F.A.M. Festival: 16 shows gratuitos de jazz, blues e black music, em São Paulo

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                                                                            O guitarrista de blues Artur Menezes

Bandas e músicos bem conhecidos entre os frequentadores dos melhores clubes paulistanos de jazz, blues e black music compõem o elenco de um novo evento. O F.A.M. (Food, Art & Music) Festival vai oferecer 16 shows com entrada franca, no próximo final de semana, dias 12 e 13/12, nas dependências do Jockey Club, na zona oeste de São Paulo.

A música instrumental brasileira da Banda Mantiqueira e do quinteto Quartabê,
o blues do guitarrista Artur Menezes, o jazz-funk do grupo Deep Funk Session (na foto abaixo), o soul-jazz do trio Hammond Grooves e os ritmos afro-cubanos da banda  Cuban All Stars estão entre as principais atrações desse festival, com curadoria musical assinada pela produtora Jazz nos Fundos. 

Segundo os organizadores, o evento foi inspirado em feiras internacionais norte-americanas e canadenses. Mas a semelhança com o formato do New Orleans Jazz & Heritage Festival -- um dos maiores eventos musicais do mundo, realizado há 46 anos na Louisiana, no sul dos EUA -- é evidente. Além da extensa e diversificada programação musical, o F.A.M. Festival também vai oferecer uma praça de alimentação com 40 opções entre restaurantes e food trucks, assim como uma feira de artesanato e afins.
 

A programação musical destaca ainda a cantora Elza Soares e o violonista Alessandro Penezzi (ambos convidados da Banda Mantiqueira), o saxofonista Marcelo Coelho e seu projeto McLav-In, a banda latina Batanga & Cia (com a cantora Xênia França) e o Tributo a Django Reinhardt, com o violonista Bina Coquet.

Mais detalhes na página oficial do F.A.M. Festival:  https://www.facebook.com/events/431167297093602/

Alfredo Del-Penho: versátil, cantor carioca lança disco de sambas e outro instrumental

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                                                 O sambista Alfredo Del-Penho - Foto de Leo Aversa/Divulgação

Inspirado pelo mestre Paulinho da Viola (que lançou simultaneamente, em 1976, os álbuns “Memórias Cantando” e “Memórias Chorando”), o músico fluminense Alfredo Del-Penho, 34, não deixou por menos: também lança um disco de sambas cantados e outro de composições instrumentais, que marcam sua estreia fonográfica como solista.

Integrante da geração surgida com a revitalização do boêmio bairro carioca da Lapa, na virada deste século, Del-Penho é um artista de diversos talentos: além de cantor, letrista e compositor, toca violão e cavaquinho, escreve arranjos, é pesquisador e desenvolve carreira como ator de espetáculos musicais.

O álbum de sambas (lançamento independente), segundo ele, foi burilado durante os últimos dez anos. “Procurei fazer esse disco sem a preocupação da assepsia, da limpeza e perfeição a que o estúdio condena a gente. Por isso o nome ‘Samba Sujo’. A vivência do samba mudou a minha vida”, diz Del-Penho.

Além da alta qualidade das interpretações e dos arranjos, a diversidade do repertório desse álbum chama atenção. O sincopado “Samba com Dengo” (de Angela Suarez e Paulo César Pinheiro), o engenhoso “Meio Tom” (Rubens Jacobina), o samba de breque “Quando Te Esqueci” (do próprio Del-Penho), o surrealista samba-choro “Do Outro Mundo” (Sá Roris e Francisco Fernandes) e o sensível “Saudade em Paz” (parceria do cantor com Délcio Carvalho), entre outros, revelam a intimidade de Del-Penho com o universo do samba.

Mais próximo do choro, o instrumental “Pra Essa Gente Boa” também tem um viés autobiográfico. Do suingado samba-título à “Suíte pra Mari Sambar” (em belo arranjo de Itiberê Zwarg), as 18 composições de Del-Penho são dedicadas a parceiros ou músicos que o influenciaram. Como o nostálgico choro “Memórias de Paulinho da Viola” ou o sincopado samba “Do Bip Bip ao Smalls com a Anat”, com um improviso de clarinete da jazzista Anat Cohen. Mais que uma promissora estreia, os discos de Del-Penho mostram que o samba e o choro continuam atraindo novas gerações.


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 31/10/2015)



Chico Cesar: compositor e cantor aborda sua intimidade, no álbum "Estado de Poesia"

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"Acorda, acordeon, que eu tô sonhando”. O primeiro verso de “Caninana”, um irresistível xote de coloração pop, já antecipa o que vai se ouvir. Em “Estado de Poesia” (lançamento Urban Jungle/Natura), seu primeiro disco de canções inéditas desde 2008, o compositor e cantor Chico César retoma seu ofício artístico, com evidente prazer, depois de passar seis anos atuando como gestor público de cultura na Paraíba, onde nasceu.

Em entrevistas, Chico tem dito que esse CD tem dois lados diversos. Em um deles, o compositor desfia canções que falam de sua intimidade, como “Palavra Mágica”, “Atravessa-me” ou a própria faixa-título, cheias de romantismo. Por outro lado, há canções de viés social, como o reggae “Negão”, que aborda o racismo, ou a indignada “Reis do Agronegócio” (parceria com Carlos Rennó), com certa influência de Bob Dylan. Ainda nessa linha, “No Sumaré”, um samba agridoce ao estilo de Adoniran Barbosa, também denuncia o preconceito. Por essas e outras, Chico César já estava fazendo falta.


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 28/11/2015)



Mario Adnet: maestro carioca exibe seus arranjos para composições de Tom Jobim

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Registro de uma série de concertos por sete capitais brasileiras, em 2013, o DVD “Jobim Jazz - Ao Vivo” é mais um produto da admiração que Mario Adnet tem pela música de Tom Jobim. 

À frente de uma compacta big band, o violonista e maestro carioca exibe seus arranjos para composições instrumentais e menos conhecidas de Jobim, como a lírica “Sue Ann”, a esvoaçante “Antigua” e a sinuosa “Mojave” –- todas elas marcadas pela elegância musical do mestre da bossa nova.

Para não frustrar os mais fanáticos por canções, Adnet também inclui no repertório três clássicos jobinianos: “Derradeira Primavera” (com versos de Vinicius de Moraes), “Por Causa de Você” e “Estrada do Sol” (parcerias com Dolores Duran), que Nana Caymmi canta com a emoção rasgada que identifica suas interpretações. Como bônus, esse DVD traz um breve “making of”, com depoimentos de Adnet, Nana e outros solistas que participaram da turnê. 

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 31/10/2015)
 

'O Piano e a Casa': um panorama da música instrumental brasileira por 9 pianistas

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Gravado ao vivo na Casa do Núcleo (pequeno centro cultural paulistano coordenado pelo músico Benjamim Taubkin), o CD “O Piano e a Casa” reúne performances de pianistas brasileiros de diferentes gerações. Do veterano paulista Amilton Godoy, que relê com sua abordagem jazzística o clássico choro “Odeon” (de Ernesto Nazareth), ao capixaba Hercules Gomes, que encara com classe o encrencado “Duda no Frevo” (Senô), as nove faixas desse álbum compõem um panorama de tendências da música instrumental brasileira de hoje.

Várias peças do repertório são autorais. O título da lírica “Caipira” só engana quem não conhece a refinada concepção musical de Taubkin. A técnica e a bagagem erudita de Heloisa Fernandes transparecem em sua extensa composição “Voo”. O elenco inclui ainda cinco pianistas de alto quilate: Tiago Costa, Karin Fernandes, Júlia Tygel, Zé Godoy e Fábio Torres. E o projeto não parou por aí: gravações de outros 19 pianistas, já realizadas na Casa do Núcleo, devem render novos discos da série a serem lançados pelo selo Núcleo Contemporâneo.

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos Filmes, edição de 31/10/2015) 



Ramsey Lewis: aos 80, pianista estreia em palcos brasileiros, no Gourmet Jazz

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Aos 80 anos, completados no último mês de maio, o pianista e compositor Ramsey Lewis não poderia estar mais satisfeito com os caminhos que seguiu em sua carreira profissional. Com mais de 70 álbuns lançados (“singles” extraídos de três deles ultrapassaram a marca de um milhão de cópias vendidas), esse norte- americano de Chicago continua tocando com frequência em clubes e festivais de jazz pelo mundo. Também já comandou bem-sucedidos programas de rádio e TV.

Não bastasse o fiel fã-clube que o aplaude há décadas, seu prestígio entre os colegas do meio musical é evidente. Num vídeo comemorativo de seu último aniversário, que circula pela internet, Lewis recebe homenagens de grandes astros do jazz, como Herbie Hancock, Quincy Jones, Dianne Reeves e Chick Corea, ou ainda de populares figuras da música negra, como Sharon Jones, Robert Cray e ex-integrantes da banda Earth, Wind & Fire.

“Você deve tocar a música que sai do seu coração. Sempre fiz isso e continuo fazendo até hoje. Isso é algo fundamental para que eu consiga dormir bem à noite. Não tenho do que me arrepender”, disse Lewis em entrevista ao "Valor", por telefone, às vésperas de sua primeira viagem ao Brasil. Vai se apresentar com seu quinteto, no Gourmet Jazz Festival, amanhã (21/11), na estância turística de Águas de São Pedro (SP).

Ao dizer que não se arrepende de nada, ele se refere às críticas que começou a receber em 1965, quando seu álbum “The ‘in’ Crowd” (gravado ao vivo em temporada no clube The Bohemian Caverns, em Washington) extrapolou os círculos dos jazz e atingiu o grande público americano. A contagiante faixa-título, releitura instrumental de um sucesso do cantor de soul Dobie Gray, alçou o Ramsey Lewis Trio às paradas de música pop.

Lewis conta que ainda não conhecia a canção “The ‘in’ Crowd”, quando uma garçonete do Bohemian Caverns lhe sugeriu que a ouvisse lá mesmo, na vitrola do clube. “Achamos que podia ser divertido tocá-la e, após o ensaio, já a incluímos no repertório daquela noite. Quando a tocamos, a plateia quase enlouqueceu: de repente, os caras começaram a balançar os ombros, garotas se levantaram, batendo palmas e dançando. Foi uma grande experiência”, relembra.

Alguns críticos ficaram incomodados ao ouvir Lewis flertar com a música pop. “Eles achavam que o jazz não deveria se afastar dos padrões que Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell haviam estabelecido. Pensavam que o jazz tinha que se manter puro”, comenta o pianista. “Quando todo mundo começou a comprar ‘The ‘in’ Crowd’, esses críticos, que haviam elogiado nossos discos anteriores, disseram que eu tinha me ‘vendido’. Se eu soubesse como fazer aquilo antes, já teria gravado algo semelhante logo no primeiro álbum”, retruca Lewis.

A reação positiva das plateias e a repercussão do álbum estimularam o pianista e seu grupo a seguirem por esse caminho, buscando um jazz mais leve e dançante, marcadamente rítmico. Releituras de sucessos da soul music produzida pela gravadora Motown – como “Dancing in the Street”, de Marvin Gaye, ou “Uptight”, de Stevie Wonder – entraram em discos posteriores de Lewis, ampliando seu contato com plateias não-iniciadas no jazz.

Cinco décadas após seus primeiros sucessos frequentarem as paradas, Lewis diz que ainda não consegue explicar por que algumas de gravações se tornaram tão populares. Mas admite que sua concepção musical, assim como a maneira percussiva de tocar o piano, têm muito a ver com o fato de grande parte sua formação musical ter ocorrido na igreja.

“Comecei a estudar música clássica aos 4 anos, com meus pais. Aos 9, me tornei pianista do coro gospel da igreja, onde toquei até os 16 anos. O jazz só surgiu depois. Aliás, foi um músico da igreja onde eu tocava, Wallace Burton, que me convidou a substituir o pianista de seu grupo de jazz, The Cleffs, e me ensinou bastante”, reconhece. “A influência da música gospel me acompanha até hoje. Tocando na igreja aprendi que o músico está ali para criar uma ligação com a plateia”.

O sucesso mundial da bossa nova, na década de 1960, também despertou a atenção de Lewis para a música brasileira, que passou a fazer parte de seu repertório. Depois de assistir ao filme “Orfeu Negro”, ambientado em uma favela carioca, incluiu no citado álbum “The ‘in’ Crowd” uma releitura instrumental do samba-canção “A Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

“Adoro ouvir música brasileira. Gosto muito dessa fusão de ritmos africanos e europeus, mas, infelizmente, não sei dançar música brasileira”, lamenta o americano, que voltou a gravar “A Felicidade”, em 1967, num medley com “Manhã de Carnaval” e “Samba de Orfeu” – composições de Luiz Bonfá, que também fazem parte da trilha sonora do filme de Marcel Camus.

Já em 2006, quando adaptou com sucesso seu programa de rádio “Legends of Jazz” para a TV, reunindo dezenas de astros do gênero para tocar e conversar, Lewis dedicou um programa da série ao “jazz brasileiro”, representado por Ivan Lins e Oscar Castro-Neves. “Cada gravação desse programa foi um acontecimento memorável. Esse projeto foi um dos grandes prazeres da minha vida”, conclui o veterano jazzista.   


Mais informações no site do festival: www.gourmetjazzfestival.com.br 

(Entrevista publicada no caderno "Eu & Fim de Semana", do jornal "Valor Econômico", em 20/11/2015)



Gourmet Jazz Festival: evento combina música instrumental e gastronomia em SP

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                                                              O pianista Ramsey Lewis (no centro) e seu quinteto

Três jazzistas norte-americanos de renome, oito grupos nacionais (com repertórios que vão da música instrumental brasileira ao jazz contemporâneo) e uma feira de gastronomia. Essas são as atrações da primeira edição do Gourmet Jazz Festival – de 20 a 22 deste mês de novembro, na estância turística de Águas de São Pedro (SP), a 180km da capital paulista.

Pela primeira vez em palcos brasileiros, o veterano pianista norte-americano Ramsey Lewis vendeu milhões de discos a partir de 1965, quando seu álbum “The ‘in’ Crowd” frequentou a parada pop norte-americana – algo raro, tratando-se de um disco de jazz. Com suas releituras de hits da soul music e do pop, passando até pela bossa nova, Lewis prova que o jazz também é capaz de se comunicar com grandes plateias.

Um dos mais brilhantes jazzistas revelados nos anos 1990, o saxofonista James Carter costuma surpreender ouvintes com seus solos explosivos. Na última década, ele encontrou em seu Organ Trio (destaque para o organista e tecladista Gerard Gibbs) um veículo bem versátil para seu repertório eclético, que vai de baladas românticas ao mais contagiante soul-jazz.

Discípulo do genial Dizzy Gillespie, o trompetista Jon Faddis se estabeleceu na cena do jazz como solista de conceituadas big bands, como a Thad Jones/Mel Lewis Orchestra e a Carnegie Hall Jazz Orchestra. No quarteto que o acompanha, o pianista David Hazeltine também chamará a atenção de muita gente.

Entre as atrações brasileiras, a programação do evento destaca o Trio Corrente, formado pelos talentosos Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (contrabaixo) e Edu Ribeiro (bateria). Quem já conhecia as originais releituras do trio para clássicos da MPB e do choro, sabe que o prêmio Grammy conquistado em parceria com o cubano Paquito D’Rivera, em 2013, não foi por acaso.

O elenco nacional inclui ainda o duo do saxofonista Roberto Sion com o baixista Itamar Collaço, os trios do pianista Hercules Gomes e do guitarrista Daniel Oliva, o sexteto do saxofonista Marcelo Monteiro, o quinteto da pianista Louise Woolley, o grupo do guitarrista Daniel Daibem e a Traditional Jazz Band, que encerra o festival, no domingo.


Detalhe importante: os ingressos para os shows de James Carter e Trio Corrente (no dia 20/11), assim como para as apresentações de Ramsey Lewis e Daniel Daibem (dia 21/11), são exclusivos para hóspedes do Grande Hotel São Pedro, onde estará um dos palcos do festival. Reservas: www.grandehotelsenac.com.br/br/sao-pedro ou pelo tel. 0800 7700 790.

Já os shows dos outros artistas, no Centro de Convenções Municipal, serão gratuitos. Para conseguir ingressos é preciso se cadastrar no site do evento: www.gourmetjazzfestival.com.br/ingressos 

 
No sábado (21/10), o festival também oferece a Feira Gastronômica, no Boulevard Águas de São Pedro. Restaurantes da cidade, em parceria com professores e alunos do Centro Universitário SENAC, desenvolveram dez pratos especialmente para os frequentadores desse evento.

Veja a programação dos shows e outras informações no site do festival: www.gourmetjazzfestival.com.br 


 

 

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