Difícil não comparar este projeto ao de Luciana Souza, paulistana radicada nos EUA, que também lançou um tributo a Baker, no ano passado. Diferentemente de Luciana, que recriou com personalidade a atmosfera melancólica das gravações de Chet em seus últimos anos, Eliane parece ter se inspirado mais na fase inicial desse jazzista.
Eliane Elias: em tributo a Chet Baker, pianista e cantora aproxima-o da bossa nova
Marcadores: chet baker, cool, diana krall, eliane elias, jazz, Luciana Souza, nat king cole | author: Carlos CaladoDifícil não comparar este projeto ao de Luciana Souza, paulistana radicada nos EUA, que também lançou um tributo a Baker, no ano passado. Diferentemente de Luciana, que recriou com personalidade a atmosfera melancólica das gravações de Chet em seus últimos anos, Eliane parece ter se inspirado mais na fase inicial desse jazzista.
"Confesso que Ouvi": livro de Érico Cordeiro traça perfis de dezenas de jazzistas
Marcadores: bebop, charles mingus, cool, dizzy gillespie, Érico Cordeiro, hard bop, jazz, joe gordon, jutta hipp, Lester Young, lucky thompson | author: Carlos CaladoGrande parte dos jazzistas retratados na obra pertence às brilhantes gerações que, nas décadas de 1940 e 1950, cultivaram o bebop, o cool jazz e o hard bop – escolha que revela as preferências musicais do autor. Nesses textos, publicados previamente em seu blog Jazz + Bossa + Baratos Outros, Cordeiro combina, com o devido equilíbrio, informações biográficas e resenhas de gravações dos músicos focalizados. As frequentes referências cinematográficas e literárias indicam que a erudição do autor não se limita ao universo do jazz.
Para obter o livro de Érico Cordeiro acesse seu blog: www.ericocordeiro.blogspot.com
40.º New Orleans Jazz & Heritage Festival: tributo ao cinquentenário de "Kind of Blue"
Marcadores: blues, cool, jazz, jimmy cobb, kind of blue, miles davis, new orleans | author: Carlos Calado
Minutos antes, na platéia, ou mesmo entre os fotógrafos à frente do palco, era possível sentir que algo especial estava por acontecer. Festejando sua 40ª edição, o New Orleans Jazz & Heritage Festival também comemorou, no último sábado, os 50 anos da gravação do cultuado álbum “Kind of Blue”, obra-prima do jazzista Miles Davis.
Compenetrado, como se estivesse numa missão mística, o baterista Jimmy Cobb, 80, único remanescente do grupo que participou das gravações com Davis, não se dirigiu à platéia uma única vez. Com a atenção focada na música, comandou seu sexteto formado por feras da cena jazzística nova-iorquina com segurança e sutileza.
Sem a intenção de reproduzir nota por nota as cinco faixas do álbum (algo impensável para um gênero que tem a improvisação como essência), o sexteto resgatou com brilho a atmosfera etérea das gravações. O roteiro do concerto não poderia ser diferente: as cinco composições são tocadas, ou melhor, improvisadas, na mesma ordem do álbum.
Assobios, gritos e palmas se misturaram, assim que as primeiras notas do tema de “So What” (tocado em andamento mais rápido), foram reconhecidas pelos fãs. Depois vieram o saboroso blues “Freddie Freeloader”, a melancólica balada “Blue in Green”, o valsante “All Blues” (aplaudido de pé) e a nostálgica composição “Flamenco Sketches”.
Usando um modelito que remetia ao visual extravagante de Davis, o trompetista Wallace Roney lembra, em seus solos, o estilo cool do mestre, sem decalcá-lo. Também é possível sentir traços das influências de John Coltrane e Cannonball Adderley, nos improvisos dos saxofonistas Javon Jackson e Vincent Herring, respectivamente.
Sem o mesmo clima emotivo das edições anteriores (o que mostra que Nova Orleans já assimilou a tragédia provocada pelo furacão Katrina), mais uma vez o festival se valeu de figurões da música pop. Os shows de Bon Jovi e Kings of Leon, no sábado, contribuíram para que o evento tenha voltado a repetir as multidões dos anos pré-Katrina.
(reportagem publicada na “Folha de S. Paulo”, em 5/05/2009; cobertura realizada a convite do Bourbon Street Music Club e do festival Bridgestone Music)

