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Larry Carlton: guitarrista e expoente do jazz "fusion" volta ao Brasil após 30 anos

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                                                                            O guitarrista Larry Carlton / Foto de divulgação

O nome de Larry Carlton pode não soar familiar a muita gente, mas as chances de se ter ouvido esse guitarrista norte-americano são grandes. Durante os anos 1970 e parte dos 1980 ele deixou sua marca sonora em centenas de gravações de astros da música pop, como Michael Jackson, John Lennon, Joni Mitchell ou a banda Steely Dan. Entre canções e trilhas sonoras para cinema e TV, mais de cem dessas sessões de gravação resultaram em discos de ouro.

Considerado um estilista da guitarra, com quase 40 títulos em sua discografia solo, Carlton desembarca no Brasil para uma única apresentação no Bourbon Street Music Club, em São Paulo, na terça (19/7). Também seria a principal atração do Iguape Jazz & Blues Festival, no litoral paulista, neste domingo (17/7), mas o evento foi cancelado – segundo a produção do evento, a prefeitura local não cumpriu o contrato firmado.

Desde seus shows no extinto Free Jazz Festival, em 1986, Larry Carton não se apresentou mais no país. “Só me lembro de que aquela viagem foi muito rápida. Não tive tempo para conhecer nada, tanto no Rio como em São Paulo”, diz o guitarrista de 68 anos, em entrevista ao Valor, falando por telefone de Nashville (EUA), onde vive.

Carlton desfrutava um período de grande sucesso naquela época, após trocar a vida segura de músico de estúdio pela carreira de solista. Seu álbum “Alone, But Never Alone” (1986) chegou ao topo da parada de jazz norte-americana. No ano seguinte, sua releitura de “Minute by Minute” (hit da banda Doobie Brothers), registrada no álbum “Discovery”, lhe rendeu um prêmio Grammy.

Pouco depois enfrentou um incidente dramático, que quase o levou à morte. Durante as gravações de seu álbum “On Solid Ground”, em 1988, Carlton foi baleado por um adolescente, sem qualquer motivo, na porta de seu estúdio, em Los Angeles. A bala o atingiu no pescoço, deixando sequelas.

“Perdi uma das cordas vocais e meu braço esquerdo ficou paralisado. Felizmente, após uma complicada cirurgia e nove meses de fisioterapia, consegui recuperar os músculos e tudo voltou a ficar bem”, relembra. Ele diz não ter notado diferenças, ao voltar a tocar, mas alguns críticos e fãs apontaram uma mudança sonora. “Disseram que meu jeito de tocar ficou mais intenso, mais emotivo. Espero que sim”, comenta.

Nascido em Torrance, no sul da Califórnia, Carlton ganhou a primeira guitarra aos 6 anos. No colégio, sua admiração pelo jazz de Wes Montgomery e Joe Pass conviveu com o interesse por gêneros musicais que dominavam as rádios na época, como o country, o doo wop e o rock & roll. Outra de suas influências essenciais foi o blues de B.B. King. “Ouvir vários estilos de música desde muito cedo deve ter contribuído para minha versatilidade”, reflete.

Dos primeiros anos de sua carreira, Carlton destaca com carinho a parceria com a banda The Jazz Crusaders, que o convidou a integrar sua nova formação, em 1971. “Não me esqueço do telefonema que recebi para tocar com eles. Eu tinha os discos da banda e os ouvia desde a adolescência. Foi muito excitante entrar no estúdio com eles. Além disso, o álbum 'Crusaders 1' fez muito sucesso. Graças a esse disco muita gente ficou conhecendo meu estilo”, comenta o guitarrista, que gravou 13 álbuns com essa banda.

Curiosamente, na época em que trabalhou como músico de estúdio, Carlton não chegou a conhecer muitos artistas cujos álbuns contaram com sua guitarra, como Michael Jackson ou Sammy Davis Jr. E embora tenha participado de alguns dos álbuns mais cultuados da banda Steely Dan, na década de 1970, só veio a fazer shows com ela poucos anos atrás. Há um motivo técnico para isso: em geral, os músicos gravam as partes instrumentais dos arranjos, separadamente, antes que os cantores gravem as partes vocais.

“Como músico de estúdio, eu não tinha expectativas quanto a fazer shows com aqueles artistas. Por isso não acho estranho não ter tocado com eles”, diz Carlton, enfatizando que isso jamais o frustrou. “Honestamente, nunca passou pela minha cabeça a ideia de me tornar um astro. Eu só queria tocar guitarra como faziam meus heróis do jazz”, afirma o expoente da “jazz fusion” e do “smooth jazz” – estilos de jazz influenciados pela música pop, bastante populares durante as décadas de 1980 e 1990.  


Hoje, ainda fazendo quase cem shows por ano, o veterano músico se define como uma pessoa “bem relaxada”. “Continuo tocando minha guitarra com muita paixão, quando estou num estúdio ou em meus concertos, mas já não toco mais quando estou em casa. Tenho um estilo de vida bem tranquilo. Gosto de dedicar meu tempo livre para ver meus netos crescerem. Ou para simplesmente apreciar a vida”.  

(Entrevista publicada no caderno Eu & Fim de Semana, do jornal "Valor", em 15/07/2016)


BMW Jazz Festival: trompetista Chris Botti estreia seu show "crossover" no Brasil

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Um bem humorado comentário de uma revista de Minneapolis (EUA) sobre o trompetista Chris Botti, anos atrás, continua válido para o público brasileiro. Ao menos até hoje, quando esse fenômeno de vendagem de discos e ingressos de shows entrará no palco do BMW Jazz Festival, em São Paulo.

“Se você nunca ouviu falar sobre Chris Botti, não se surpreenda. Tudo indica que: a) você, provavelmente, é homem; b) não assiste TV durante o dia; c) seu iPod não contém uma pasta de Música Romântica.”

O público feminino estará em peso, certamente, na plateia do HSBC Brasil. Afinal, a boa pinta desse norte-americano de 51 anos também explica seu sucesso, além do som delicado de seu trompete ou do repertório eclético, que inclui canções pop românticas e melodias extraídas de óperas, da música clássica ou de trilhas do cinema – o chamado “crossover”.

“Já toquei aqui, na banda de Paul Simon, em 1991, e na banda de Sting, em 2001, mas para mim será como uma estreia”, disse Botti à "Folha de S. Paulo", referindo-se ao fato de que vai apresentar seu próprio show pela primeira vez no Brasil. Aliás, o que ele tem feito durante a última década, cerca de 300 noites por ano, em grandes teatros, cassinos e clubes lotados pelo mundo.

No palco, além de contar com conceituados músicos de jazz, como Geoffrey Keezer (piano), Billy Kilson (baterista) e Leonardo Amuedo (guitarra), Botti terá convidados especiais: a violinista clássica Caroline Campbell e os cantores Sy Smith e George Komsky.

“Cresci como músico de jazz, mas meu envolvimento com artistas da música pop, como Sting e Joni Mitchell, me mostrou que esse universo tem um nível de sofisticação que pode ser explorado por um jazzista”, diz.

Botti admite que a preocupação em atingir plateias cada vez mais amplas reduziu, progressivamente, a porção jazzística de seu repertório. “Muito do sucesso que consegui nos últimos sete anos tem a ver com meu ingresso no mundo do ‘crossover’ clássico”, reconhece.

“Peças que eu toco hoje, como ‘Time to Say Goodbye’ ou ‘Emmanuel’, já não têm a ver com o vernáculo jazzístico, mas sim com a noção de tocar trompete ao estilo do ‘bel canto’ da música lírica”, explica. “Sou um grande admirador de Miles Davis e de Wynton Marsalis. Aprendi muito com eles, mas hoje meu show está bem mais próximo da música clássica”.


(Reportagem publicada originalmente na "Folha de S. Paulo", em 30/5/2014)

Jazzhus Montmartre: lendário clube de Copenhagen mantém viva a chama do jazz

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                     Mette Juul, Morten Ramsboll (baixo) e Gerard Presencer (flugelhorn) / Photos by Carlos Calado


A imagem do saxofonista Dexter Gordon (1923-1990) chama atenção na fachada do Jazzhus Montmartre, lendário clube de jazz de Copenhagen, que tive o prazer de conhecer na noite deste sábado.  Assim como Chet Baker , Stan Getz, e outros jazzistas norte-americanos auto-exilados na Europa durante os anos 1950 e 1960, Gordon foi um dos grandes responsáveis por esse pequeno clube dinamarquês ter se tornado conhecido internacionalmente.

Reinaugurado em 2010, no mesmo local em que funcionou durante o áureo período de 1959 a 1976 (na Store Regnegade, no centro de Copenhagen), o Jazzhus Montmartre inclui hoje um ótimo restaurante, com cardápio assinado pelo chef Alessandro Jacoponi,  que só serve comes e bebes até o início dos shows, a partir de 20h.

Quem se apresentou neste sábado foi  Mette Juul, correta cantora e violonista dinamarquesa, que mistura em seu repertório standards do jazz, como “The Nearness of You” e “You and the Night and the Music”, além de canções do universo pop, como “Be Cool”, de Joni Mitchell,  assumida influência em sua concepção musical. A seu lado, ela tinha um quarteto, com destaque para os improvisos do talentoso trompetista britânico Gerard Presencer.

Nas próximas semanas, apresentam-se na casa o pianista italiano Enrico Pieranunzi (de 27 a 29/9), a cantora norte-americana Gretchen Parlato (4 e 5/10), o saxofonista norte-americano Lee Konitz (18 a 19/10) e o trompetista brasileiro Claudio Roditi (24 e 25/10).

A seleção musical, que se ouve antes dos shows, não poderia mais mais adequada para um clube com o passado do Jazzhus Montmartre: muitas gravações históricas de Dexter Gordon.

Mais informações no site do clubewww.jazzhusmontmartre.dk

 

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