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Série Música Contemporânea: CPFL exibe talentos da música instrumental em SP

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                                           O contrabaixista e compositor Marcos Paiva / Foto: Mauricio Landini

Quem acompanha de perto a cena musical de nosso país já sabe que o segmento da música instrumental brasileira vive uma grande fase. Foi logo o que pensei ao receber o convite de João Marcos Coelho (jornalista e crítico musical cujo trabalho eu admiro há décadas), para realizar uma curadoria dentro do projeto Música Contemporânea, que ele conduz há 14 anos, com o editor de conteúdo Ricardo Feldman, no Instituto CPFL, em Campinas (SP).

A série de concertos, em quatro sábados de outubro e novembro, começa no dia 7/10, com a apresentação do quarteto do contrabaixista e compositor Marcos Paiva. A seguir, textos que escrevi para apresentar os músicos selecionados para essa série. 



Improvisos e influências: a música instrumental
brasileira em grande fase

Diferentemente da cena da canção popular brasileira, que durante a última década tem se mostrado (com raras exceções) pouco inspiradora, a música instrumental criada em nosso país não só se renovou como vive neste século um período de produção intensa, diversificada e de alta qualidade.

Há quem prefira chama-la de jazz brasileiro, já que se trata de uma vertente musical que utiliza com frequência o recurso inventivo da improvisação. Aliás, a influência do jazz tem se manifestado em nossa música instrumental, em maior ou menor medida, desde as primeiras décadas do século 20: de sambas e choros do pioneiro mestre Pixinguinha (1897-1973) à hoje cultuada obra do maestro e compositor Moacir Santos (1926-2006), que se radicou nos Estados Unidos.

Assim como nossa música instrumental desenvolve há décadas diálogos com o choro, com o samba e a bossa nova, sem falar nos ritmos regionais brasileiros, entre suas influências também está a da música erudita, tanto a clássica como a contemporânea. Essa profusão de referências caracteriza os quatro concertos desta série, que destaca alguns dos mais talentosos músicos e grupos da cena atual da música instrumental brasileira.

Programação   

7/10 – Marcos Paiva Quarteto 
O trio do contrabaixista e compositor paulista chamou atenção em 2015 com o álbum “Choroso”, no qual abordou o choro com a linguagem do jazz moderno. Agora, à frente de um quarteto, Paiva esboça novas releituras desse gênero instrumental brasileiro, incluindo composições inspiradas na obra de Irineu Batina (1863-1914), professor de Pixinguinha. “Reler o passado com os olhos do presente” é o slogan de Paiva.

21/10 – Projeto B
Com quatro discos lançados, o quinteto paulista tem construído um repertório que mistura música erudita contemporânea, música instrumental brasileira e jazz de vanguarda, com muita improvisação. Sua fonte de inspiração é o conturbado ambiente das megalópoles, onde a diversidade cultural convive com o caos urbano. “Não existe uma linha divisória entre a música erudita e a popular”, afirma o guitarrista Yvo Ursini.

11/11 – Teco Cardoso e Tiago Costa
“Erudito popular... e vice-versa”, o título do álbum que o pianista Tiago Costa e o saxofonista e flautista Teco Cardoso lançaram em 2016, é revelador. Com um repertório eclético, que combina composições próprias e pérolas de Moacir Santos, Ernesto Nazareth e John Williams, o duo idealiza uma ponte entre o erudito e o popular – segundo Cardoso, sem assumir “grandes compromissos com as regras de nenhum dos mundos que ela une”.

25/11 – André Mehmari

O pianista e compositor radicado em São Paulo já apontou a preguiça dos que insistem em separar os universos da música clássica e da música popular. “Eles preferem que esses mundos sejam estanques”, comenta Mehmari, cujas composições já foram interpretadas por algumas das principais orquestras e grupos de câmara do país. Como solista internacional, ele tem frequentado conceituados festivais de jazz e salas de concerto.

Mais informações no site da CPFL

Projeto B: quinteto combina referências do jazz de vanguarda e da música contemporânea

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É provável que você já os tenha ouvido, ao lado de intérpretes do pop nacional ou tocando com outros grupos instrumentais. Mas é como músicos do Projeto B que Yvo Ursini (guitarra), Leonardo Corrêa (saxofones), Amílcar Rodrigues (trompete), Henrique Alves (baixo) e Mauricio Caetano (bateria) se superam. 

Criar uma obra musical de personalidade, combinando referências do jazz de vanguarda, do som instrumental brasileiro e da música erudita contemporânea não é para qualquer um. “Isso”, o quarto álbum do quinteto (lançamento Panela/Tratore), deve ser ouvido com atenção absoluta.

Não bastasse a qualidade do material próprio – como a alucinante “Labirinto” (de Corrêa) ou o quase funk “339” (Ursini), com um poema de Arnaldo Antunes que ele mesmo entoa –, o repertório inclui adaptações de peças de compositores contemporâneos, como György Ligeti (“Música Ricercata nº7”) ou Claude Debussy (“Des Pas Sur la Neige”). Difícil não sorrir ao escutar “Canção de Ninar para Pedro” (Corrêa), que simula um pesadelo. 

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos & Filmes", edição final, em 30/04/2016)

 

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