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Hamilton de Holanda: bandolinista toca repertório do álbum "Harmonize" em SP

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                       Hamilton de Holanda (bandolim), Thiago Espírito Santo (baixo) e Mestrinho (acordeom) 


As chuvas insistentes de ontem (sábado, 1/02), que chegaram a alagar alguns pontos da cidade de São Paulo, não desanimaram a calorosa plateia que foi à comedoria do Sesc Pompeia. Não é todo dia que se tem o privilégio de ouvir ao vivo um brilhante quarteto de craques da música instrumental como o liderado pelo bandolinista Hamilton de Holanda.

Ao lado de Thiago Espírito Santo (baixo elétrico), Daniel Santiago (guitarra) e Edu Ribeiro (bateria), Hamilton exibiu o repertório de “Harmonize” (2019), seu primeiro álbum autoral lançado após os discos que dedicou à obra do mestre chorão Jacob do Bandolim e às belas canções de Milton Nascimento e Chico Buarque.

Composições como a doce “Canto da Siriema”, o samba “Alô Arlindo”, a lírica “Nasceu o Amor” ou a inventiva faixa que dá título ao álbum serviram de veículos para improvisos de Hamilton e seu quarteto, alguns bem descontraídos, outros mais nervosos.

Já com a entrada do sanfoneiro Mestrinho, em participação especial, a temperatura da noite chegou ao grau máximo. Na contagiante “Samba Blues”, os cinco brincaram com o parentesco e as afinidades musicais que o samba e o choro têm com o jazz e o blues. Uma “jam” com tempero nordestino que fez a plateia vibrar e pedir mais.



Antonio Loureiro: músico mineiro relê canções de Milton Nascimento com um septeto

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                          Imagem de Milton Nascimento, em show do baterista e arranjador Antonio Loureiro 

Os apreciadores da música instrumental brasileira, na cidade de São Paulo, ainda têm uma chance neste domingo (26/5), às 18h, para ouvir as inventivas releituras de algumas das mais populares canções de Milton Nascimento, que o mineiro Antonio Loureiro e outros seis talentosos músicos de diversos estados do país apresentaram ontem pela primeira vez, no palco do Sesc 24 de Maio, em mais uma edição do projeto “Tirando de Letra”. 

“A ideia não é desconstruir a música de Milton Nascimento, mas fazer dela uma nova leitura a partir de nossa criatividade, da nossa experiência musical”, comenta o arranjador e baterista Loureiro, que escolheu Toninho Ferragutti (acordeom), Ricardo Herz (violino), Joana Queiroz (sax tenor, clarinete e clarone), Frederico Heliodoro (baixo elétrico), Daniel Santiago (violões) e Pedro Martins (teclados e guitarra) como seus parceiros nessa aventura musical. 

Do imponente arranjo de “Milagre dos Peixes” à versão em tons eruditos de “Canção da América” (ambas de Milton e Fernando Brant), passando pelo criativo solo de Heliodoro (em “Cais”, de Milton e Ronaldo Bastos) ou o delicado duo de cordas de Santiago e Martins (em “Travessia”, de Milton e Brant), em meio a outras surpresas, esse show nos faz pensar que entre os poucos motivos de orgulho que temos hoje neste país a música está entre os mais expressivos. Viva Milton Nascimento!

Savassi Festival: evento mineiro terá seu selo e planeja edições nos EUA e em Portugal

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                                                                            O pianista e compositor israelense Chai Maestro 

Quem teve a sorte de assistir às apresentações do pianista e compositor israelense Shai Maestro, no Savasssi Festival, certamente vai conserva-las na memória por muito tempo. O jazzista radicado em Nova York e seus parceiros de trio -– o baixista Jorge Roeder e o baterista Obed Calvaire -– foram responsáveis por alguns dos momentos mais emocionantes da 15ª edição desse evento, encerrado no domingo (27/8), em Belo Horizonte (MG).

Maestro introduziu sua composição “From One Soul to Another” com uma breve preleção. Chamou a atenção da plateia para o fato de que, numa época em que a intolerância racial e outras formas de preconceito são tão evidentes, um festival que atrai um público interessado na música instrumental de diversos países tem um significado especial. Ouvir a plateia entoar em uníssono a bela melodia do pianista, que soa como um hino pela paz, foi de arrepiar.

Outro músico israelense que se destacou no último final de semana do evento foi Oded Tzur (na foto abaixo). Tocando emotivas composições próprias, como “Single Mother” e “The Whale Song”, o saxofonista surpreendeu ao soprar seu instrumento de maneira muito suave, no limite do silêncio. Algo raro de se ouvir, que tanto a educada plateia do CCBB, como grande parte dos que acompanharam sua apresentação ao ar livre, souberam apreciar com a devida atenção.  

 
Bem escolhidas, as atrações nacionais representaram a diversidade e o alto nível da música instrumental que se produz hoje em nosso país. No sábado (26/8), o jovem quarteto do pianista Vitor Arantes exibiu composições originais calcadas em ritmos brasileiros. Com uma abordagem mais jazzística, o sexteto do pianista Deangelo Silva também contagiou a plateia com composições próprias, como “Bahia” e “São Paulo”, além de um inventivo arranjo de “Aquelas Coisas Todas” (de Toninho Horta).

Já no domingo, a variedade de estilos foi mais ampla ainda. O pandeirista Túlio Araújo exibiu suas fusões de choro, samba e jazz, incluindo uma participação especial do pianista israelense Guy Mintus. À frente de seu Quinteto Experimental, o guitarrista Daniel Santiago (na foto abaixo, com o baixista Frederico Heliodoro) mostrou composições próprias com marcante influência do rock. Soprando seu pífano, Jorge Continentino deu um tratamento jazzístico a ritmos do Nordeste. E encerrou a noite com uma "canja" de bateristas, com destaque para o veterano Neném, grande craque da cena musical mineira, que dividiu o palco com o norte-americano Obed Calvaire, And
ré “Limão” Queiroz e Felipe Continentino.


Planos para 2018

Ao fazer um balanço da 15ª edição do Savassi Festival, Bruno Golgher, criador e produtor do evento, diz que ficou muito sensibilizado com as apresentações de Shai Maestro, em especial, e de Oded Tzur. “Quando esteve aqui pela primeira vez, cinco anos atrás, Shai deixou uma impressão forte, mas principalmente entre os músicos. Naquela época, a programação do festival na rua ainda era encarada como uma festa. Agora há um público muito mais interessado na música do que em festa”, avalia.

Um projeto do festival ao qual o produtor confere um significado especial é o Música Nova. Esse programa de incentivo à criação de composições de música instrumental contemplou, neste ano, quatro jovens compositores: os pianistas Rafael Martini e Luisa Mitre, a cantora Juliana Perdigão e o vibrafonista Fred Selva.

“Tenho a impressão de que a ênfase do festival em composição e em colaborações musicais exerceu um impacto na percepção das pessoas sobre o que é um festival”, observa Golgher, contando que recebeu um retorno positivo bem maior do que em edições anteriores. “As pessoas começaram a sentir que o festival tem um papel, além de reunir muitos shows sobre um palco. Isso quer dizer que o festival está tocando em um ponto que pode ser desenvolvido”.


O produtor comenta também que, embora algumas pessoas já viessem sugerindo há alguns anos a criação de um selo do festival, ainda tinha dúvidas sobre o momento certo para investir nesse projeto. “Você precisa ter um motivo forte para isso. A ideia é que o selo Savassi grave obras comissionadas pelo festival. Nosso selo não vai ter uma função comercial”, afirma Golgher.

A criação desse selo será, segundo ele, uma das ações mais importantes do Savassi Festival, fechando um ciclo, nos próximos anos. “Os músicos vão compor e apresentar suas obras no festival para um grupo de jornalistas e curadores, que vão divulgar e contratar artistas. O selo, que vai registrar composições feitas para o festival, tornará esse material disponível de uma maneira mais ampla”, explica Golgher, que tem a intenção de lançar o selo em 2018. Por isso, as apresentações de Rafael Martini, Luisa Mitre, Fred Selva e Juliana Perdigão durante esta edição já foram registradas em “multitrack” (um processo de gravação em alta definição sonora).

Outra iniciativa do Savassi Festival com potencial para crescer, nas próximas edições, é o concurso Novos Talentos do Jazz, cujo objetivo é criar oportunidades e abrir espaço para jovens instrumentistas. A partir deste ano essa competição será realizada em parceria com outros dois eventos do gênero no país: o POA Jazz Fest (RS) e o Sampa Jazz Fest (SP).

Representando esses festivais de música instrumental, o produtor gaúcho Carlos Badia e o paulista Daniel Nogueira participaram, ao lado do carioca Pedro Albuquerque (curador do Brasil Jazz Fest), de uma mesa redonda na última sexta-feira (25/8), para conversar sobre as estratégias dessa parceria e suas perspectivas. 


“Foi importante começar essa parceria com outros festivais. Pensando sob o ponto de vista do artista, isso pode mudar uma trajetória. Imagine o efeito sobre a carreira de um músico ou de uma banda jovem que tiver a oportunidade de participar de três festivais. Ou de cinco festivais, quem sabe, já no próximo ano”, comenta Golgher (na foto ao lado, à esquerda, com o curador Pedro Albuquerque). O primeiro músico escolhido para se apresentar nos festivais de Porto Alegre e São Paulo, ainda neste ano, é o pianista e compositor Vitor Arantes.

A parceria entre os três eventos deve resultar em outros desdobramentos, como a realização de um festival de música instrumental brasileira em Nova York, onde o Savassi Festival já realizou três edições, no período 2013-2015. “De nosso primeiro encontro surgiu a ideia de voltar a Nova York, com os três festivais assinando o projeto. Isso pode dar muito certo”, festeja o produtor mineiro, prevendo que o retorno aos EUA tem boas chances de acontecer já no próximo ano.

Os planos de internacionalização do Savassi Festival não param por aí. Depois de trazer o vibrafonista português Eduardo Cardinho para a edição deste ano, Bruno Golgher também pretende levar o evento a Portugal. “Lá ele terá uma configuração diferente de Nova York, onde fizemos um festival de música instrumental brasileira. Em Portugal, teremos um programa de colaboração entre artistas brasileiros e portugueses, que vai resultar em um festival. A ideia é promover um ir e vir permanente”.

Cobertura realizada em Belo Horizonte a convite da produção do Savassi Festival. 








 

Hamilton de Holanda: bandolinista aposta na simplicidade para envolver o ouvinte

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Não é difícil perceber a evolução musical do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda, por meio de sua trilogia “Brasilianos”. Se, nos dois primeiros álbuns (lançados em 2006 e 2008) chamavam mais atenção pelo virtuosismo dos improvisos, o terceiro CD se destaca pela sensibilidade que perpassa as nove faixas assinadas por Hamilton – cinco delas em parceria com o violonista Daniel Santiago.

Títulos como “Saudades de Brasília”, “Prece ao Santo Céu”, “Caos e Harmonia” ou “Guerra e Paz” (com vocais de Milton Nascimento) já sugerem a ampla paleta de sentimentos que colorem o álbum. Mesmo sem referências sobre cada uma das composições, o ouvinte pode facilmente se deixar levar. Como já disse o próprio bandolinista, para ser acessível sem perder a sofisticação, a música precisa ser simples como um abraço. “Brasilianos 3” envolve desde a primeira faixa. 

(Resenha publicada no "Guia Folha - Discos, Livros, Filmes", em 28/7/2012)

 

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