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eFestival 2022: competição musical exibiu seus vencedores em São Paulo

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                                       A cantora e compositora Aline Maly está entre os vencedores do eFestival  

O frio e a garoa de ontem (7/8), em São Paulo, certamente desestimularam parte da plateia que planejava ir ao Parque do Ibirapuera para os shows de encerramento do eFestival 2022. Essa competição, que tem sido realizada online, incentiva e apoia revelações da música brasileira há duas décadas.

Mesmo assim, aqueles que acompanharam qualquer um dos dois eventos, ambos ao ar livre, tiveram motivos de sobra para se divertir e aplaudir. Primeiro, o show do eFestival Canção, com uma homenagem à cantora e compositora Rita Lee por seu filho Beto Lee. Depois, o concerto do eFestival Instrumental, com o acordeonista Renato Borghetti, a Jazz Sinfônica Brasil e o guitarrista Andreas Kisser.

O show da manhã já começou com as participações dos vencedores do eFestival Canção: a cantora e compositora Aline Maly (na categoria Público Geral), a cantora e compositora Renáthaly (categoria Profissionais da Saúde) e a banda Próximos Capítulos (categoria Corretores de Seguros).

Da mesma forma, o concerto noturno do eFestival Instrumental foi aberto com as apresentações do pianista e compositor André Repizo, vencedor da categoria Público Geral, e do guitarrista e compositor Stefano Rossi, que venceu a categoria Profissionais da Saúde.

O eFestival 2022 também programou um show em Porto Alegre (RS), no dia 11/8, quinta-feira, às 20h, com entrada gratuita, no Auditório Araújo Vianna. O elenco dessa noite inclui o pianista André Repizo, a Orquestra da ULBRA, o acordeonista Renato Borghetti e o guitarrista Andreas Kisser (ex-Sepultura).


Acorde Brasileiro: evento em Porto Alegre (RS) incentiva as músicas regionais

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Como as diversas músicas regionais brasileiras podem enfrentar a concorrência desleal dos “sucessos” forjados pela globalizada indústria do entretenimento? É possível viver de música sem se dobrar às imposições do mercado? Como anda o ensino musical nas escolas de nosso país?

Questões como essas foram discutidas, no último final de semana, em Porto Alegre (RS), durante a sexta edição do Acorde Brasileiro - Encontro Nacional de Músicas Regionais. O evento promoveu debates e oficinas com especialistas, além de oferecer uma programação gratuita de shows com artistas e grupos musicais de diversas regiões do país.

“Hoje nós ouvimos a pior música do mundo”, disse o maestro Júlio Medaglia, referindo-se à baixíssima qualidade da música que circula pela grande maioria das rádios e TVs, durante uma mesa redonda -- que inaugurou o evento, na quinta-feira (7/05) -- dedicada à discussão de perspectivas para o ensino musical. Esse debate foi mediado pela pianista e educadora gaúcha Bethy Krieger.

Medaglia lembrou que o compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959) dizia que é preciso educar as pessoas para que elas possam lidar com a música fabricada pela indústria cultural. O maestro paulista comentou também que conheceu em Budapeste, na Hungria, um estudo científico que concluiu que o ensino musical pode resultar em uma melhora de 30% na capacidade geral de aprendizagem dos alunos.

No mesmo debate, que também contou com a participação do maestro gaúcho Evandro Matté e do educador catarinense Sérgio Luiz Ferreira de Figueiredo, foram relatadas experiências de sucesso na área do ensino musical, como o projeto Fábrica de Gaiteiros, comandado pelo acordeonista gaúcho Renato Borghetti, ou o projeto Viola na Escola, idealizado pelo violeiro mineiro Chico Lobo, que vem sendo desenvolvido na área rural de São João del-Rei (MG). 


A programação da sexta-feira destacou palestras de dois especialistas em música popular, seguidas por um debate com a plateia. Com mediação do jornalista e crítico musical mineiro Kiko Ferreira, o tema “Influências das raízes populares na cultura musical brasileira” foi abordado com bom humor e sem preconceitos musicais pelo escritor e produtor carioca Haroldo Costa, que questionou o próprio título do debate.

“Música não tem raiz. Tom Jobim dizia que quem tem raiz é a mandioca”, ironizou, observando que o fato de se aderir a alguma manifestação musical de origem estrangeira -– como o hip hop ou o funk –- não é, necessariamente, nocivo à nossa cultura. “A gente recebe essas coisas, digere e expele o que não interessa”, disse Costa, parafraseando o escritor modernista Oswald de Andrade (1890-1954).

Em seguida, com mediação do músico paraibano Marcelo Melo (integrante do Quinteto Violado), o pianista e produtor paulista Benjamim Taubkin abordou o tema “Como viver de música, diálogos com artistas brasileiros”, reportando-se a entrevistas com músicos de diversos gêneros e regiões do país, que reuniu em seu livro “Viver de Música”, publicado em 2012. O público-alvo dessa obra, segundo ele, é o “adolescente que está saindo da escola, sem saber o que fazer”. 


"Nada é seguro, hoje, no mundo. Cada vez mais você tem menos bases estabelecidas para construir sua vida. Até um sujeito que teve a chance de estudar para ser médico pode não ter um bom salário hoje”, observou Taubkin, contando que ao se decidir pela carreira musical teve de conviver com a ideia da impossibilidade de realizar projetos nessa área, assim como enfrentar dificuldades para poder viver dedicando-se apenas à música.

Ainda na década de 1980, quando já era um pianista conhecido nos meios musicais por acompanhar cantores e outros instrumentistas, Taubkin percebeu que não ganhava tanto quanto esse colegas de profissão. “Por isso, resolvi assumir a produção do meu trabalho”, relembrou o músico que, em 1996, criou com três colegas a gravadora e produtora Núcleo Contemporâneo, uma das mais conceituadas na área da música instrumental brasileira.

“Acho insuportável o músico que só fica reclamando. Precisamos aproveitar as oportunidades que recebemos”, afirmou Taubkin. “A música abriu para mim a possibilidade de conhecer o mundo, de conhecer os palácios e as favelas. Isso foi um privilégio”, enfatizou o pianista, que inaugurou em São Paulo, em 2011, a Casa do Núcleo –- misto de casa de espetáculos e centro cultural. 


Em seguida, já durante o debate aberto à plateia do Teatro Dante Barone, Taubkin criticou a baixa qualidade da música veiculada hoje, de maneira geral, tanto no mercado musical brasileiro, como no mercado internacional. “Desde que os produtores assumiram a direção da indústria musical, o jogo mudou. Hoje temos o mesmo hamburger sendo vendido em todos mercados”, disse, comparando a globalização da música pop com a chamada fast food.

“Cada ato nosso como consumidores é um ato político”, disse o jornalista e curador Kiko Ferreira, referindo-se à sua experiência como diretor artístico da recém-desativada rádio Guarani FM, de Belo Horizonte (MG), conhecida pela programação musical de alta qualidade. Entre as causas para o fim da emissora, Ferreira chamou atenção para o fato de que até empresários que apreciavam a linha musical da rádio Guarani preferiam veicular a publicidade de suas empresas em rádios mais comerciais.

Ainda na sexta-feira, os shows programados para o mesmo teatro fizeram jus à diversidade musical difundida pelo evento, assim como à sua defesa incondicional das músicas regionais de qualidade. A começar pelas aparições do violeiro Chico Lobo, que introduziu as atrações da noite com seus divertidos causos e modas de viola.


Formada por crianças e jovens da periferia de Porto Alegre, com a regência da professora Cecília Rheingantz Silveira, a Orquestra Villa-Lobos abriu sua apresentação com a clássica “Trenzinho Caipira” (de seu patrono Villa-Lobos), demostrando que a inclusão social também está entre as principais bandeiras do evento. Depois veio o também gaúcho Grupo Tamborada, comandado pelo cantor e compositor Kako Xavier, que encantou a plateia com a riqueza de seus ritmos afro-brasileiros (destaque para o maçambique e a congada) e a beleza das coreografias de suas dançarinas.

Fechando a noite, o cantor e compositor paulista Renato Teixeira, fiel representante da música caipira e sertaneja do sudeste, relembrou sucessos como “Romaria”, “Tocando em Frente” e “Amanheceu, Peguei a Viola”. Também cantou a clássica “Cuitelinho” (recolhida por Paulo Vanzolini) e a emotiva “Pai e Filho” (versão de “Father and Son”, de Cat Stevens), acompanhado por Chico Teixeira, seu filho.

O evento prosseguiu no sábado, com oficinas gratuitas dedicadas ao frevo (comandadas por Marcelo Melo e Dudu Alves), ao maçambique e à congada (por Kako Xavier e Richard Serraria) e ao carimbó (por Nazaco, Kleber e Márcio, do grupo Manari). Já à noite, shows dos grupos Arte Gaúcha, Manari (do Pará) e Quinteto Violado (de Pernambuco).

Depois de algumas edições esparsas, fica agora a expectativa de que esse evento possa ser realizado com mais regularidade e abrangência. Como diz o crítico musical e curador Juarez Fonseca, “o Brasil precisa se conhecer melhor”. Nesse sentido, a sexta edição do Acorde Brasileiro já deixou uma promissora contribuição.

(Cobertura realizada em Porto Alegre a convite da produção do evento)


Aqui um vídeo com o grupo Tamborada:  http://globotv.globo.com/rbs-rs/galpao-crioulo/v/kako-xavier-e-tamborada-tocam-macacaia/4147130/

Ronen Altman: bandolinista reúne seleção de craques da música instrumental em CD

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Na contracapa do álbum “Som do Bando” (lançamento do selo Sonora), uma lista de músicos e arranjadores do primeiro time da música popular brasileira – André Mehmari, Dori Caymmi, Edson José Alves, Fernando Corrêa, Gilson Peranzzetta, Laércio de Freitas e Nailor Proveta, Renato Borghetti e Tiago Costa – já indica que se trata de um projeto muito especial. 
 
O bandolinista Ronen Altman não deixou por menos ao planejar seu primeiro disco como solista: para as gravações convidou mais de 30 músicos com muitos dos quais já tocou ou gravou durante as últimas décadas. A produção também foi entregue a dois antigos parceiros na música: o violonista Swami Jr. e o irmão Helton Altman.


 “Os momentos mágicos vividos ao lado de tantos artistas é que me incentivaram a realizar este disco. Ele é uma reverência que faço ao bandolim e ao bando de pessoas que me fizeram amar a música de maneira incondicional”, escreve Altman, no encarte do CD, que também inclui participações de Yamandu Costa (violão), Benjamim Taubkin (piano), Celsinho Silva (tamborins), Fábio Torres (piano), Sérgio Reze (bateria), Sylvinho Mazzuca Jr. e Pedro Gadelha (contrabaixo), entre outros.  
 
Diferentemente do que se poderia esperar, essa multidão de instrumentistas e arranjadores, com diferentes concepções musicais, jamais compromete a unidade musical do álbum. Presente em quase todas as faixas, um quinteto de sopros garante certa uniformidade sonora.


Altman não é um daqueles músicos exibicionistas, ansiosos por demonstrar sua destreza técnica ao ouvinte. Ao dedilhar seu bandolim, costuma privilegiar o sentimento, as emoções embutidas nas melodias e harmonias do original repertório que escolheu. 
 
Do contagiante samba-choro “Esperando a Feijoada” – com participação do próprio compositor, o guitarrista Heraldo do Monte – à versão instrumental da sensível canção “Fim do Ano” (de Swami Jr. e José Miguel Wisnik), Altman desfia a cada faixa diversas parcerias e ligações musicais, compondo assim um panorama de sua própria história.

 
Arranjada pelo pianista Laércio de Freitas, “Turma Toda”, do baixista Arismar do Espírito Santo”, revela influências jazzísticas e conta com improvisos de ambos. Em arranjo de Hermeto Pascoal, o “Choro de Amor Vivido”, de Eduardo Gudin, também destaca o violão do compositor. 


Outro craque dos arranjos e composições, o violonista Dori Caymmi comparece com seu vozeirão e suas cordas, em faixa que une “Obsession” (parceria com Gilson Peranzzetta) e “Rio Amazonas”, ao lado do flautista Teco Cardoso.  
 
Altman também inclui cinco composições próprias: da valsante “Nanai” (parceria com Celso Viáfora), que destaca a sanfona de Lulinha Alencar, à envolvente “Parafuso”, em arranjo do pianista André Mehmari.


Em tempos de vaidades e individualismos extremados, ao reunir tantos parceiros e amigos em seu belo disco de estreia, Altman dá uma lição de humildade e amor pela música.

(Resenha publicada parcialmente no caderno Ilustrada, da “Folha de S. Paulo”, em 23/09/2014)




 

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