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AsuJazz: festival do Paraguai entra no circuito mundial valorizando sotaques regionais

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                           O harpista paraguaio Juanjo Corbalán e o saxofonista espanhol José Luís Gutiérrez

Já era madrugada de domingo (7/10), quando Ivan Lins e seu grupo deixaram o palco instalado na Praça da Liberdade, na cidade de Assunção. O comemorado show do compositor e cantor brasileiro encerrou a terceira edição do AsuJazz, festival que ofereceu uma extensa programação musical, totalmente gratuita, em diversos palcos da capital paraguaia durante uma semana. 

Ivan já entrou em cena cantando uma seleção de sucessos de sua carreira: “Daquilo que Eu Sei”, “Meu País” e “Somos Todos Iguais Neste Noite” (parcerias com Vitor Martins). Bastava olhar os rostos iluminados na multidão presente na praça, para se constatar a admiração que os paraguaios têm por ele e pela música popular brasileira – até então só presente de maneira ocasional nos repertórios de alguns shows do festival.

Foi uma noite eclética, que também destacou o trio do saxofonista italiano Enzo Favata e seu jazz cheio de melancolia, com influência da música folclórica da região da Sardenha. Ou ainda o quarteto alemão de sopros Talking Horns, com um repertório bem diversificado, que vai do jazz tradicional à música circense, passando até pela música sacra. 


A noite de sábado (6/10) também contou com uma revelação: a radiante baterista cubana Yissy Garcia (na foto ao lado) e seu quinteto Bandancha. Filha de Bernardo Garcia (percussionista do lendário grupo Irakere), Yissi toca sorrindo. Uma das referências mais evidentes de seu jazz de fusão é o baixista norte-americano Marcus Miller, que ela homenageia na composição “Mr. Miller” (com um belo vídeo no YouTube). Também tocou uma releitura de “Tutu” (tema de Miller, da época que foi parceiro de Miles Davis), recheada de scratches pelo DJ Jigüe.

Na noite anterior, no mesmo palco, a atração mais esperada era a banda comandada por dois veteranos expoentes do jazz fusion: o guitarrista Mike Stern e o baterista Dave Weckl. Recebidos como popstars, com fãs gritando seus nomes, os dois abriram o show com uma frenética versão de “Nothing Personal” (de Michael Brecker). Para alguém que sofreu um grave acidente dois anos atrás, a garra 
e a velocidade dos solos de Stern (na foto abaixo) impressionam. 

Surpresas não faltaram também na apresentação do saxofonista espanhol José Luís Gutiérrez, que hipnotizou a plateia com seus improvisos, acompanhado pela bateria de seu conterrâneo Lar Legido e pela harpa do paraguaio Juanjo Corbalán. Não bastassem as expressivas melodias de ascendência ibérica que toca com o sax alto ou o soprano, Gutierrez também encantou os ouvintes com o “panderidoo”, insólito instrumento que inventou. Trata-se de um grande pandeiro envolvido por um tubo, que ao ser soprado produz um som bastante grave e estranho.

Original também é a música instrumental do violonista e compositor chileno Antonio Monasterio. O título de seu recente álbum “Centro y Periferia” parece aludir ao dilema dos jazzistas que vivem fora do suposto eixo de circulação desse gênero musical. O timbre do oud (instrumento de cordas de origem árabe, que lembra um alaúde) acrescenta um tempero especial à sonoridade do grupo de Monasterio.

No Brasil, já vimos artistas nacionais serem tratados como atrações secundárias em vários festivais, inclusive de outros gêneros musicais. No AsuJazz, ao contrário, há uma assumida intenção de apoiar os instrumentistas e grupos de jazz paraguaios, especialmente aqueles que têm consciência de que sua música terá mais identidade se contar com ritmos, sonoridades e sotaques locais.

Esse é o caso, por exemplo, do talentoso pianista Oscar Aldama, que hoje vive no Brasil depois se formar no Conservatório de Tatuí (no interior de São Paulo). Em sua apresentação, no sábado, exibiu composições próprias calcadas em ritmos latino-americanos, como o chamamé e a polca paraguaia, o festejo peruano ou mesmo o samba-jazz brasileiro. 

Outros músicos locais que também tiveram lugares de destaque no festival para exibir suas incursões jazzísticas calcadas em ritmos regionais foram o guitarrista Gustavo Viera, o violonista José Villamayor, o baterista Toti Morel e o já citado harpista Juanjo Corbalán, que também se apresentou com seu grupo.

Já a banda Néstor Ló y los Caminantes, que fez o show mais bem-humorado do festival, aproxima o folclore local da linguagem da música pop, com direito a um naipe de sopros. “Nós respeitamos as raízes da música paraguaia, mas também podemos sair dela”, justificou-se o líder e cantor Néstor López, pouco antes de concluir o show da banda com um dançante funk.

Para aqueles que gostam de dar uma esticada depois dos shows do festival, o ponto de encontro de músicos e fãs de jazz é o Drácena, no centro de Assunção. Comandado pelo baterista Seba Ramirez (que também tocou no festival), esse misto de bar e espaço cultural costuma realizar jam sessions e concertos.

Muito bem organizado, o AsuJazz demonstrou em sua terceira edição que já está pronto para ingressar no circuito internacional de eventos desse gênero. Diferentemente de festivais que apenas oferecem à plateia um cardápio de atrações musicais e algumas atividades paralelas, o AsuJazz é um festival com uma missão mais ambiciosa: exibir a música instrumental e o jazz produzidos hoje no Paraguai aos ouvidos do mundo.

(Cobertura realizada a convite da produção do festival AsuJazz)

AsuJazz: 3ª edição do festival paraguaio reúne elenco musical de alta qualidade

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                                   The Baylor Project, atração do 3.º festival AsuJazz, em Assunção (Paraguai)

Na cena internacional do jazz, o Paraguai ainda não goza de prestígio musical equivalente ao de alguns de seus vizinhos, como o Brasil ou a Argentina. Mas o promissor programa da terceira edição do AsuJazz indica que esse festival sediado na cidade de Assunção já tem potencial para se destacar no circuito de eventos desse gênero.

Com oito palcos instalados em diversos locais da capital paraguaia (incluindo o Teatro Municipal Ignacio A. Pane, o Centro Paraguaio Japonês, o Mercado 4 e duas praças), o AsuJazz pretende transformar a cidade em um cenário capaz de proporcionar mais visibilidade ao jazz cultivado no país.

Com uma programação de alta qualidade e totalmente gratuita, o festival -- que segundo seus produtores “nutre-se de uma música que nasce da mestiçagem e que se define como uma oportunidade de mostrar um som com identidade local” -- vai oferecer atrações musicais de 10 países, assim como dezenas de shows com grupos e artistas locais.

Além de nomes consagrados mundialmente, como o guitarrista norte-americano Mike Stern (em uma parceria com o baterista Dave Weckl), o cantor e compositor brasileiro Ivan Lins, o saxofonista italiano Enzo Favata ou o trio vocal argentino Aca Seca, o AsuJazz também anuncia algumas atrações que podem surpreender a plateia local.

É o caso do The Baylor Project, grupo norte-americano comandado pelo casal Jean (voz) e Marcus Baylor (bateria), que lançou em 2017 o excelente álbum “The Journey”. Indicado ao prêmio Grammy de “melhor álbum de jazz vocal” e “melhor performance de R&B tradicional”, esse projeto transita com elegância e inventividade pelo jazz, pela soul music e pelo gospel.

Promissoras também são as apresentações da baterista cubana Yissi Garcia e sua Bandancha, do quarteto de sopros alemão Talking Horns, do saxofonista espanhol José Luis Gutiérrez e do violonista chileno Antonio Monasterio. Sem falar em conceituados músicos locais, como o harpista Juanjo Corbalán ou os guitarristas Gustavo Viera e Rolando Chaparro, entre outros.

A programação do AsuJazz, que é organizado pelo Município de Assunção e pelo Centro Cultural Paraguaio Americano, destaca também uma grande homenagem ao pianista e compositor Jorge “Lobito” Martínez (1952-2003), expoente do jazz no país. Inclui ainda uma mesa redonda sobre jornalismo musical, com a participação de jornalistas locais e de outros países que estarão cobrindo o evento.









Mike Stern & Balaio: guitarrista mostrou em São Paulo que continua em grande forma

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                                                                    O baixista Rubem Farias e o guitarrista Mike Stern 

É provável que uma parte da plateia que foi ouvir o quarteto Balaio, ontem, no Sesc Belenzinho (em São Paulo), não saiba até agora que o guitarrista Mike Stern, convidado especial dessa banda paulista, superou há pouco um grave acidente. Tocando com o mesmo brilho que o inscreveu ainda nos anos 1980 entre os grandes guitarristas do jazz contemporâneo, Stern não deixou qualquer dúvida de que voltou à sua melhor forma.

Dois anos atrás, correndo atrás de um táxi numa rua de Nova York, onde vive, Stern tropeçou numa pilha de detritos de construção e fraturou os dois ombros. Sua recuperação é um exemplo admirável de resiliência: dois meses e meio depois, mesmo com uma sequela na mão direita, já tinha voltado a se apresentar no 55 Bar (no bairro de Greenwich Village).

A satisfação que Stern demonstrou ontem no palco foi contagiante. Ao final do show, sorrindo, fez questão de apresentar os afiados parceiros do Balaio, mesmo tropeçando nos nomes de alguns: Marco Bosco (percussão), Rubem Farias (baixo elétrico), Leonardo Susi (bateria), Adriano "Magoo" Oliveira (teclados) e, em participação especial, Paulo Calazans (piano elétrico).

“Vocês querem ouvir mais uma, não querem?”, disparou, antes mesmo que a plateia entusiasmada, de pé, parasse de gritar e aplaudir. Fechou a noite cantando e improvisando uma original versão do blues “Red House”, de Jimi Hendrix. É por momentos especiais como esse que nada substitui a experiência de se ouvir música ao vivo.

Caribbean Sea Jazz: salsa tempera a receita musical do festival de Aruba

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                                A trompetista Maite Hontelé e o cantor Diego King, no Caribbean Sea Jazz 
 
Programar uma tradicional banda de salsa como atração derradeira de um festival de jazz pode ser uma decisão estratégica, pelo menos no Caribe. Ao encerrar sua 9ª edição com uma apresentação do Grupo Niche, consagrada instituição musical da Colômbia que se dedica ao cultivo da salsa há 35 anos (na foto abaixo), a produção do Caribbean Sea Jazz demonstra saber que, na ilha de Aruba, um festival desse gênero só consegue atrair grandes plateias se souber combinar os improvisos do jazz com os dançantes ritmos da tradição afro-cubana.

Foi o que se viu e ouviu, no último final de semana, quando 16 atrações musicais se alternaram em três palcos instalados no amplo Centro de Conferências do Hotel Renaissance, na região central dessa ilha caribenha. Organizada de maneira que a plateia pudesse acompanhar ao menos parte de todos os shows, a programação do evento reservou o auditório Purple (com seu providencial ar condicionado) para os concertos de jazz, deixando os palcos Padu e Divi, ambos ao ar livre, para as apresentações de ritmos latinos e black music.


Outra decisão acertada da direção do evento foi concentrar as atrações mais jazzísticas na noite de abertura (sexta-feira), reservando para sábado os shows dos artistas locais e internacionais que tocam salsa e outros ritmos afro-cubanos. Graças a essa divisão, a presença de turistas europeus e norte-americanos ficou mais concentrada na primeira noite do festival, assim como a população local esteve presente em maior número, na noite de sábado. 


Os fãs que só conheciam a faceta jazzística do versátil trompetista norte-americano Roy Hargrove podem ter se surpreendido vê-lo à frente do RH Factor –- seu projeto dedicado a vertentes da música negra contemporânea, como o R&B, o funk e o hip hop. Não bastasse a alta qualidade dos músicos, assim como o repertório calcado em contagiantes grooves, a banda ainda traz uma surpresa: a tecladista Renné Neufville, que troca literalmente de lugar com Hargrove. Enquanto esse se senta aos teclados, ela assume o centro do palco e brilha como cantora. 


Outro ponto alto da noite de abertura foi a apresentação da banda The Ploctones. O guitarrista Anton Goudsmit e o saxofonista Ephraim Trujillo (este cheio de caras e poses, na foto à direita) se destacam no explosivo quarteto holandês, cujo repertório original revela múltiplas influências: do funk ao punk rock; do R&B aos ritmos latinos. A unidade do grupo é tamanha que os improvisos dos solistas soam coletivos. Não foi apenas por gentileza que o guitarrista norte-americano Mike Stern, outra atração jazzística da noite, foi cumprimentar Goudsmit durante o show.

Naturalmente, boa parte da plateia presente nessa noite foi atraída pelo show “Earth Wind & Fire Experience”, cujo repertório reúne grandes hits da black music dos anos 1970 e 1980. Mesmo que a banda The Al McKay Allstars conte com apenas dois integrantes originais da EW&F, o profissionalismo de McKay (na foto baixo), guitarrista, arranjador e compositor de vários clássicos dessa influente banda norte-americana, assim como os bons vocalistas e dançarinos da atual formação, garantem a animação da festa, especialmente quando a banda revisita sucessos como “Shining Star”, “September” ou “Boogie Wonderland”. 


Um tanto prejudicado em sua missão de fazer o último concerto da noite, o excelente quarteto de Mike Stern entrou em cena, no auditório Purple, quando os Al McKay Allstars ainda finalizavam seu show lá fora, no palco principal. Muito bem acompanhado pelo saxofonista Bob Franceschini, pelo baixista Janek Gwisdala e o mestre da bateria Dennis Chambers, Stern não perdeu a animação, mesmo tocando para uma plateia reduzida. Azar de quem foi mais cedo para casa: desperdiçou a chance de ouvir um guitarrista sensacional, que sabe explorar todas as nuances e dinâmicas de uma improvisação.

A noite de sexta contou também com algumas atrações locais, como o refinado jazz do saxofonista Delbert Bernabela (na foto abaixo), músico de Aruba que se mudou para a Holanda, na década passada. Eclético, ele combina diversas influências em suas composições – da música clássica aos ritmos latinos. Já o baterista Michael Bremo comandou um sexteto de jazz contemporâneo, formado por competentes instrumentistas de Aruba, de Cuba e dos Estados Unidos.  


Assim como o show “Earth Wind & Fire Experience” polarizou a maior parte da plateia presente à primeira noite do festival, o Grupo Niche certamente atraiu a maior parcela de público, no sábado. Aliás, essa veterana banda colombiana de salsa tem vários aspectos em comum com a Earth Wind & Fire: durante décadas ambas produziram dezenas de sucessos, que seus fãs cantam e dançam junto com a banda durante a apresentação; ambas revelam um cuidado especial com a qualidade de seus arranjos; seus vocalistas também são ótimos dançarinos, capazes de executar vistosas coreografias durante quase todo o show.

Outra favorita da noite de sábado foi Maite Hontelé (foto no alto desta página), trompetista radicada na Colômbia, que arrancou aplausos eufóricos ao se apresentar à plateia de Aruba: “Eu sou uma holandesa nascida em um continente equivocado. Hoje sou muito feliz, tocando na América Latina”, afirmou, demonstrando orgulho. A carismática Maite comanda uma banda jovem e eficiente, com um repertório de boleros, sons e cha-cha-chas bem característicos da velha guarda musical de Cuba – uma década atrás ela chegou a viajar com a lendária banda cubana Buena Vista Social Club. O duo de Maite com o vocalista Diego King, na versão quase teatral do bolero “Perdón”, é um dos grandes momentos de seu show.  


Já a saxofonista norte-americana Jessy J (não confundir com a cantora pop britânica Jessie J), que se apresentou em seguida no auditório, foi a responsável pelo show mais medíocre da noite. Imagine uma patricinha com um vestido curto, tocando um jazz de ascendência pop com um sax tenor de sonoridade amadora. Pode piorar? Sim, quando Jessy (na foto à esquerda) tenta posar de cantora. Com sua voz de timbre infantil, ela parece fazer um sketch de humor ao cantar a latina “Paraiso Magico”.

Felizmente, a programação do sábado já havia exibido uma ótima cantora de jazz. Muito bem acompanhada por seu quarteto acústico, com destaque especial para o sax alto de Justin Robinson, a italiana Roberta Gambarini (na foto abaixo) cantou standards do gênero, como “Body and Soul” e dois temas da ópera negra “Porgy and Bess” (dos irmãos Gershwin e DuBose Heyward). Roberta também demonstrou sua afinidade com a música brasileira, ao interpretar “Chega de Saudade” (de Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Pena que seu baterista tenha optado por uma condução espalhafatosa, mais próxima de um samba rasgado do que de uma intimista bossa nova.  


Entre as atrações locais, o pianista e arranjador Johnny Scharbaay (outro artista nascido em Aruba que estudou música na Holanda) foi esperto ao convocar Efraim Trujillo, o incendiário saxofonista do quarteto The Ploctones, para reforçar seu grupo. A vibrante releitura de “Cantaloop Island” (Herbie Hancock) foi um dos pontos altos de sua apresentação.

Com um balanço bem positivo, tanto sob o ponto de vista da organização do evento, como da qualidade exibida pelo elenco musical, o Caribbean Sea Jazz Festival já planeja sua 10ª edição, que promete ser especial. “Posso garantir que será uma edição muito forte”, afirma Erik Eman, diretor do festival, que pretende incluir música brasileira no programa de 2016.

Para os turistas brasileiros, que já conhecem ou não as belezas naturais e outras atrações da ilha (de privilegiados pontos para mergulhar no mar à saborosa culinária local), o Caribbean Sea Jazz pode ser um ótimo pretexto para se visitar Aruba no próximo ano.

(Cobertura feita a convite da produção do Caribbean Sea Jazz Festival e da Aruba Tourism Authority)











Caribbean Sea Jazz: festival de Aruba mistura black music e ritmos caribenhos

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No cenário internacional, não são poucos os festivais de jazz que incluem artistas de blues, soul music, funk e R&B, em seus programas. Nada mais natural, portanto, que um festival como o Caribbean Sea Jazz, realizado anualmente na simpática ilha de Aruba, acrescente também ritmos caribenhos, como a salsa, o merengue ou o calipso, em sua diversificada receita musical.

Herdeiro do Aruba Jazz & Ritmo Festival (que tive o prazer de cobrir algumas vezes, para a "Folha de S. Paulo", durante a década de 1990), o Caribbean Sea Jazz vai realizar sua 9ª edição nos dias 25 e 26 deste mês de setembro. Com três palcos simultâneos, que vão exibir um total de 16 atrações, o evento combina astros internacionais com talentos musicais da região. 

 
Entre os destaques do programa deste ano estão o trompetista norte-americano Roy Hargrove (na foto ao lado) e a cantora italiana Roberta Gambarini (foto abaixo), nomes de ponta na cena atual do jazz. Os dois são parceiros há mais de uma década e, aliás, tinham shows agendados em dois dos maiores festivais brasileiros desse gênero: o Jazz na Fábrica (em São Paulo) e o Rio das Ostras Jazz & Blues (no litoral fluminense), dias atrás. Infelizmente, um problema de saúde com Hargrove resultou no cancelamento desses shows no Brasil.

Outra atração do festival de Aruba, que certamente estará entre as mais disputadas, é o show “Earth Wind & Fire Experience” – os clássicos sucessos dessa banda, expoente da black music dos anos 1970, são revisitados pelos Al McKay All Stars (foto no alto da página). Detalhe: não se trata de uma mera banda cover, já que o guitarrista Al McKay e o trompetista Michael Harris fizeram parte das formações da EW&F.


Já o guitarrista e compositor Mike Stern -- dono um currículo que inclui parcerias com Miles Davis, Michael Brecker e Marcus Miller, entre outros figurões do gênero -- é adepto do chamado jazz de fusão. Costuma surpreender aqueles que ainda não conhecem seus vertiginosos improvisos, com intensidade típica do rock.  Entre os músicos locais destaca-se o saxofonista arubenho Delbert Bernabela, que mistura jazz, ritmos caribenhos e música pop em seu repertório, assim como o veterano trompetista Franklin Granadillo, que vai comandar uma recém-formada orquestra de jazz.

O programa do festival inclui ainda o colombiano Grupo Niche, conceituada banda de salsa com 35 anos de estrada. Radicada na Colômbia, a trompetista holandesa Maité Hontelé também toca salsa e outros ritmos do Caribe. Já a saxofonista norte-americana Jessy J (não confundir com a cantora britânica Jessie J) é descendente de mexicanos e se dedica ao chamado smooth jazz, estilo com forte influência da música pop.


Mais informações no site do festival: www.caribbeanseajazz.com


Rio das Ostras Jazz & Blues: chuva não impede evento de festejar 10 anos com grandes shows

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                                              Armand Sabal-Lecco e Romero Lubambo / Photo by Carlos Calado 

Um mar de guarda-chuvas molhados. Essa imagem praticamente acompanhou os cinco dias de shows da 10ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. A chuva intermitente impediu que o evento repetisse a média de 20 mil espectadores por noite, verificada em 2011. Por outro lado, o mau tempo mostrou também que a população local e muitos turistas, que mais uma vez foram a essa cidade fluminense para ouvir música de alta qualidade, não se incomodaram de enfrentar a chuva e o chão enlameado. Certamente, não se arrependeram.


                          Mário Sève e David Ganc, solistas da Orquestra Kuarup / Photo by Carlos Calado

A noite de estreia, no palco principal, em Costazul, destacou atrações nacionais. Projeto pedagógico-musical da Fundação Rio das Ostras de Cultura, a Orquestra Kuarup Cordas & Sopros abriu o evento com uma saborosa seleção de arranjos instrumentais de temas da bossa nova, de “Samba do Avião” a “Garota de Ipanema” (Tom Jobim), além de clássicos de outras fases da música popular brasileira, como “O Ovo” (Hermeto Pascoal). À frente da orquestra, o maestro e violonista Nando Carneiro e os solistas convidados, Mário Sève e David Ganc, nos sopros.

                                         Naipe de saxofones da Big Band 190 / Photo by Carlos Calado

Surpresa da noite, a afiada Big Band 190, formada por músicos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, deliciou a plateia com suingados arranjos de temas de jazz e da música instrumental brasileira, como “Spain” (Chick Corea) e “Melancia” (Rique Pantoja), além do soul-jazz “John Brown’s Other Body” (Woody Herman), com destaque para o solo de sax tenor do sargento Geovani, do Exército. Uma big band muito bem ensaiada, com um repertório moderno, que merece ser ouvida no resto do país. 

                                                                       Helio Delmiro / Photo by Carlos Calado

Com a categoria de sempre, apesar de ter enfrentado há pouco uma cirurgia cardíaca, o mestre do violão Hélio Delmiro foi outro destaque da noite de abertura. Homenageou o saudoso maestro Moacir Santos, tocando “Nanã”. Lembrou também o grande Baden Powell, com uma versão instrumental de “O Morro Não Tem Vez”. Até se arriscou a cantar a sinuosa “Ilusão à Toa” (Johnny Alf). “Como cantor, tenho um ‘handicap’ que outros não têm: o acompanhamento do violão de Hélio Delmiro”, brincou, bem humorado. E não fez feio nos vocais. 


                                                                        Celso Blues Boy / Photo by Carlos Calado

A noite de abertura trouxe ainda o blues-rock de Celso Blues Boy, veterano carioca do gênero, dono de um grande fã clube em seu Estado. Mesmo se movimentando com certa dificuldade no palco, sem o vigor físico de outras épocas, o guitarrista e cantor desfiou seus sucessos, com a plateia bastante animada, acompanhando-o nos vocais. Claro que não faltou o hit “Aumenta Que Isso Aí É Rock’n’Roll”. E para ajudar o colega a recuperar o fôlego, também entraram em cena os ‘bluesmen’ Joe Manfra e Jefferson Gonçalves. 

                                                                Mauricio Einhorn / Photo by Carlos Calado

A programação de quinta-feira (7/6) foi a mais prejudicada pela chuva, que não deu sossego à plateia, literalmente, encharcada. O grupo instrumental mineiro Plataforma C iniciou a noite, tocando arranjos próprios de sucessos da MPB dos anos 60 e 70, assinados por Milton Nascimento (“Vera Cruz”) e Edu Lobo (“Ponteio”), entre outros. Em seguida, o veterano gaitista e compositor Mauricio Einhorn também viu sua plateia encolher por causa da chuva. Quem ficou deliciou-se com sua bagagem jazzística, exibida tanto em clássicos instrumentais da bossa nova, como “Batida Diferente” (sua parceria com Durval Ferreira), como na emotiva versão da balada “Autumn Leaves”. 

                                                                  Kenny Barron / Photo by Carlos Calado

A chuva aumentou tanto, na hora da apresentação do quarteto de jazz do pianista norte-americano Kenny Barron, que alguns músicos, como o guitarrista Mike Stern e os integrantes de seu grupo, foram ouvi-lo nas laterais do palco. Indiferente aos ruídos provocados pela tempestade, Barron comandou uma das apresentações mais inspiradas do festival, com destaque para os improvisos do trompetista Mike Rodriguez e do furioso baterista Johnathan Blake. Ao recriar dois conhecidos standards jazzísticos, “Softly, as in a Morning Sunrise” e “My Funny Valentine”, o pianista esbanjou sensibilidade musical, deixando muita gente de queixo caído. 

                                                                 Michael Hill / Photo by Carlos Calado

Fechando a noite, o bluesman norte-americano Michael Hill e sua banda Blues Mob, já conhecido pela plateia do festival, fez mais um de seus shows ecléticos. Tocou vários estilos de blues, rock, até o reggae “No Woman No Cry”, de Bob Marley. E ainda chamou ao palco a cantora brasileira Lica Cecato para uma canja, em “Georgia on My Mind”, o hit soul de Ray Charles. 

                                                      Armand Sabal-Lecco / Photo by Carlos Calado

Na sexta-feira (8/6), nem a lama que já tomara conta de grande parte da área reservada à plateia, frente ao palco em Costazul, impediu os fãs mais decididos de curtirem mais uma noite com atrações eletrizantes. Ainda desconhecido no Brasil, o baixista e cantor camaronês Armand Sabal-Lecco revelou seu potencial como músico e compositor. Variado, seu repertório vai do funk ao rock, do reggae à disco – uma salada pop, que destaca seus vocais e solos ao baixo elétrico, coloridos pela percussiva técnica do slap. Não bastasse seu carisma, Sabal-Lecco ainda chamou ao palco o carioca Romero Lubambo para uma canja. Tocando a funkeada “Cuscuz Clan”, os dois excitaram a plateia. 

                              Mike Stern (à esq.) e Romero Lubambo (à dir.) / Photo by Carlos Calado

Lubambo retornou ao palco, no show seguinte, já à frente do quarteto que lidera com guitarrista norte-americano Mike Stern. Para quem ainda desconhecia o passado roqueiro desse carioca radicado nos Estados Unidos, foi uma preciosa chance de vê-lo tocar guitarra, em sanguíneos duelos com o parceiro. Elementos do jazz e o peso sonoro típico do rock se misturaram, em vários números. O mais original, no set da dupla, foi “Bachião”, um baião instrumental de Lubambo, que serviu de veículo para alguns dos improvisos aplaudidos da noite. 

                                                    Duke Robillard / Photo by Carlos Calado

Depois de uma apresentação tão quente, só restou ao bluesman e guitarrista norte-americano Duke Robillard diminuir a temperatura em seu set, para tentar conquistar aos poucos a atenção da plateia, que ainda se refazia do show anterior. Com seu toque elegante, ele destaca em seu repertório velhos blues de mestres do gênero que o influenciaram, como T-Bone Walker e B.B. King.

                                                    A Big Time Orchestra / Photo by Carlos Calado

Também já conhecida pelo público de Rio das Ostras, a banda curitibana Big Time Orchestra fechou a noite com uma apresentação descontraída, recheada de sucessos do rock, do rhythm’n’blues e do swing, coloridos por divertidas coreografias. 

Mais shows e atrações nas próximas edições

Já na manhã do sábado, o idealizador e produtor do festival, Stenio Matos, e o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto, fizeram um balanço dos 10 anos do evento, em uma coletiva de imprensa. Inicialmente, o prefeito comentou que o mau tempo serviu para confirmar o sucesso do festival, já que mesmo com a previsão de chuvas, uma semana antes, a cidade voltou a ter seus hotéis totalmente ocupados durante o evento. 

“Não fosse o festival, com essas chuvas, muitos turistas teriam mudado seus planos de vir a Rio das Ostras”, observou Matos. “Em nossa cidade, acabou aquele preconceito de dizer que jazz é coisa de rico. O melhor de tudo é ver a alegria do povão, participando e se divertindo”, completou o prefeito.

Carlos Augusto disse também não acreditar que o resultado das eleições deste ano para a prefeitura local possa ameaçar a continuidade do festival. “Ele já está consolidado como um evento de ação cultural”, afirmou o prefeito. Citou também uma pesquisa do Cebrae, que mostra que o evento atraiu cerca de R$ 6 milhões para a economia da cidade, no ano passado. 

Já o produtor Stenio Matos disse que tem planos de levar os shows do festival a outros locais da região, além de estender a duração do evento para duas semanas, aumentando também o número de atrações musicais, nas próximas edições. 

Rio das Ostras Jazz & Blues: festival faz 10ª edição com melhores atrações de outros anos

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                                                                                 O saxofonista David Sanborn


Ostentando a condição de maior festival gratuito do gênero na América Latina, o Rio das Ostras Jazz & Blues vai comemorar sua décima edição, de 6 a 10 de junho, com uma programação especial. Stenio Mattos, produtor do evento, trará novamente músicos que fizeram alguns dos melhores shows de edições anteriores, como os bluesmen Roy Rogers e Michael Hill ou os jazzistas Mike Stern e Romero Lubambo.

Para completar o elenco, outros nomes de peso na cena do jazz norte-americano, como o saxofonista Dave Sanborn, o pianista Kenny Barron e o baterista Billy Cobham, além do guitarrista de blues Duke Robillard e o talentoso baixista camaronês Armand Sabal-Lecco. O elenco nacional de instrumentistas não fica atrás, com o grupo Cama de Gato, o gaitista Maurício Einhorn, o violonista Helio Delmiro e o guitarrista Celso Blues Boy, além da Orleans Street Jazz Band.


Durante os cinco dias do evento, nos palcos da Costazul, da Praia da Tartaruga, da Lagoa de Iriry e da Praça de São Pedro vão acontecer 29 shows, todos gratuitos. Quer saber como foi a edição do ano passado? Leia aqui:

http://www.carloscalado.com.br/2011/06/rio-das-ostras-jazz-blues-festival-os.html

Mais informações sobre o festival e sua programação em 2012 no site oficial: www.riodasostrasjazzeblues.com 

 

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