Amazonas Green Jazz Festival: um espaço para mergulhar na música instrumental

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Um dos grandes festivais de jazz e música instrumental de nosso país, que mais enfatizam a educação musical e a formação de público, o Amazonas Green Jazz Festival criou para a edição deste ano o projeto Casa do Jazz. Esse espaço cultural estará aberto ao público da cidade de Manaus até este sábado (30/7), das 9h às 21h.

Com acesso gratuito, a Casa do Jazz fica ao lado do lendário Teatro Amazonas, no centro da capital amazonense. Ao entrar na primeira sala da exposição, o visitante já é apresentado a alguns dos instrumentos mais característicos desse gênero musical, como o saxofone, o trompete ou o trombone. Na sala Faça o Seu Som, os mais animados podem até se relacionar com alguns instrumentos.

A Casa do Jazz também oferece um espaço em que se pode circular pela réplica de um típico clube de jazz de Nova York. Os visitantes têm ainda a oportunidade de ampliar seus conhecimentos musicais, em uma sala dedicada às preciosidades sonoras de dois dos mais cultuados músicos do jazz moderno: o trompetista Miles Davis e o saxofonista John Coltrane, ambos também compositores.

Outro jazzista homenageado é o pianista e compositor Chick Corea, cuja música criativa serviu de inspiração para uma instalação de artes plásticas. “Queremos que os visitantes se sintam imersos no mundo do jazz”, diz Inês Daou, produtora do Amazonas Green Jazz Festival, que coordenou esse projeto.  


Amazonas Green Jazz: festival de Manaus volta rebatizado ao seu palco

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                  O centenário Teatro Amazonas, palco do Amazonas Green Jazz Festival / Foto: Divulgação

Após um hiato de dois anos provocado pela pandemia, o Festival Amazonas Jazz – um dos mais conceituados eventos do gênero em nosso país – retorna ao palco do centenário Teatro Amazonas, em Manaus, de 22 a 30 deste mês de julho. Rebatizado de Amazonas Green Jazz Festival, o evento entra em nova fase, mas mantém sua essência e a direção artística do maestro Rui Carvalho, que o coordena desde sua primeira edição, em 2006.

Segundo Carvalho, o Amazonas Green Jazz tem dois eixos fundamentais. “Além dos concertos realizados no Teatro Amazonas, que buscam a formação de uma plateia para esse gênero musical em Manaus, o festival também contribui para a sedimentação do conhecimento através de uma enorme e variada gama de workshops e palestras totalmente gratuitos e abertos a todos”, explica o maestro.

Os pianistas Aaron Parks, Edsel Gomez e Amilton Godoy, os trompetistas Randy Brecker, Keyon Harrold e Ed Sarath, o trombonista John Fedchock, o baterista Jeff “Tain” Watts, a cantora Leila Pinheiro, o Trio Corrente e o duo Gilson Peranzzetta e Mauro Senise se destacam no elenco desta edição. A programação também inclui três concertos da Amazonas Band, big band regida pelo maestro Rui Carvalho, com diferentes repertórios.

Num total de 24 eventos didáticos, os workshops e palestras oferecidos gratuitamente pelo festival são dirigidos a músicos profissionais, entusiastas e estudantes de música, dança e outras áreas culturais. Na abertura dessa extensa programação, dia 22/7, o pianista e compositor Edsel Gomez ministra workshop sobre o Latin Jazz.

No dia seguinte, Mauricio Zottareli, baterista brasileiro radicado em Nova York, comanda um workshop sobre bateria e lança seu livro “AM Jazz Drumming”. O saxofonista e pesquisador Marcelo Coelho vai conduzir dois eventos: o workshop Rap e Jazz (em 23/7) e a palestra “Economia Criativa e Mercado Musical” (25/7). Já em 28/7, vou ministrar a palestra "A Explosão dos Festivais de Jazz", esboço do livro homônimo que estou escrevendo para a Sesc Edições.

Venda de ingressos para os concertos do festival e a programação completa de workshops e palestras você encontra no site oficial do festival:
www.amazonasgreenjazzfestival.com.br

 




 

Leila Maria: cantora recria pérolas de Djavan com sonoridades e ritmos africanos

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                                                                                A cantora carioca Leila Maria, no show "Ubuntu"
 

Não é comum se ver uma cantora tão talentosa e experiente, como Leila Maria, lançar seu disco mais criativo e elogiado, depois de quatro décadas de carreira em relativo “low profile”. Chega a ser irônico o fato de que, para desfrutar do reconhecimento que finalmente conseguiu entre o grande público, Leila precisou participar do controverso programa “The Voice+”, em 2021.

Nesse “concurso de talentos” produzido pela TV Globo, cantores mais jovens no papel de jurados tinham muito a aprender com os veteranos candidatos, cujas apresentações eram comentadas com platitudes e expressões de surpresa. Alguns jurados chegavam até a demonstrar um certo constrangimento, talvez por não terem uma noção prévia da alta qualidade de muitos concorrentes do programa, que hoje não encontram um lugar no viciado mercado musical.

O sorriso de Leila Maria, ao estrear o show “Ubuntu” – na gelada noite do último sábado (18/6), na Casa Natura Musical, em São Paulo – era contagiante e revelador. “É uma delícia cantar Djavan”, festejou a cantora carioca já no meio do espetáculo, irradiando alegria, consciente de que o sexto álbum de sua carreira é muito mais do que uma coleção de releituras de pérolas do popular compositor e cantor alagoano. É sua indiscutível obra-prima.

Graças à ideia inicial de Ana Basbaum (diretora artística da gravadora Biscoito Fino) e ao trabalho do produtor e percussionista Guilherme Kastrup, a grande sacada conceitual desse álbum foi ter buscado e enfatizado o que há de africano, no cancioneiro de Djavan.

Com sua referência à abominável política separatista do apartheid, na África do Sul, a releitura da canção “Soweto” é um dançante e evidente ponto de partida. O arranjo destaca a contagiante guitarra de Zola Star, congolês-angolano radicado no Rio, que acompanha Leila durante quase todo o show, no quarteto que inclui Rodrigo Braga (teclados), François Moleka (baixo) e o próprio produtor Guilherme Kastrup (percussão).

É surpreendente se ouvir uma canção tão conhecida de Djavan, como a romântica “Meu Bem Querer”, embalada por um sexteto vocal tipicamente africano, o Kuimba, formado por jovens angolanos que vivem no periférico bairro paulistano de Capão Redondo. Inusitado também é o arranjo que une os sambas “Aquele Um” e “Fato Consumado”, vestidos com guitarra e um naipe de metais de coloração africana.

Quem já apreciava os trabalhos de Leila mais ligados ao jazz, gênero que quase sempre a identificou como intérprete, não saiu decepcionado do show. Além de cantar as nove faixas do álbum “Ubuntu”, ela fez questão de incluir no roteiro algumas versões jazzísticas de “standards” da canção norte-americana, como “Night and Day” (Cole Porter) e “Summertime” (dos irmãos Gershwin). E ainda cantou a sinuosa “Night in Tunisia” (de Dizzy Gillespie e Frank Paparelli), uma preciosidade do bebop.

Se você vive em São Paulo e perdeu essa chance de ouvir Leila Maria e suas inventivas releituras de Djavan com ritmos e sonoridades africanas, fique de olho na programação de julho. A cantora tem planos de levar “Ubuntu” ao Sesc Pompeia, em data que deve ser anunciada em breve. Um show brilhante, com grandes chances de estar nas listas de melhores do ano.


Brasil Jazz Sinfônica: orquestra relê o 'Hino da Independência' usando ruídos

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                                    O naipe de trompetes da orquestra Brasil Jazz Sinfônica / Foto de divulgação
                                      

Não costumo me emocionar com hinos patrióticos e sei que essa relação distante não tem a ver somente com gosto musical. Cresci durante os anos do regime militar decretado em 1964 e me lembro bem o quanto me desagradava, na escola primária e durante os anos do ensino básico, ser obrigado a cantarolar, perfilado e com a mão direita no peito, o “Hino Nacional” ou o “Hino à Bandeira”.

Assim como outros símbolos cívicos, os hinos, bandeiras e o “patriotismo” oficial são utilizados pelas ditaduras para tirar proveito político do natural sentimento de identidade que um povo tem com seu país. Não foi diferente nos anos de chumbo que vivemos até o restabelecimento da democracia, em 1989, com o retorno das eleições diretas.

Por isso me surpreendi, ao ver durante a programação da TV Cultura o vídeo em que a Brasil Jazz Sinfônica relê com criatividade o “Hino da Independência”, para festejar a restauração do Museu do Ipiranga, no próximo 7 de Setembro.

No inventivo arranjo do maestro Ruriá Duprat, ruídos de martelos, pás, lixas, furadeiras, plainas elétricas e outras ferramentas utilizadas pelos trabalhadores que reformaram o museu paulista fundem-se aos sons dos instrumentos da orquestra.

Parabéns à TV Cultura, à Brasil Jazz Sinfônica, ao maestro e arranjador Ruriá Duprat e à equipe de Jarbas Agnelli, que assina a direção do vídeo. Tomara que essa emocionante peça audiovisual se torne símbolo de um novo tempo para este país, que precisa urgentemente ser reconstruído a partir das eleições de outubro. Ditadura nunca mais!

Assista ao vídeo da Brasil Jazz Sinfônica neste link: https://www.youtube.com/watch?v=MG_dHIHdz98


Homenagem a Aldir Blanc: João Bosco, Guinga e Banda Mantiqueira em encontro histórico

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                                                        João Bosco, Nailor Proveta e Guinga, no show dedicado a Aldir Blanc 
 

Quem teve a sorte de assistir a algum dos quatro shows dedicados ao grande letrista e escritor Aldir Blanc (1946-2020), com a Banda Mantiqueira, João Bosco e Guinga, neste final de semana, sabe que presenciou um encontro histórico. A última dessas disputadas apresentações, com ingressos já esgotados, será hoje, no teatro do Sesc 24 de Maio, em São Paulo, como parte da programação da Virada Cultural.

“Obrigado, nós somos brasileiros por causa de vocês”, agradeceu emocionado Nailor Proveta, clarinetista e diretor musical da Mantiqueira, falando também em nome dos fãs desses três gigantes da música popular brasileira, no show de sexta-feira (27/5).

É bem provável que a homenagem teria agradado ao irreverente Aldir. Em vez de discursos solenes, o bom humor prevaleceu em vários momentos, especialmente nos divertidos causos contados por seus parceiros. João Bosco relembrou que, no primeiro encontro oficial do então cirurgião-dentista Guinga com o letrista e ex-psiquiatra Aldir, este perguntou se iriam dividir um consultório ou iniciar uma parceria musical.

Guinga não deixou por menos. Bastante emocionado também, disse que não aceita a ideia da morte de Aldir, porque sua obra grandiosa ficará para sempre. E depois de afirmar que não gosta de ir a enterros, confessou que vai tentar fugir de seu próprio funeral.

Foram duas horas de muita emoção, risos e canções sublimes, como “Baião de Lacan”, “Chá de Panela” e “Catavento e Girassol” (parcerias de Aldir com Guinga), assim como “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”, “Nação” e “Da África à Sapucaí” (parcerias de Aldir com João Bosco). Sem falar nos sensacionais arranjos da Mantiqueira – que está festejando seus 30 anos – para clássicos como “Incompatibilidade de Gênios” ou “Bala com Bala”.

Uma noite inesquecível. Viva Aldir, João Bosco, Guinga e a Banda Mantiqueira!






Pedro Gomes e Pipoquinha: Instrumental Sesc Brasil reúne craques do baixo

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                             Pedro Gomes e Michael Pipoquinha, em show do projeto Instrumental Sesc Brasil

Não é qualquer músico que teria a generosidade de convidar um colega (que poderia ser encarado como concorrente), para participar de seu show. Foi o que se viu ontem (10/5) na bela apresentação do baixista e compositor mineiro Pedro Gomes, que contou com a participação especial de outro jovem músico: o cearense Michael Pipoquinha, revelação na área da música instrumental, que tem colecionado elogios por onde toca seu baixo elétrico de seis cordas.

Um dos vencedores do Prêmio BDMG Instrumental 2021, Pedro veio acompanhado por um talentoso sexteto para sua estreia em São Paulo, em show da série Instrumental Sesc Brasil, no teatro do Sesc Consolação. São estes os seus atuais parceiros: Breno Mendonça (sax tenor e soprano), João Machala (trombone), Samy Erick (guitarra), Lucas de Moro (piano e teclado) e Paulo Fróis (bateria).

Num ato falho revelador, Pedro se referiu a algumas de suas composições instrumentais como “canções”, mas depois se corrigiu. No entanto, a evidente beleza das melodias de “Delicadeza” ou “Mosaico”, entre outros de seus temas autorais, certamente pode resultar em canções muito atraentes, se um dia ganharem versos escritos por um bom letrista.

“É incrível ver esse cara tocar”, elogiou Pedro, ao chamar Pipoquinha ao palco. Os olhares e sorrisos que os dois trocaram durante os improvisos confirmaram a admiração musical que um tem pelo outro. Se você não estava na plateia desse show, ontem, ainda pode assisti-lo no canal do Sesc no YouTube: youtube.com/instrumentalsescbrasil




 

Choraço: noite de maioria feminina trouxe Maria Alcina e choros atrevidos

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                         As cantoras Patricia Bastos, Rita Braga e Maria Alcina, em show do projeto Choraço  

Com bom humor e toques teatrais, o show “Se Me Deixam Chorar: A Era do Choro Atrevido” levou imagens raras ao palco do Sesc 24 de Maio, ontem (8/5), em São Paulo. Ao contrário do que ainda se costuma ver em shows, sejam de samba, de MPB, de rock ou de jazz, as mulheres, tanto cantoras, como instrumentistas, eram absoluta maioria no elenco musical dessa noite do projeto Choraço.

Rita Braga e suas convidadas especiais, Maria Alcina e Patrícia Bastos, cantaram saborosos choros, como “Yaô” (de Pixinguinha”), “Tico-Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu), “Apanhei um Resfriado” (Leonel Azevedo e Sá Roris) e “Choro Inconsequente” (Raul Seixas), que provocaram sorrisos e ganharam apoio vocal da plateia.

Ao ver Maria Alcina entrar no palco, me veio a lembrança da incrível performance dessa corajosa cantora, em 1972, no Festival Internacional da Canção. No auge da ditadura militar, ela desafiou a censura e a repressão desencadeados pelo golpe de 1964, com uma dança provocativa e seu vozeirão (ainda poderoso 50 anos depois), ao interpretar “Fio Maravilha”, de Jorge Ben. E por isso foi perseguida e censurada. Qualquer semelhança com certos absurdos atuais, vale lembrar, não é mera coincidência. Salve a grande Maria Alcina!

Muito especial também foi a participação da pianista Heloísa Fernandes, que fez a plateia segurar o fôlego ao ouvir sua inventiva releitura do clássico “Chorinho Pra Ele”, do mestre Hermeto Pascoal. O elenco de convidadas trouxe ainda o quarteto das pioneiras Choronas, primeiro grupo feminino de choro, que já se aproxima de seus 30 anos de carreira.

Tomara que esse show sirva de lição para aqueles que ainda insistem em desmerecer os talentos das mulheres, tanto nos palcos como na vida. Com ou sem o apoio dos homens, elas estão conquistando, mais e mais, os espaços que sempre mereceram. 

Os shows e atividades formativas do projeto Choraço prosseguem até 19/5. Consulte a programação e compre seus ingressos no site do Sesc SP: 
https://www.sescsp.org.br/projetos/choraco/

 

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