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Sesc Jazz: trompetista Charles Tolliver cultiva legado musical do bebop e do hard bop

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A boina preta, em estilo militar europeu, é sugestiva. O trompetista e compositor norte-americano Charles Tolliver nem precisa tocar uma nota para que sua afinidade musical com a revolucionária geração do bebop (responsável pela introdução do jazz em sua fase moderna) seja notada por quem o vê entrar no palco. A semelhança com as boinas que Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros beboppers usavam no final dos anos 1940 não é gratuita.

Atração da quarta noite do festival Sesc Jazz, Tolliver e seu afiado quinteto cativaram a atenção da plateia paulistana que foi à comedoria do Sesc Pompeia, na noite de sexta-feira (17/8). Quem está acostumado aos shows dançantes, que são realizados com frequência nesse espaço, encontrou uma atmosfera mais adequada à música que iria ouvir: a iluminação nebulosa e as mesas instaladas à frente do palco permitiram que a plateia pudesse se sentir em um clube de jazz.

De uma geração musical posterior à de seus ídolos do bebop, o autodidata Tolliver (hoje com 76 anos) ainda teve tempo para tocar e gravar com alguns deles, como o grande baterista Max Roach ou o saxofonista Jackie McLean, na década de 1960. Precoce, aos 17 anos já participava de jam sessions, em clubes do Harlem, o mítico bairro negro de Nova York.

O conhecimento musical e a experiência que acumulou ao longo de seis décadas de carreira profissional se refletem no som denso e compacto de seu quinteto. Além do guitarrista Bruce Edwards, do contrabaixista Devin Starks e do baterista Darrell Green, ótimos músicos que já o acompanham há alguns anos, conta ainda com o talento do pianista Keith Brown.

Tolliver abriu o show com dois temas curtos e rítmicos, característicos do efervescente hard bop dos anos 1950 e 1960, acompanhados por longos improvisos dos músicos do grupo. Nos solos, suas frases também são breves e bem acentuadas, com células melódicas que, repetidas por diversas vezes, levam a um enérgico crescendo.

Numa das poucas vezes em que se dirigiu à plateia, com seu vozeirão rouco, o trompetista provocou risadas. Ao introduzir sua composição “Emperor March”, inspirada pelo popular documentário “A Marcha dos Pinguins”, não só fez questão de esboçar uma sinopse do filme, como imitou um desengonçado pinguim. Mais engraçado, no entanto, é o fato de que, se não tivesse feito essa referência, ninguém poderia imaginar que o contagiante tema que tocou – na linha do soul-jazz dos anos 1960 – teria algo a ver com o filme.

Quando repete em entrevistas que costuma evitar os caminhos musicais mais fáceis, Tolliver não está fazendo jogo de cena: isso é evidente em seus solos. No entanto, nem essa vontade constante de inovar pode justificar a infeliz releitura de “Round Midnight” que tocou quase ao final do show – capaz de fazer Thelonious Monk, seu autor, revirar-se no túmulo. Desfigurar a melodia de uma das baladas mais belas de todos os tempos, e ainda acelerar seu andamento, jamais será uma boa ideia para um arranjo dessa composição. Porém, como errar é humano, melhor esquecermos esse deslize eventual e ficarmos com a memória dos excitantes temas e improvisos que Tolliver e seu quinteto já tinham apresentado.


(Resenha escrita a convite da produção do festival Sesc Jazz. Leia outras críticas de shows desse evento, no site do Sesc SP: https://www.sescsp.org.br/online/revistas/tag/12411_CRITICAS+SESC+JAZZ)


Jazz: um curso sobre a história desse gênero musical e a cena atual

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Jamais se viu tantos festivais de jazz e música instrumental no Brasil, como nos últimos anos. Um fato, aliás, que também vem sendo detectado em outros países e continentes, a exemplo do que já acontece há décadas nos Estados Unidos e na Europa.

Esse fenômeno musical será um dos itens abordados no curso “Jazz: Uma Introdução à Grande Arte do Improviso”, que vou ministrar durante quatro segundas-feiras deste mês de novembro (dias 9, 16, 23 e 30, das 16h às 18h), no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo.

Gravações originais e vídeos de festivais e concertos de jazz vão servir de referências para a conversa, dirigida a qualquer interessado por esse gênero musical, tanto um ouvinte como um músico. Para se inscrever não é necessário ter cursado escola de música, nem saber tocar qualquer instrumento.

Além de traçar um abrangente panorama da história do jazz, com ênfase em seus músicos e vertentes principais, vou dedicar bastante espaço à globalizada cena atual desse gênero, destacando instrumentistas, compositores e cantores que têm contribuído para revigorar essa arte musical, nos mais diversos países.

Naturalmente, também vou abordar a moderna música instrumental brasileira, influenciada em maior ou menor medida pela linguagem jazzística, que hoje vive uma fase de grande produção e não deve nada, em termos de qualidade e criatividade, ao jazz norte-americano.

Mais informações pelos telefones (11) 3123-5213 e 3123-5214 ou no site do Centro Universitário Maria Antonia: 

http://mariantonia.prceu.usp.br/?q=encontros/jazz-uma-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-grande-arte-do-improviso

"Confesso que Ouvi": livro de Érico Cordeiro traça perfis de dezenas de jazzistas

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O livro “Confesso que Ouvi” (Editora Azulejo), do maranhense Érico Renato Serra Cordeiro, enriquece a ainda reduzida bibliografia sobre o jazz em língua portuguesa. Com um texto conciso e elegante, o autor traça perfis de quase 70 jazzistas, de mestres do gênero, como Charles Mingus, Dizzy Gillespie e Lester Young, a instrumentistas menos conhecidos do grande público, como o saxofonista Lucky Thompson, o trompetista Joe Gordon ou a pianista alemã Jutta Hipp.

Grande parte dos jazzistas retratados na obra pertence às brilhantes gerações que, nas décadas de 1940 e 1950, cultivaram o bebop, o cool jazz e o hard bop – escolha que revela as preferências musicais do autor. Nesses textos, publicados previamente em seu blog Jazz + Bossa + Baratos Outros, Cordeiro combina, com o devido equilíbrio, informações biográficas e resenhas de gravações dos músicos focalizados. As frequentes referências cinematográficas e literárias indicam que a erudição do autor não se limita ao universo do jazz.


Para obter o livro de Érico Cordeiro acesse seu blog: www.ericocordeiro.blogspot.com




John Coltrane: compilação retrata saxofonista e gênio do jazz quando jovem

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 Retrato de um gênio do jazz quando jovem. Este seria um título bem adequado para "Best of the Bethlehem Sessions" (Warner), compilação de gravações de John Coltrane (o saxofonista mais influente dos últimos 50 anos), na fase em que ele ainda fazia papel de acompanhante. As 10 faixas saíram de sessões de estúdio do final de 1957, poucos meses depois de Coltrane ter lançado o primeiro disco como líder.

Ao lado de outras feras da geração hard bop, como o trompetista Donald Byrd e os bateristas Art Blakey e Philly Joe Jones, o jovem Coltrane já esboçava aqui o estilo intenso e encantatório que se consolidou posteriormente. Seus improvisos nas faixas “Tippin’” e “Pristine” já antecipam a sacada de sobrepor rápidos harpejos de outros acordes aos da harmonia original do tema, criando texturas sonoras que ficaram conhecidas como “sheets of sound”. Já a romântica balada “The Kiss of No Return” soa bem aquém das sublimes interpretações do álbum “Ballads” (1962), uma das obras-primas do maduro Coltrane.

(resenha publicada originalmente no "Guia da Folha - Livros, Discos e Filmes, em 27/08/2010) 

Art Blakey: o jazz moderno do grande baterista e descobridor de talentos

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Gravado ao vivo na Suíça, em 1960, o CD "Art Blakey's Jazz Messengers" (lançamento Biscoito Fino)
é uma amostra do que se produziu de melhor no jazz moderno durante grande parte dos anos 1950. Traz um concerto liderado pelo baterista norte-americano Art Blakey (1919-1990), brilhante lider e descobridor de talentos, que tinha então a seu lado os jovens Wayne Shorter (sax tenor), Lee Morgan (trompete) e Bobby Timmons (piano), além do já experiente baixista Jymie Merritt.

Temas hoje considerados clássicos do gênero, como o blues “Now’s the Time” (de Charlie Parker) ou o soul-jazz “Dat Dere” (de Timmons), além de composições originais dos outros integrantes do quinteto, são tocados e improvisados aqui com a intensidade sonora e o tom visceral que o chamado cool jazz quase enterrara na primeira metade da década de 1950. Era o hard bop exercitando sua "volta às raízes", ou melhor, ao blues e ao gospel.

(resenha publicada no Guia da Folha - "Livros, Discos e Filmes", em 25/06/2010)




 

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