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John Coltrane: álbum inédito do saxofonista ainda soa perturbador 55 anos depois

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                                                    O saxofonista e compositor John Coltrane / Foto de Bob Thiele

Para quem não está familiarizado com a obra de John Coltrane (1926-1967), a revelação de 14 gravações inéditas desse saxofonista e compositor, reunidas no álbum “Both Directions at Once: The Lost Album” (lançamento Impulse!, no mercado internacional), poderia ser comparada à descoberta de uma coleção de pinturas de Pablo Picasso. Em outras palavras, um pequeno tesouro para os apreciadores do jazz. 

Trata-se de material inédito do músico de jazz mais cultuado e imitado nas últimas cinco décadas, à frente de um dos quartetos mais perfeitos e inovadores na história desse gênero musical. Ao lado do sax tenor e do sax soprano de Coltrane, também brilham o piano inventivo de McCoy Tyner, a explosiva bateria de Elvin Jones e o contrabaixo propulsor de Jimmy Garrison.

Mesmo que essas gravações soem aquém de consagradas obras-primas de Coltrane, como as que integram seus álbuns “A Love Supreme” (1965), “Giant Steps” (1960) ou “My Favorite Things” (1961), isso não impede que o impacto seja grande, ainda mais no caso de ouvintes que desconhecem sua música.

Entre as duas versões lançadas do álbum (uma básica, com sete faixas, e outra ampliada com sete “takes” alternativos) a segunda oferece aos estudiosos, ou mesmo aos fãs mais curiosos, a possibilidade de se acompanhar “por dentro” um pouco do processo de criação de Coltrane e seus parceiros musicais.

Cada uma das quatro novas versões de “Impressions” (composição própria que Coltrane gravou em diversas formações, tanto em estúdio como ao vivo, durante a década de 1960) tem uma personalidade diferente, seja no andamento adotado pelos músicos, seja na maneira de improvisar.

Não à toa, o take 4 de “Impressions” transmite uma sensação de urgência, uma busca de maior liberdade rítmica e harmônica, que identifica essa fase musical do quarteto de Coltrane. Dois anos mais tarde, ao gravar o vanguardista “Ascension”, o saxofonista ingressou de forma definitiva no universo arrítmico e atonal do chamado free jazz.

O título “Both Directions at Once” (ambas as direções de uma vez) remete ao dilema musical que Coltrane enfrentava na época: entre o jazz mais convencional que praticara no passado e a atração vertiginosa pelo jazz de vanguarda, que parecia contagiá-lo mais e mais.

Curiosamente, quando as 14 faixas desse álbum foram gravadas, em 6 de março de 1963, Coltrane ainda tentava responder de alguma maneira à expectativa de Bob Thiele, produtor do selo Impulse!, no sentido de repetirem o sucesso de seu álbum “My Favorite Things” (1961). Logo no dia seguinte, ele e o quarteto entrariam no mesmo estúdio para gravar um álbum ao lado do sofisticado cantor Johnny Hartman, com um repertório de românticos clássicos da canção norte-americana, bem adequado para atingir um público mais amplo.

É possível, portanto, que as duas versões instrumentais de “Vilia” (singela canção do húngaro Franz Lehár, extraída da opereta “The Merry Widow”), reveladas agora, tenham servido de aquecimento para as gravações com Hartman. No segundo take, o lirismo da melodia ganha mais realce graças à sonoridade branda do sax soprano.

Para os ouvidos de quem já se acostumou à redundância e à falta de substância que marcam grande parte da produção musical de hoje, faixas como a encantatória “Untitled Original 11383” (composição própria que não chegou a ser batizada pelo saxofonista) ou a angustiada versão instrumental de “Nature Boy” (popular canção de Eden Ahbez) podem ser um tanto difíceis de encarar. 
Meio século após a precoce morte de Coltrane, a música desse messiânico jazzista soa ainda mais perturbadora.

(Resenha publicada no caderno "Ilustrada" da "Folha de S. Paulo", edição de 2/07/2018)




3º Jazz na Fábrica: festival oferece abrangente painel do 'world jazz' em São Paulo

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Anote em sua agenda: os ingressos para a terceira edição do festival Jazz na Fábrica, no SESC Pompéia, em São Paulo, começam a ser vendidos nesta quinta-feira (25/7), a partir das 14h. Com uma programação recheada de músicos conceituados e revelações do jazz, como os pianistas McCoy Tyner e Edsel Gomez, as cantoras Cassandra Wilson (na foto abaixo) e Macy Gray, o organista Dr. Lonnie Smith (na foto à esq.), o baixista Richard Bona, o trompetista Ibrahim Maalouf e os saxofonistas David Murray e Roscoe Mitchell, entre outros, os ingressos para os shows mais disputados devem acabar em poucas horas. Até porque os preços – que variam de R$ 50 (inteira) a R$ 4 (trabalhadores no comércio), dependendo do show – são bem razoáveis frente à altíssima média praticada na programação musical paulista.

Realizado em um mês diferente a cada ano, desta vez o Jazz na Fábrica vai acontecer de 1° de agosto a 1º de setembro, no Teatro, na Choperia e em outros espaços da unidade do Sesc Pompéia. Com mais de 30 atrações, a programação cobre diversas correntes do jazz moderno e contemporâneo no mundo, abrindo espaço também para a música instrumental do Brasil e da América Latina.


“O jazz, um fenômeno que ao longo do século XX influenciou as mais diversas culturas musicais mundo afora, recebeu e continua recebendo influências diversas”, comenta Thiago Freire, técnico do SESC e integrante da curadoria do evento. “O jazz é, para nós, um palco de encontro entre essas múltiplas referências. Estamos olhando especialmente para as ‘periferias’ e trazendo, ao lado de grandes nomes tradicionais do jazz americano e brasileiro, artistas importantes da América Latina e da África, bem como nomes que ousam experimentos sonoros”.

O festival já começa com uma atração musical de peso, que será exibida da nos dias 1º, 2 e 4 de agosto: o inventivo pianista e compositor norte-americano McCoy Tyner (na foto abaixo). Não bastasse ter participado de um dos quartetos de jazz mais influentes na história do jazz, o John Coltrane Quartet, Tyner desenvolveu um estilo absolutamente original ao piano, em sua longa carreira de solista e compositor.



Como nas edições anteriores, o jazz mais experimental, também conhecido como “free jazz”, está bem representado no elenco, Além do veterano Roscoe Mitchel, integrante do lendário Art Ensemble of Chicago, ou do saxofonista Ivo Perelman, brasileiro radicado nos EUA, esse segmento inclui também o trio Sun Rooms, que destaca o vibrafone furioso de Jason Adasiewicz.

Os fãs que sentiram a falta de vocalistas, no festival do ano passado, não podem reclamar. Desta vez, além do vozeirão de Cassandra Wilson, umas das grandes cantoras de jazz da atualidade, o Jazz na Fábrica trará ainda Macy Gray, estrela do R&B e do soul, que vem como convidada da big band do saxofonista David Murray. Também com um pé no R&B e no funk, o organista Dr. Lonnie Smith (na foto à esquerda) já tem um grande fã clube paulistano, depois de se tornar a sensação do Chivas Jazz Festival, em 2008.

O elenco nacional destaca Eliane Elias, ótima pianista paulista radicada há décadas nos EUA que tem investido mais em sua faceta de cantora, o piano de João Donato, um dos pioneiros da bossa nova, além de nomes de alto calibre na cena brasileira da música instrumental e do jazz, como o trombonista carioca Raul de Souza, o Duo Nazário, o pianista paulista Benjamim Taubkin, o quinteto do saxofonista baiano Letieris Leite e o guitarrista gaúcho Alegre Corrêa.


Uma boa sacada desta edição é a série de shows intitulada Café com Leite, que destaca revelações das cenas instrumentais de São Paulo e Minas Gerais, como o baixista Frederico Heliodoro, o baterista Felipe Continentino e o trombonista Jorginho Neto. Também acompanhado por brasileiros, o criativo pianista porto-riquenho Edsel Gomez (na foto ao lado), morou por alguns anos em São Paulo, na década de 1990. Representando a cena jazzística latino-americana, vêm ainda o flautista boliviano Álvaro Montenegro e o baixista chileno Christian Galvez.

Compondo um panorama do que se chama hoje de “world jazz”, o elenco inclui ainda a cantora Angolana Afrikkanittha, o baixista e cantor camaronense Richard Bona, o trompetista franco-libanês Ibrahim Maalouf, o guitarrista austríaco Wolfgang Muthspiel, a banda suíça No Square e a francesa Et Hop. Um painel tão abrangente e diversificado como raramente se viu em festivais do gênero em nosso país.

Mais informações sobre o evento, no site do Sesc São Paulo.

Jazz Collection: Dexter Gordon, McCoy Tyner e outros jazzistas em imagens de VHS

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Quem já ingressou na era do vídeo em alta definição pode estranhar a sofrível qualidade de imagem desta série de DVDs, mais próxima do arcaico padrão VHS. Mesmo assim, o elenco incluído no primeiro pacote da série Jazz Collection (lançamento Wet Music) merece ser apreciado por fãs desse gênero musical.

O DVD “Meeting of the Spirits” registra o histórico encontro de três virtuoses do violão: o inglês John McLaughlin, o espanhol Paco de Lucia e o norte-americano Larry Coryell, em turnê pela Europa, em 1980. A flamenca “Entre Dos Aguas” (DeLucia) e o samba canção “Manhã de Carnaval” (Luiz Bonfá) destacam-se entre os cinco temas que esse trio, cultuado na época, interpretou com muita testosterona, velocidade e profusão de notas.


“Cool Summer” reúne aparições dos grupos do saxofonista Dexter Gordon e do pianista McCoy Tyner, ao ar livre, no Harvest Jazz Festival (em Saratoga, na Califórnia), também nos anos 80, época em que ambos se apresentaram pela primeira vez no Brasil. Em sua bem humorada composição “Cheese Cake” e na clássica balada “Skylark”, Gordon confirma ser, literalmente, um gigante do bebop. Contando com participação especial do vibrafonista Bobby Hutcherson, em faixas como “Habana Sol” e “The Seeker”, Tyner mostra como conseguiu encontrar novas formas para a hipnótica e vigorosa música que desenvolveu com John Coltrane, na década de 60.

Finalmente, é difícil entender porque o DVD “Jazz Legends” reúne trechos de apresentações de músicos de gerações e estilos tão diversos como o pianista Les McCann, o violonista Charlie Byrd, o saxofonista Arnett Cobb e o cantor e tecladista Ben Sidran. Parece mais uma colcha de retalhos, mas ainda assim se trata de uma compilação de músicos com obras consistentes. Vale conferir.

(resenha publicada parcialmente no “Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 27/08/2010).

     
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7ª Mostra Internacional de Música em Olinda: evento reune instrumentistas brasileiros, jazzistas e eruditos em concertos gratuitos

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Música de alta qualidade, seja ela de origem erudita ou popular. Essa é a fórmula da Mostra Internacional de Música em Olinda, a MIMO, que vai realizar sua
sétima edição de 1º a 7 de setembro. Neste ano o evento promove 37 concertos gratuitos, em igrejas e palcos dessa cidade histórica de Pernambuco, estendendo também sua programação a Recife e João Pessoa.

Entre as dezenas de atrações musicais estarão os jazzistas norte-americanos McCoy Tyner (na foto acima) e Mike Stern, o compositor e cantor Tom Zé, o quarteto de cordas austríaco Hugo Wolf, os instrumentistas Egberto Gismonti, Wagner Tiso, Antonio Madureira, Carlos Malta, Leo Gandelman, Heloisa Fernandes e os violonistas do Duofel, além de três orquestras sinfônicas nacionais.

Uma novidade no programa desta edição é o Festival MIMO de Cinema, que vai exibir filmes com temática musical, de longa e curta metragem, ainda inéditos no circuito comercial pernambucano. Já a Etapa Educativa oferece, como em anos anteriores, workshops, master classes, oficinas de formação de orquestra e curso de regência, entre outras atividades de ensino musical.

Confira a programação no site da MIMO: www.mimo.art.br/

 

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