Até uma ou duas décadas atrás, com raras exceções, os instrumentistas brasileiros costumavam esnobar canções e cantores, como se vivessem em um mundo musical paralelo. “Solar”, álbum de estreia do talentoso guitarrista paulistano Daniel Oliva, sugere que as supostas fronteiras entre esses universos musicais são erguidas por gosto pessoal ou mesmo por um certo preconceito.
Produzido por Ricardo Mosca (baterista do grupo Pau Brasil), o disco de Oliva alterna canções e composições instrumentais de sua autoria. Temas como “Navegante”, “Acolhida” e “El Sendero” revelam a ascendência jazzística do guitarrista e dos músicos que o acompanham. Influência que também está presente, tanto no samba “Outras Águas”, cantado por Giana Viscardi, assim como na valsa “Nosso Apartamento”, interpretada por Luciana Alves. Em outras canções do disco, Marina de la Riva, Antônio Zambujo e Bruna Caram assumem os vocais.
(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 28/2/2015)
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Daniel Oliva: guitarrista e compositor paulistano valoriza canções em seu CD estreia
Marcadores: antônio zambujo, bruna caram, daniel oliva, giana viscardi, instrumental, luciana alves, marina de la riva, MPB, ricardo mosca | author: Carlos CaladoGiana Viscardi: cantora paulistana mergulha na riqueza dos ritmos afro-brasileiros
Marcadores: Alê Siqueira, caê rolfsen, carlos lyra, celso viáfora, chico césar, clima, dani black, fábio barros, giana viscardi, letieres leite, michi ruzitschka, MPB, orum, samba, vinicius de moraes | author: Carlos Calado
A cantora Giana Viscardi entre Letieres Leite (à esq.) e Alê Siqueira
Quem já a ouviu cantar em casas noturnas paulistanas, como Ó do Borogodó ou Baretto, sabe que ela é diferente dessas cantoras cheias de trejeitos e com vozes diminutas que surgiram nos últimos anos. Além de possuir um belo timbre vocal, Giana Viscardi é afinada, tem ótima dicção e não apela para sussurros, como fazem várias de suas colegas.
O rosto de menina esconde a experiência dessa intérprete e compositora com quase vinte anos de carreira, que estudou música nos EUA e já se apresentou em diversos países. Giana vai lançar seu terceiro álbum – “Orum”, muito bem produzido por Alê Siqueira – nesta quinta-feira, em show no Sesc Pompéia, em São Paulo.
“Eu não queria gravar outro disco só por gravar. Estava em busca de um caminho diferente”, afirma a cantora, justificando o hiato entre esse álbum e o anterior “4321”, que saiu em 2005. Só achou o que procurava ao ouvir a Orkestra Rumpilezz, em um show na Virada Cultural de 2010.
A música do maestro e instrumentista Letieres Leite, calcada no rico universo rítmico da percussão afro-baiana, a deixou “em estado de graça”, relembra. Na mesma noite em que se conheceram, Giana o convidou a criar os arranjos para seu disco.
“Depois disso fui a Salvador algumas vezes, viajei e cantei com a Orkestra Rumpilezz, para assimilar essa linguagem musical e conviver mais com o Letieres. Ele é um mestre de generosidade muito grande”, elogia.
Cinco canções do álbum foram compostas por ela, três delas em parceria com o violonista Michi Ruzitschka. Entre os autores que assinam outras faixas estão Chico César, Dani Black, Clima e Fábio Barros. Há ainda a doce releitura de “Canção do Amor que Chegou”, que Carlos Lyra e Vinicius de Moraes criaram para o musical “Pobre Menina Rica” (de 1963).
Destaque no repertório dos shows da cantora já há alguns anos, a canção “Linda” (de Caê Rolfsen e Celso Viáfora) também está no disco. “Ganhou uma nova vida com o arranjo do Letieres”, avalia a intérprete. Como no disco, Giana também terá a seu lado o maestro baiano e o violoncelista Jaques Morelenbaum, na apresentação no Sesc Pompéia.
A demora em gravar o disco quase a fez perder a inédita “19 Luas”, composta para ela por Chico César e Michi Ruzitschka. “Eles até pensaram em mandar essa música para a Maria Bethânia. Tive que ganhá-la na unha”, conta a cantora, aliviada.
Quem já a ouviu cantar em casas noturnas paulistanas, como Ó do Borogodó ou Baretto, sabe que ela é diferente dessas cantoras cheias de trejeitos e com vozes diminutas que surgiram nos últimos anos. Além de possuir um belo timbre vocal, Giana Viscardi é afinada, tem ótima dicção e não apela para sussurros, como fazem várias de suas colegas.
O rosto de menina esconde a experiência dessa intérprete e compositora com quase vinte anos de carreira, que estudou música nos EUA e já se apresentou em diversos países. Giana vai lançar seu terceiro álbum – “Orum”, muito bem produzido por Alê Siqueira – nesta quinta-feira, em show no Sesc Pompéia, em São Paulo.
“Eu não queria gravar outro disco só por gravar. Estava em busca de um caminho diferente”, afirma a cantora, justificando o hiato entre esse álbum e o anterior “4321”, que saiu em 2005. Só achou o que procurava ao ouvir a Orkestra Rumpilezz, em um show na Virada Cultural de 2010.
A música do maestro e instrumentista Letieres Leite, calcada no rico universo rítmico da percussão afro-baiana, a deixou “em estado de graça”, relembra. Na mesma noite em que se conheceram, Giana o convidou a criar os arranjos para seu disco.
“Depois disso fui a Salvador algumas vezes, viajei e cantei com a Orkestra Rumpilezz, para assimilar essa linguagem musical e conviver mais com o Letieres. Ele é um mestre de generosidade muito grande”, elogia.
Cinco canções do álbum foram compostas por ela, três delas em parceria com o violonista Michi Ruzitschka. Entre os autores que assinam outras faixas estão Chico César, Dani Black, Clima e Fábio Barros. Há ainda a doce releitura de “Canção do Amor que Chegou”, que Carlos Lyra e Vinicius de Moraes criaram para o musical “Pobre Menina Rica” (de 1963).
Destaque no repertório dos shows da cantora já há alguns anos, a canção “Linda” (de Caê Rolfsen e Celso Viáfora) também está no disco. “Ganhou uma nova vida com o arranjo do Letieres”, avalia a intérprete. Como no disco, Giana também terá a seu lado o maestro baiano e o violoncelista Jaques Morelenbaum, na apresentação no Sesc Pompéia.
A demora em gravar o disco quase a fez perder a inédita “19 Luas”, composta para ela por Chico César e Michi Ruzitschka. “Eles até pensaram em mandar essa música para a Maria Bethânia. Tive que ganhá-la na unha”, conta a cantora, aliviada.
(texto publicado originalmente na "Folha de S. Paulo", em 9/10/2013)
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