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Savassi Festival 2017: evento mantém relação orgânica com a cena instrumental mineira

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                                             A cantora Rosa Passos, que vai interpretar canções de Tom Jobim

Vários festivais de jazz e música instrumental deixaram de acontecer neste ano graças à crise econômica que abateu o país. Já o Savassi Festival, que começa nesta sexta feira (18/8), em Belo Horizonte (MG), segue firme e forte. Essa resiliência é fácil de ser explicada. Diferentemente de outros eventos do gênero, que apostam em vistosas atrações internacionais para atrair turistas, o já tradicional festival mineiro tem desenvolvido uma relação orgânica com sua plateia e os músicos locais.

A 15ª edição do Savassi Festival vai oferecer 45 shows, em 15 palcos diferentes, além workshops, debates, concursos e lançamentos de discos. Entre as atrações escaladas para o primeiro final de semana de programação, na capital mineira, destacam-se o show da cantora Rosa Passos, que interpreta canções de Tom Jobim (em 19/8), e o concerto do acordeonista Célio Balona, vencedor do Prêmio Mastermaq Jazz de Minas, com a Orquestra de Câmara Sesiminas (18/8).

Experiência que deu certo em edições anteriores, o palco Jazzinho volta com dois shows  dirigidos ao público infantil (dia 20/8): “Moacir de Todos os Santos”, com o quinteto paulista Quartabê, interpretando composições do maestro pernambucano Moacir Santos; e “Beatles para os Pequenos”, com o grupo do pianista Cliff Korman.

Outro destaque, já na segunda semana de programação, é a noite dedicada ao jazz de Israel, com o quarteto do saxofonista Oded Tzur e o trio do pianista Shai Maestro (em 25/8). Como é de hábito nesse festival, outros músicos estrangeiros vão exibir projetos desenvolvidos em parceria com instrumentistas locais –- neste ano serão o violonista espanhol Julio Ramirez (22/8), o vibrafonista português Eduardo Cadinho (23/8; na foto abaixo) e o pianista israelense Guy Mintus (24/8). 


A criativa cena da música instrumental de Minas Gerais também está bem representada na programação. Além dos shows dos grupos Jamba Trio e Vibrafônico Jazz Quarteto, o projeto Música Nova reúne compositores que vão exibir obras inéditas: a pianista Luisa Mitre (20/8), o vibrafonista Fred Selva (21/8), o pianista Rafael Martini (23/8) e a cantora Juliana Perdigão (24/8).

Outros talentos locais vão lançar discos durante o festival, como o violonista Alexandre Andrés (24/8), o percussionista Serginho Silva (23/8), e o quinteto Semreceita (19/8). Já o programa Mulheres Criando Música Instrumental destaca as apresentações da pianista Eloá Gonçalves e da violonista Kalu Coelho.

No dia 25/8 também será realizada a mesa redonda “Fazendo festivais: identidade e curadoria”. Para debater esse tema, foram convidados Carlos Badia (produtor do Poa Jazz Festival), Daniel Nogueira (produtor do Sampa Jazz Fest) e Pedro Albuquerque (curador do Brasil Jazz Fest), com mediação de Bruno Golgher, produtor do Savassi Festival.

Como em anos anteriores, a programação do festival se estende à cidade do Rio de Janeiro, nos dias 24 e 25/8, com destaque para shows do duo dos pianistas Gilson Peranzzetta e Cliff Korman, do acordeonista Alessandro “Bebê” Kramer com o gaitista Gabriel Rossi, do violonista Zé Paulo Becker e dos jazzistas israelenses Shai Maestro e Oded Tzur. 


Veja a programação completa no site do Savassi Festival 

Funarte Musical: programação especial comemora 40 anos da Sala Guiomar Novaes

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                                                 A banda paulistana Isca de Polícia abre série de shows na Funarte SP

Quem acompanhou a cena musical de São Paulo durante os anos 1980 e 1990 sabe que a Sala Guiomar Novaes desempenhou um importante papel de apoio às novas tendências musicais. Foi nesse palco do complexo cultural da Funarte que artistas da geração conhecida como “vanguarda paulista” – Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e os grupos Rumo, Premê e Língua de Trapo, entre outros – consolidaram suas carreiras musicais.

Comemorando 40 anos de atividades em 2017, a Funarte paulista vai exibir durante este semestre uma série especial de shows de música popular e concertos de música erudita, sempre aos sábados. Entre as atrações programadas estarão artistas que fazem parte da história da Sala Guiomar Novaes e destaques de gerações mais recentes.

A série Funarte Musical 2017 começa no dia 26/8, com o show da Isca de Polícia. A banda paulistana que acompanhava o compositor Itamar Assumpção (1949-2003) acaba de retornar aos palcos para lançar “Isca - Volume 1”, primeiro disco sem a presença de seu inspirador. O projeto inclui no repertório canções de Tom Zé, Zeca Baleiro e Arnaldo Antunes.

O mês de setembro trará uma programação bem eclética. Ex-integrante da banda de Arrigo Barnabé, o trombonista e compositor Bocato exibe fusões de jazz e música brasileira com seu grupo (em 2/9). Na semana seguinte (9/9), o quinteto de clarinetes Sujeito a Guincho mostra que não acredita em fronteiras musicais, misturando choros, sambas e peças da tradição clássica.

A cantora Ná Ozzetti e o compositor e violonista Luiz Tatit relembram divertidas pérolas do repertório do grupo Rumo (em 16/9), além de mostrar canções de fases mais recentes de suas carreiras. No sábado seguinte (23/9), o acordeonista Toninho Ferragutti, que acaba de ser eleito melhor instrumentista do ano pelo Prêmio da Música Brasileira, toca clássicos da música caipira, em duo com o violeiro Neymar Dias.

A programação de setembro termina com o show da banda Quartabê (30/9). Revelação recente da música instrumental brasileira, esse quinteto já gravou dois discos com releituras da obra do maestro e compositor pernambucano Moacir Santos (1926-2006). 



Os shows na Sala Guiomar Novaes incluem também, até dezembro, outros destaques do cenário musical paulistano, como a cantora Fabiana Cozza (28/10), o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo (4/11), a dupla Os Mulheres Negras (18/11; à esquerda, André Abujamra e Maurício Pereira, em foto de Gal Oppido) e a cantora Anelis Assumpção (2/12), além de um espetáculo especial para o público infantil com o grupo Manuí (7/10).

Os apreciadores da música clássica não foram esquecidos na programação do Funarte Musical, que inclui concertos do oboísta Alexandre Ficarelli com o violoncelista Raiff Dantas Barreto (14/10), da pianista Luciana Sayuri (21/10), do trio do pianista Gilberto Tinetti com o clarinetista Luis Montanha e o violoncelista Robert Suetholz (11/11). E ainda um concerto de percussão comandado pelo maestro Ricardo Bologna (25/11).

Feita em parceria com a equipe da Funarte SP, a curadoria da série Funarte Musical 2017 leva as assinaturas do
músico e professor Robert Suetholz e deste jornalista musical, que desde os anos 1980 frequentou bastante a plateia da Sala Guiomar Novaes.

Onde: Sala Guiomar Novaes, na Funarte (Al. Nothmann, 1058, tel. 3662-5177, Campos Elíseos, São Paulo)
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 











Quartabê: quinteto paulistano relê obra de Moacir Santos com muita liberdade

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Um quinteto que destaca quatro garotas instrumentistas já é algo raro nos meios da música brasileira, mas o que mais chama atenção no grupo Quartabê é sua atitude criativa. Joana Queiroz (sax tenor e clarinete), Maria Bastos (clarinete e clarone), Mariá Portugal (bateria), Ana Sebastião (baixo) e Chicão (piano e teclados) relêem composições do cultuado maestro pernambucano Moacir Santos (1926-2006) com muita liberdade, sem medo de imprimir nelas diversas referências, do jazz de vanguarda ao pop.

O primeiro álbum do grupo, "Lição #1 Moacir” (lançamento independente), não tem nada a ver com “songbooks” ou tributos musicais cheios de reverências. A releitura da popular “Nanã - Coisa #5”, por exemplo, inclui um estridente solo de teclado e improvisos coletivos. Na encantadora “Suk-chá”, o arranjo usa palmas e vocais para hipnotizar o ouvinte e, quando este pensa que a faixa acabou, vem uma seção mais intensa. Aliás, surpresas não faltam no álbum de estreia desse quinteto, que por si só já é uma surpresa promissora. 

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 19/12/2015)




 

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