar a plateia que encheu a Comedoria do Sesc Belenzinho. Com som e iluminação de Primeiro Mundo, o local tem tudo para sediar outros eventos de caráter internacional.

O conceito desse festival está diretamente ligado à programação do Nublu – clube do Lower East Side, em Nova York, comandado por Ilhan Ersahin, produtor e baterista que também se apresentou na noite de abertura do evento. Jazz, hip hop, eletrônica e músicas de outros países, com destaque para o Brasil, convivem no dia a dia dessa alternativa casa de shows, que também possui uma pequena gravadora. 

Ao lado de Tarus Mateen (baixo elétrico) e Nasheet Waits (bateria), músicos excelentes com o quais formou o trio The Bandwagon mais de uma década atrás, Moran demonstrou àqueles que ainda não conheciam sua música experimental, porque é considerado um dos jazzistas mais inventivos deste século.   

                                                                                        O guitarrista John Scofield
O pianista deixou espectadores embasbacados com improvisos que misturam vozes e trechos musicais pré-gravados com influências de Thelonious Monk, Jaki Byard e do jazz de vanguarda. Também arrancou aplausos ao homenagear Hermeto Pascoal, inspirador de seus experimentos de transcrição musical da fala humana. Com as mãos postas e olhando para o céu, Moran referiu-se ao genial músico alagoano como se falasse de uma divindade.

Aos 63 anos, John Scofield (na foto acima) continua dedilhando suas cordas com a mesma garra que mostrava na banda de Miles Davis, na década de 1980, mas sem intenções de exibir técnica ou velocidade. Seus solos são sintéticos e carregados de suingue. Cada nota é muito bem escolhida por ele, como se quisesse cantar com a guitarra. 

Bem humorado, ao apresentar um tema dançante inspirado na soul music, Scofield contou à plateia que, depois de compô-lo, ficou com receio de ter copiado alguma canção de Al Green, do qual é fã. “Bem, talvez tenhamos copiado um pouco, por isso decidimos chama-la de ‘Al Green Song”, disse. Se ouvisse a deliciosa versão que Scofield e sua Überjam Band tocaram ontem, o reverendo da soul se sentiria, provavelmente, mais orgulhoso do que garfado.

 

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