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Manoel Cruz: baixista e compositor mostra suas afinidades com o jazz latino

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                                            Manoel Cruz, baixista e compositor / Foto de Adriano Damas 


O contrabaixista e compositor Manoel Cruz traz uma boa notícia para os apreciadores da música instrumental e do jazz. Seu saboroso álbum “Brazilian News” revela uma influência que o distingue do que tem se produzido majoritariamente na cena musical brasileira, nos últimos anos.

“Gosto muito de música latina. Sempre ouvi Irakere, Paquito D’Rivera, Arturo Sandoval”, diz o instrumentista radicado em São Paulo, explicitando sua afinidade com o jazz latino e os ritmos afro-cubanos. Aliás, uma influência muito saudável, que já contribuiu para enriquecer a música brasileira em outras épocas.

Essencial no elenco deste álbum é a presença de Gabriel Rosati, conceituado trompetista italiano que cultiva a sonoridade e o fraseado característicos do “latin jazz”. Essa herança musical está muito bem sintetizada na faixa “Fiesta Sunset”, contagiante composição de Cruz.

“Costumo dizer que esse ritmo é uma ‘macumbia’. É o nosso jeito de tocar música latina”, define com bom humor o compositor e arranjador brasileiro. A gravação também destaca a participação do saxofonista dominicano Sandy Gabriel, mais um craque do jazz latino, que contribui com um solo cheio de energia.

Outro destaque no repertório do álbum é o samba “Brazilian News”. A melodia é exibida pelo baixo elétrico de Cruz, que também assume na gravação os discretos vocais. A seu lado estão o pianista Ary Holland e Douglas Las Casas, parceiros experientes que já integram seu trio há alguns anos.

“Gosto de deixar os músicos bem à vontade. Este é um disco feito no peito, na amizade mesmo. Devo muito a eles”, reconhece Cruz, que também conta com participações dos guitarristas Rogério de Oliveira, no envolvente “Samba D Boa”, e Aldo Landi, em “Caboclice”, um tema em ritmo ternário que vira jazz.

Em meio a várias incursões jazzísticas, Cruz teve a ótima ideia de incluir no repertório uma releitura de “Lamento Sertanejo” (de Dominguinhos e Gilberto Gil), que serve de veículo para inspirados solos de Rosati e Holland. A bela melodia dessa canção é realçada pela interpretação sensível do contrabaixista.

No final dos anos 1980, ao visitar a ilha de Cuba, o grande trompetista e compositor Dizzy Gillespie (1917-1993) arriscou uma previsão: a de que a música cubana, o jazz americano e a música brasileira se tornariam uma só, no futuro. Por enquanto isso ainda não aconteceu, mas este álbum de Manoel Cruz demonstra a afinidade que une essas preciosas tradições musicais.

Texto escrito para a capa do álbum "Brazilian News", de Manoel Cruz, que será lançado nesta sexta-feira (16/8), em show no clube Blue Note, em São Paulo. 




Tuto Ferraz: os "clássicos" do baterista e compositor no Blue Note de São Paulo

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                                            O baterista Tuto Ferraz e o baixista Rui Barossi, no clube Blue Note SP

Foi assim, em preto e branco, que visualizei a apresentação do sexteto do baterista Tuto Ferraz, ontem (16/5), em São Paulo. Não só por estar no Blue Note, recém-inaugurada franquia do clube nova-iorquino, cujo nome remete à gravadora responsável por muito do que se produziu de melhor no jazz dos anos 1950 e 1960. Foi quase sempre em p&b, que fotógrafos que admiro, como William Claxton, Herman Leonard e Francis Wolff, retrataram essa música.


Seis anos atrás, ao lançar seu saboroso álbum “À Deriva”, Tuto me disse que o jazz produzido entre o final dos anos 1950 e o início dos 1960 é o seu favorito. Além disso, suas composições têm um quê de clássicos da canção norte-americana, os chamados “standards”, que fazem parte do repertório dos jazzistas: melodias simples e cantáveis, que grudam em nossos ouvidos. Se você ouvir o valsante “Bom Dia” ou o samba “Chorando na Gafieira”, temas que a plateia do Blue Note paulistano aplaudiu calorosamente ontem, vai concordar comigo. 


Ao lado de outros cinco craques da cena instrumental de São Paulo (o pianista Pepe Cisneros, o saxofonista Josué dos Santos, o trompetista Bruno Belasco, o contrabaixista Rui Barossi e o guitarrista Agenor de Lorenzi), Tuto tocou grande parte do repertório do álbum “À Deriva”. Também exibiu um tema inédito, “Tango Russo”, que estará no álbum de jazz que ele promete gravar em breve. A amostra do que vem por aí deixou água na boca.


 

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