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Festivais de jazz e blues: um circuito em expansão que incentiva o turismo no Brasil

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                       O guitarrista Lucky Peterson, no 11º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

Até a década de 1990, os brasileiros interessados em shows de jazz ou gêneros musicais afins, como blues, soul ou o r&b, tinham poucas opções. Se não pudessem viajar para os Estados Unidos ou para a Europa, onde centenas de festivais de música agitam o período do verão, tinham que se contentar com os raros eventos de jazz e blues realizados por aqui somente no eixo São Paulo-Rio.

Hoje, o cenário é bem diferente. A temporada de festivais desse gênero no país se estende por todo o ano, praticamente, e cobre quase todas as regiões brasileiras. Nos próximos meses, esse circuito destaca shows de músicos de renome na cena internacional, como Pat Metheny, Brad Mehldau, Cassandra Wilson, Esperanza Spalding, Trombone Shorty, Buddy Guy, James Cotton, Bob Mintzer, Stanley Jordan e Egberto Gismonti, entre outros.

“Os festivais de jazz estão proliferando pelo Brasil – alguns são mais ortodoxos, outros mais abertos. Não temos ainda um festival com o prestígio de um Montreux, de um North Sea ou do New Orleans Jazz Fest, mas estamos a caminho”, compara o produtor Edgard Radesca, que acaba de realizar a 5ª edição do Bourbon Festival Paraty. Com recorde de público nas três noites, o evento atraiu mais de 30 mil pessoas à cidade histórica do litoral fluminense. “Sem falsa modéstia, Paraty oferece todas as condições para um festival de prestígio internacional. Música de qualidade, num local paradisíaco, é uma combinação muito forte”.

Radesca já trabalha na preparação do 11º Bourbon Street Fest, com shows gratuitos em São Paulo, Brasília e no Rio, em agosto. “Recebemos solicitações para estendê-lo também a Salvador e Florianópolis, neste ano. Vamos aumentar as atrações dirigidas a plateias mais jovens, já que esta tem sido a tendência do nosso publico”, revela o produtor. No elenco, segundo ele, está confirmada a presença de Trombone Shorty, revelação da eclética cena musical de New Orleans (EUA), que hoje circula pelos principais festivais do mundo, assim como a banda Soul Rebels, que mistura funk, soul, r&b e rock.



                            A banda Soul Rebels, atração do 11º Bourbon Street Fest, em agosto

Outro festival que acaba de realizar sua 11ª edição, o Rio das Ostras Jazz & Blues, também no litoral fluminense, ofereceu cinco palcos, entrada franca e um elenco que não devia nada a festivais similares nos EUA, que destacou o baixista Stanley Clarke, o trompetista Christian Scott e os guitarristas Lucky Peterson, Vernon Reid e Scott Henderson, entre outros. “Muitos já admiram nosso festival lá fora. Confirmo isso pelos convites que recebo para palestras na Europa e nos EUA, e também pelos e-mails de empresários e músicos”, comenta o produtor Stenio Mattos, ressaltando que o evento tem crescido ano a ano.

“O mais importante é que o festival trouxe uma mudança de paradigma cultural: desenvolvimento turístico, novas escolas de música para a cidade, até em nível superior, e o envolvimento da população de Rio das Ostras com o projeto”, considera o produtor. Entre as novidades na estrutura da última edição, além de telões de última geração e um piso para evitar a lama provocada por chuvas eventuais, o evento contou com tendas que ofereciam aluguel de bicicletas para facilitar a locomoção entre os palcos espalhados pela cidade.

Até o final de julho, outros oito festivais serão realizados nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste do país. O maior deles é o 3º BMW Jazz Festival, com shows em São Paulo (de 6 a 9/6) e Rio (de 8 a 10/6). Curador do evento, Zuza Homem de Mello destaca no elenco o trio do pianista Brad Mehldau e a big band da baixista e vocalista Esperanza Spalding, bem conhecidos entre os fãs do gênero no país, além do recém-criado quarteto James Farm, que inclui o saxofonista Joshua Redman.

“A atração para quem quer saber o que há de novo no jazz é o quinteto do baterista Jonathan Blake, que tem como surpresa o sax alto de Jaleel Shaw. Possivelmente será o grupo comentado pelos que estão atrás dos futuros ídolos do jazz”, observa Homem de Mello. Já o guitarrista Pat Metheny, artista de maior visibilidade nessa edição, receberá tratamento inédito em dezenas de festivais realizados pela Dueto Produções desde os anos 1980: noites exclusivas, cujos ingressos já estão esgotados. Para consolo dos que ficaram de fora, Metheny também fará um show gratuito ao ar livre, no dia 9/6 (domingo), às 17h, no parque do Ibirapuera, em São Paulo, além de outro pago, no Bourbon Street Music Club, na noite de 8/6 (sábado).


                          A cantora e baixista Esperanza Spalding, atração do BMW Jazz Festival, em junho

Pioneira na produção de festivais do gênero, Monique Gardenberg confirma a boa imagem do Brasil nessa área. “Acho que carregamos esse prestígio desde 1985, quando criamos com muita seriedade o Free Jazz Festival, para a Souza Cruz. Demos continuidade, em 2003, com a Tim, e agora, com a BMW, produzimos um festival dedicado exclusivamente ao jazz. Ao longo desses quase 30 anos estabelecemos uma relação de confiança com agentes de artistas do mundo inteiro”.

Logo após o BMW Jazz será realizada, em São Paulo, de 10 a 13/6, a primeira edição do Best of Blues Festival. O nome soa pretensioso, mas a programação desse evento inclui shows de quatro conceituados veteranos do gênero: os guitarristas norte-americanos Buddy Guy e Taj Mahal, o pianista e cantor Dr. John (de New Orleans), ou ainda o guitarrista e cantor britânico John Mayall. Outro destaque do evento é a primeira apresentação no país de Shemekia Copeland, ótima cantora de blues.

Com apenas um ano, o paulista Santos Jazz Festival (de 18 a 23/6) já revela crescimento na estrutura de sua segunda edição. “Teremos sete palcos contra três da edição anterior; seis dias de shows contra os quatro do ano passado”, compara Denise Borges, diretora executiva do evento, cujo programa destaca Egberto Gismonti, Banda Mantiqueira, o violonista Romero Lubambo, a cantora Leny Andrade e o trombonista Stafford Hunter.

Eventos já consagrados em várias edições, o 8º Festival Amazonas Jazz (de 23 a 28/7, em Manaus) e o 11º Savassi Festival (de 10 a 21/7, em Belo Horizonte) têm mais em comum do que o fato de estarem agendados para o mês de julho. Promovem atividades para aprimorar a formação dos músicos locais e privilegiam músicos conceituados que não aparecem com frequência em eventos do gênero. O festival amazonense contará neste ano com os saxofonistas americanos Bennie Maupin e Bob Mintzer, com o pianista português Mário Laginha e com o saxofonista cubano Felipe Lamoglia, entre outros.



Bruno Golgher, produtor do Savassi Festival, que prepara para setembro uma edição especial do evento em Nova York, considera que hoje os festivais brasileiros já recebem o mesmo tratamento que seus similares pelo mundo. “É impressionante como a música brasileira é respeitada, amada e tocada por músicos estrangeiros”, diz. Para efetivar essa primeira edição nova-iorquina, Golgher fechou parcerias com duas universidades locais, a Columbia e a New York. E já no próximo ano pretende trabalhar também com o Berklee College of Music.

“Hoje o Savassi Festival possui uma concepção artística ampla: partimos do jazz, tradicional ou não, e da música instrumental brasileira, mas trabalhamos nas interfaces com a música orquestral, com a música eletrônica, com o rock, o hip-hop, o choro e, a partir deste ano, com o folk”, explica o produtor, observando que, ao crescer, o festival viu seu cânone artístico se transformar. Entre os artistas já definidos para a próxima edição, destacam-se dois guitarristas dinamarqueses – Jacob Bro e Mikkel Ploug – escalados para colaborar com os músicos mineiros Anderson Noise e Pedro Durães.

A programação do 3º Jazz na Fábrica – festival produzido pelo Sesc Pompéia, em São Paulo – ainda não esta fechada, mas, segundo sua assessoria de imprensa, a próxima edição focalizará o jazz africano e o latino. Com um perfil musical que reflete a globalização desse gênero musical, o evento tem trazido atrações de diversos países e se estende por um mês – agosto, neste ano. As negociações para trazer a cantora norte-americana Cassandra Wilson, o pianista porto-riquenho Edsel Gomez e o trompetista franco-libanês Ibrahim Maalouf já estão em estágio avançado.


                      O trompetista Terence Blanchard, atração do Choro Jazz Festival, em dezembro

Com quatro edições realizadas na bela praia de Jericoacoara e em Fortaleza (CE), o Choro Jazz Festival também tem crescido, sem abrir mão de sua essência. “A educação musical está acima de tudo. É o que priorizo, cada vez mais, com oficinas ministradas por grandes mestres da música”, afirma o produtor Antonio Capucho, que criou a Escola Choro e Jazz Jericoacoara, em 2012. “Ela funciona durante todo o ano e é sustentada em parte pela produção do festival e pela boa vontade da comunidade”, explica. No elenco deste ano, já estão confirmados o saxofonista Terence Blanchard (na foto acima), o cantor João Bosco e a cavaquinhista Luciana Rabello.

Lançado na semana passada, com show do baixista Stanley Clarke, em Belo Horizonte, o 6º Vijazz & Blues Festival, que nasceu em Viçosa (MG), é sintomático do crescimento do circuito de festivais de jazz pelo país. “Esta edição será a maior de todas, com nossa expansão para as cidades de Ponte Nova, Juiz de Fora e Araxá. Também já temos convites para levar o circuito a outras cidades de Minas Gerais e dos estados de São Paulo e Rio”, comemora o produtor Sergio Lopes.


Programe-se com um roteiro dos principais festivais de jazz e blues, que serão realizados pelo país, nos próximos meses:
http://www.carloscalado.com.br/2013/01/festivais-em-2013-prepare-se-para.html

(versão integral da reportagem publicada no jornal “Valor Econômico”, em 5/06/2013)

Festivais em 2013: os principais eventos de jazz, blues e música instrumental no país

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Este é um roteiro com as atrações dos principais festivais brasileiros em 2013, ampliado e atualizado regularmente, para que os fãs do jazz, do blues e da música instrumental brasileira possam se planejar com antecedência.

                                                       

                                                     O trompetista Terence Blanchard, atração do 5º Choro Jazz

5° Festival Choro Jazz
Quando e onde: de 28 a 30/11, em Fortaleza; de 3 a 8/12, em Jericoacoara (CE)
Atrações: Terence Blanchard, João Bosco, Gilson Peranzzetta e Mauro Senise, Gianluca Littera Quarteto, Trio Curupira, Nonato Luiz e Túlio Mourão, Laércio de Freitas Trio, Luciana Rabello Quarteto, Renato Borghetti, Alegre Correa, Zé da Velha e Silvério Pontes, entre outros 
www.chorojazz.com

10º Chorando Sem Parar
Quando e onde: de 2 a 8/12, em São Carlos (SP)
Atrações: "Homenagem a Nazareth", com César Camargo Mariano e Romero Rubambo; Arthur Moreira Lima; Izaias e Seus Chorões com Dimos Goudaroulis e Tibô Delor; Marcos Nimrichter e Toninho Ferraguti; Michèle Drees Trio, Libertango,Trio Lanzelotte, Saçurá, Choro & Cia e outros



2014

15º Festival Jazz & Blues
Quando e onde: de 28/2 a 4/3/14, em Guaramiranga e Fortaleza (CE)
Atrações: não divulgadas
www.jazzeblues.com.br

7º Garanhuns Jazz Festival
Quando e onde: em março de 2014, em Guaranhuns (PE)
Atrações: não divulgadas
www.garanhunsjazz.com.br/





Os festivais abaixo já aconteceram, mas devem voltar em 2014, em datas ainda não divulgadas:


5º Bourbon Festival Paraty
Quando e onde: de 24 a 26/5/2013, em Paraty (RJ)
Atrações: Stanley Clarke, Incognito, Big Sam's Funky Nation, Germaine Bazzle, Raul de Souza, Céu, Mart'nália, Carlos Barbosa Lima, Jefferson Gonçalves e Big Joe Manfra, Serial Funkers e Ed Motta, entre outros
www.bourbonfestivalparaty.com.br

11º Rio das Ostras Jazz & Blues
Quando e onde: 29/5 a 3/6/2013, em Rio das Ostras (RJ)
Atrações:
Stanley Clarke, Lucky Peterson, Victor Wooten, Christian Scott, John Primer, Scott Henderson, Vernon Reid, Will Calhoun & Donald Donald Harrison, Diego Figueiredo, Léo Gandelman & Charlie Hunter, Arthur Maia e Tributo a Celso Blues Boy, com Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves e Ivo Pessoa, entre outros
www.riodasostrasjazzeblues.com

3º BMW Jazz Festival
Quando e onde: de 6 a 9/6, em São Paulo (SP) e de 8 a 10/6, no Rio de Janeiro (RJ)
Atrações: Pat Metheny & Unity Band, James Farm (com Joshua Redman), Esperanza Spalding Radio Music Society, Egberto Gismonti e Orquestra Corações Futuristas, Brad Mehldau Trio, Johnathan Blake Quintet, Joe Lovano & Dave Douglas Quintet
www.bmwjazzfestival.com

Best of Blues Festival
Quando e onde: de 11 a 13/6, em São Paulo (SP)
Atrações: Buddy Guy, Taj Mahal, John Mayall, Dr. John, Shemekia Copeland, Chris Cornell e Nuno Mindelis
www. dancarmarketing.com.br
                                    

2º Santos Jazz Festival
Quando e onde: de 18 a 23/6, em Santos e Cubatão (SP)
Atrações: Egberto Gismonti, Leny Andrade & Romero Lubambo, Banda Mantiqueira, Robertinho Silva, Yaniel Matos & Max de Castro, Stafford Hunter, Proveta e Banda Marcial Cubatão, entre outros
www.santosjazzfestival.com.br

6º Poços de Caldas Jazz & Blues Festival
Quando e onde: de 4 a 7/7, em Poços de Caldas (MG)
Atrações: Henry Gray, Bob Corritore, Tail Dragger e outros não divulgados
www.jazzbluespocosdecaldas.com.br 
                                           
11º Savassi Festival
Quando e onde: 10 a 21/7, em Belo Horizonte (MG)
Atrações: Jakob Bro Trio, Anderson Noise, Mikkel Plough, Cliff Korman, Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Fabiano Castro, Bernardo Fabris Quinteto, além de outros a serem anunciados

www.savassifestival.com.br
                                      
Petra Jazz Ilhabela
Quando e onde: 18 a 20/7, em Ilhabela (SP)
Atrações: Paquito D'Rivera & Trio Corrente, Playing for Change, Rosa Passos, Spok Frevo Orquestra, Hamilton de Holanda Trio, Bamboo Quarteto, Eduardo Neves Quarteto, Edu Negrão e outros
http://petrajazzilhabela.com.br

8° Festival Amazonas Jazz
Quando e onde: 23 a 28/7, em Manaus (AM)
Atrações: Bob Mintzer, Bennie Maupin, Mário Laginha, Rosa Passos, Chico Pinheiro e outros a confirmar
https://www.facebook.com/events/477699022258305/?ref=nf

8º Ilha Blues Festival Internacional
Quando e onde: 25 a 28/7, em Ilha Comprida (SP)
Atrações: James Cotton, Lurrie Bell, Eddie Taylor Jr., Nuno Mindelis, Michael Dotson, Ari Borger, Artur Menezes, Jefferson Gonçalves, Big Chico, Fulvio Oliveira e General Blues  
www.facebook.com/IlhaBluesFestival


Festival Moacir Santos
Quando e onde: 2 e 3/8, no Teatro Santa Isabel, Recife (PE)
Atrações: The Clare Fisher Big Band, Mark Levine & The Latin Tinge, Banda Ouro Negro, Quarteto Coisas 
www.festivalmoacirsantos.art.br

5º Lençóis Jazz e Blues Festival
Quando e onde: de 2 a 4/8, em Barreirinhas (MA), e de 9 a 10/8, em São Luís (MA) 
Atrações: Stanley Jordan, Yamandu Costa, Igor Prado, Delicatessen, J.J. Jackson, Rio Jazz orchestra, Ari Borger e outros
www.lençoisjazzeblues.com

1º Festival Internacional de Música em Goiás
Quando e onde: 14 a 16/8, em Goiânia; 17 e 18/8, em Pirenópolis (GO)
Atrações: The Soul Rebels, LeRoy Jones & Topsy Chapman, Hamilton de Holanda, Wagner Tiso, Victor Biglione, Bororó, Gilson Peranzzetta, Blues Etílicos, Orquestra de Sopros e Percussão de Goiânia e outras


                                                                        

11º Bourbon Street Fest
Quando e onde: de 18 a 25/8, em São Paulo (SP)
Atrações: Trombone Shorty & Orleans Avenue, The Soul Rebels, Wanda Rouzan, Leo Nocentelli, Leroy Jones & Topsy Chapman, Honey Island Swamp Band e outros
www.bourbonstreetfest.com.br

                                                        
4º Fest Bossa & Jazz
Quando e onde: de 22 a 25/8, em Praia da Pipa (RN)
Atrações: Ivan Lins,Stanley Jordan, Peter 'Madcat' Ruth, Babi Mendes e outras 
http://festbossajazz.com.br


3º Jazz na Fábrica
Quando e onde: de 1/8 a 1/9, no Sesc Pompéia, em São Paulo (SP)
Atrações: McCoy Tyner, Cassandra Wilson, David Murray & Macy Gray, Edsel Gomez, Dr. Lonnie Smith, Richard Bona, Roscoe Mitchell, Ivo Perelman, Ibrahim Maalouf, Sun Rooms, Eliane Elias, João Donato, Raul de Souza, Duo Nazário e outros 
www.sescsp.org.br

10º Mimo
Quando e onde: de 23 a 25/8, em Paraty (RJ); de 29/8 a 1/9, em Ouro Preto; de 2 a 8/9, em Olinda (PE)
Atrações: Stefano Bollani & Hamilton de Holanda, Richard Galliano, Jards Macalé, Herbie Hancock, Stephan Micus, João Bosco, Madredeus, Ibrahim Maalouf, Guillaume Perret & Electric Epic, Rum Tareq Al Nasser, Mandolinman, Gilberto Gil & Orquestra de Sopros da Pro Arte, BNegão e outras
www.mimo.art.br

  
6º Vijazz & Blues  Festival
Quando e onde: de 29/08 a 9/09, em Viçosa, Ponte Nova, Araxá e Juiz de Fora (MG)
Atrações: Peter Madcat Ruth, Flavio Guimarães, Luciano Soares e outros
www.vijazz.com.br

3º Ipiabas Blues Jazz Festival
Quando e onde: de 30/8 a 1/9, em Barra do Piraí (RJ)
Atrações: Stanley Jordan Trio, Peter "Madcat" Ruth, Azymuth e Hélio Delmiro, Kenny Brown, Derico e Chiquinho Jazz Quinteto 
https://www.facebook.com/Ipiabasbluesjazzfestival


3º Petrópolis Jazz & Blues Festival
Quando e onde: de 10 a 12/10, em Petrópolis (RJ)
Atrações: Larry Coryell, Sax Gordon, Peter Fessler, Rodica Weitzman, Vasti Jackson, Taryn Szpilman, Igor Prado Band, Pepe Cisneros, Monte Alegre Hot Jazz Band e outras
www.petropolisjazzeblues.com.br


6º CopaFest
Quando e onde: de 31/10 a 2/11, no Rio de Janeiro (RJ)
Atrações:Wagner Tiso & Som Imaginário, Tomás Improta, Raul de Souza, Max de Castro e Duo Elo
www.copafest.com.br


5º Back2Black Festival                         
Quando e onde: 15 a 17/11, no Rio de Janeiro e em São Paulo
Atrações: Bobby Womack, Femi Kuti & The Positive Force, Keziah Jones, Concha Buika, Mayra Andrade, Orquestra Baobab, The Blind Boys of Alabama, Milton Nascimento, Pee Wee Ellis & Banda Black Rio, Baloji, Keziah Jones, Criolo & Tony Allen www.back2blackfestival.com.br/    

3º Canoas Jazz                              
Quando e onde: 13 a 24/11, em Canoas (RS)
Atrações: Ravi Coltrane, Egberto Gismonti, Sandro Albert, Joyce Moreno, À Deriva, Alegre Correa, Kiko Freitas, Luizinho Santos, Paulinho Cardoso e outros
http://www.canoas.rs.gov.br/~canoasrs/canoasjazz/canoas_jazz.htm
                               

Festivais de jazz: circuito nacional cresce e leva atrações a várias regiões do país

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                                                                       O trombonista Delfeayo Marsalis - Foto: Carlos Calado

Quem já passou férias na Europa ou na América do Norte, especialmente durante os meses de verão, sabe que os festivais de jazz se destacam entre as atrações culturais oferecidas nesse período do ano. Realizados não apenas em metrópoles e grandes capitais, como Nova York, Montreal, Roma ou Viena, eventos desse gênero também levam a centenas de pequenas cidades europeias e americanas multidões de fãs atraídos por concertos ao ar livre, em praças e pontos turísticos, ou mesmo em auditórios e clubes de jazz.

O Brasil já esteve mais distante de um cenário musical como esse. Ainda no início da década de 1990, quem quisesse apreciar ao vivo as últimas novidades jazzísticas tinha apenas duas opções: viajar para o exterior ou esperar pelo único evento anual do gênero naquela época, o Free Jazz Festival, que era realizado em São Paulo e no Rio. Hoje, o cenário é outro. Já é possível desfrutar shows de astros internacionais do jazz, do blues e de outros gêneros afins, durante quase todo o ano, em eventos programados em diversos locais do país. Só neste mês, cinco festivais de jazz serão realizados em capitais e localidades turísticas da região Sudeste.

"O Brasil se firmou como um mercado sólido e sério, nas últimas décadas", diz a produtora e cineasta Monique Gardenberg, que assina a direção artística da primeira edição do BMW Jazz Festival, em São Paulo (de 10 a 12, no Auditório Ibirapuera) e Rio (13 e 14, no Teatro Oi Casa Grande). Nomes de prestígio do jazz americano, como os saxofonistas Wayne Shorter, Joshua Redman e Billy Harper, ou o baixista Marcus Miller, chamam atenção no elenco desse evento, que também destaca dois originais jazzistas europeus: o pianista norueguês Tord Gustavsen e o contrabaixista francês Renaud Garcia-Fons.

Como a maioria dos festivais que têm usado a grife do jazz durante as últimas décadas, tanto no exterior quanto aqui, o BMW Festival também abre espaço para atrações de outros gêneros musicais. Inédita em palcos brasileiros, a cantora de soul e rhythm & blues Sharon Jones promete um dos shows mais excitantes do evento. O elenco se completa com o gospel do grupo vocal americano Zion Harmonizers, os arranjos dançantes da banda de metais italiana Funk Off e a percussão afro-baiana da big band Orkestra Rumpilezz.

Outro evento do gênero que estreia neste mês, com um formato diverso dos seus concorrentes, é o Ilha de Toque Toque Jazz Festival, que oferece como atrativo extra o visual dessa praia da cidade de São Sebastião, no Litoral Norte paulista. Com shows aos sábados, em um pequeno hotel com palco para apenas 50 espectadores, a programação desse evento destaca o jazz e os ritmos caribenhos do pianista cubano Yaniel Matos, as canções românticas de Elizabeth Woolley e as releituras jazzísticas do lendário guitarrista Lanny Gordin.

Uma característica comum a festivais de jazz e blues realizados nos últimos anos, em várias regiões do país, como os de Guaramiranga (CE), Garanhuns (PE), Ouro Preto (MG) ou Teresópolis (RJ), também norteia dois eventos programados para este mês: tanto o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival (RJ), como o Bourbon Festival Paraty (RJ) nasceram com o objetivo de contribuir para o incremento do turismo em suas localidades.

                                                              Rio das Ostras Jazz & Blues Festival -  Foto: Cezar Fernandes


"A ideia é que o turista venha, fique e conheça as belezas naturais da cidade", diz o produtor Stenio Mattos, citando resultados significativos depois de realizar oito edições do evento em Rio das Ostras. "A taxa de ocupação da cidade durante o período do festival é de 100%, assim como nas cidades vizinhas de São João da Barra e Casimiro de Abreu. Em Macaé, chega a 70% de ocupação. O faturamento do comércio local durante o festival passado foi de cerca de R$ 5 milhões. A projeção que o festival dá à cidade é enorme", comenta o produtor fluminense.

Neste ano (de 22 a 26 de junho), o evento exibe em cinco palcos diversos estilos de jazz, blues e música instrumental brasileira. De alto nível, o elenco destaca o cultuado trio Medeski, Martin & Wood, o cantor José James, a banda Yellowjackets, o trompetista Nicholas Payton, o saxofonista Bill Evans e os bluesmen Tommy Castro e Bryan Lee, além do saxofonista carioca Léo Gandelman e a banda Azymuth. Já pensando na décima edição do evento, em 2012, Mattos pretende publicar um livro com uma retrospectiva do festival. E planeja programar de novo as atrações que mais agradaram ao público de Rio das Ostras desde a primeira edição.

Edgard Radesca, produtor do Bourbon Festival Paraty, também ressalta a eficácia de seu evento, no sentido de aumentar a atividade turística na região. "Conseguimos atrair um público qualificado, que gasta em restaurantes, compras e hospedagem, inclusive no domingo, dia em que usualmente a cidade se esvaziaria após o almoço. O Bourbon Festival é hoje o evento mais importante da cidade depois da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Consegue lotá-la até em um fim de semana que antes era considerado um 'mico', por preceder o feriadão de Corpus Christi".

Em sua terceira edição (de 17 a 19 de junho), o Bourbon Festival Paraty vai contar com mais um palco, para a programação vespertina; os shows da noite continuam ocupando o palco da igreja matriz. Eclético, o elenco desse evento mistura jazz, blues, soul, R&B e ritmos brasileiros, destacando o baixista camaronês Richard Bona, o pianista cubano Roberto Fonseca e as cantoras Jane Monheit e Erica Falls. Qualquer semelhança com a linha musical do Bourbon Street Music Club - casa noturna paulistana inspirada na diversidade musical de New Orleans, que Radesca abriu com um grupo de amigos em 1993 - não é mera coincidência.

A influência dessa cidade americana tão musical, conhecida mundialmente como "berço do jazz", também orienta o Bourbon Street Fest, cuja nona edição está agendada para agosto, em São Paulo, Rio e Brasília. Segundo Radesca, esse evento foi criado para festejar o décimo aniversário de seu clube. "O festival deveria ter acontecido apenas uma vez, mas o sucesso foi tanto que recebemos mais de uma centena de e-mails, pedindo que fosse repetido a cada ano. Por isso tomamos a decisão de fazê-lo", diz o produtor, que já anunciou os nomes do trombonista Delfeayo Marsalis, da violinista e cantora Amanda Shaw e da banda Dirty Dozen Brass Band, todos trazidos de New Orleans para a edição deste ano.

                                                                                  Bourbon Festival Paraty - Foto: Roger H. Sassaki


Outra característica que aproxima festivais de jazz de diversas regiões do país, como os de Manaus (AM), Joinville (SC) ou Rio das Ostras (RJ), é a programação de atividades didáticas: geralmente, workshops e oficinas para estudantes de música, ministrados por artistas do elenco, além de palestras e debates. O Festival Choro Jazz Jericoacoara (CE), que vai realizar sua terceira edição de 29 de novembro a 4 de dezembro, já está se preparando para receber 40 estudantes de música da cidade americana de Cazadero (Califórnia), interessados em participar de seus workshops.

"Os inconformados com a música de péssima qualidade executada nas rádios encontraram uma bela válvula de escape nos festivais de jazz que surgiram na última década, muitos com ingressos a preços acessíveis ou mesmo gratuitos", observa Maria Alice Martins, que produz desde 2001 o festival Tudo É Jazz, na cidade histórica de Ouro Preto (MG). "Esses festivais motivaram a formação de um público realmente jovem, que procura na internet dados sobre os músicos de jazz, baixa vídeos no YouTube e os compartilha no Facebook. Alguns se inspiram e vão estudar mais seriamente, para se tornarem músicos de jazz. Atualmente, em Minas Gerais, o jazz tem um público bem mais jovem que o do rock, cinquentão."

Apesar da repercussão do Tudo É Jazz, que atrai anualmente turistas de melhor nível cultural e econômico a Ouro Preto, aumentando a arrecadação da cidade, o evento tem enfrentado dificuldades para sua realização desde 2008, quando perdeu seu patrocinador principal. "O cenário para a captação de patrocínio está dificílimo, devido à instabilidade econômica mundial, a catástrofes que se sucedem e à falta de definição de uma política econômica, tanto do governo federal quanto do governo estadual", lamenta a produtora mineira.

Para enfrentar esse e outros entraves do setor, os produtores de oito festivais criaram, no ano passado, a Abrafest (Associação Brasileira dos Produtores de Festivais de Música Instrumental, Jazz e Blues). Entre os primeiros projetos musicais da entidade destaca-se o "Palco Abrafest" - elenco formado por revelações da música instrumental brasileira, indicado pelos membros da associação, que terá um palco específico, ou um horário especial, para se apresentar em todos os festivais organizados pelos associados.

O pianista e compositor André Mehmari, que já participou de festivais de jazz no Brasil e no exterior, reconhece que esses eventos conferem prestígio aos músicos, além de permitir que exibam suas obras a um público mais selecionado, mas faz uma objeção aos critérios na escolha dos elencos de alguns festivais. "Poderia haver mais espaço para os projetos de músicos brasileiros, que não devem nada aos gringos. Imagino que os organizadores dos festivais enfrentem problemas para colocar essa ideia em prática, já que a demanda é por artistas estrangeiros, de preferência com amplo reconhecimento e, invariavelmente, famosos".

                                                                Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto - Foto: Adriana Gallupo


"Fazer um festival de jazz custa muito menos do que um festival de rock", diz Toy Lima, criador e produtor de importantes eventos nessa área, como o Heineken Concerts (1992-2000), o Chivas Jazz Festival (2000-2004) e o Bridgestone Music (2008-2010), observando que também na Europa já é perceptível uma tendência entre os festivais do gênero, no sentido de se programar mais jazz nos próximos anos.

"Alguns festivais da França, como o de Juan-Le-Pins, estão voltando a ser mais puristas, mas isso está acontecendo porque o jazz custa menos para o produtor do que a música pop. Hoje, esses festivais não podem mais pagar um James Taylor, que faz sucesso na Europa até hoje, mas podem pagar um Dave Douglas. Aliás, pode-se dizer que, na música, a qualidade costuma ser inversamente proporcional ao custo do show de um artista. Um festival de rock pode custar 18 vezes mais que um festival de jazz", comenta o produtor paulista.

Com a experiência de ter produzido o Free Jazz, festival que contribuiu ativamente, entre 1985 e 2001, para o crescimento do interesse por essa vertente musical no país, Monique Gardenberg reconhece que hoje é mais fácil se fazer um evento desse gênero. "Claro que ainda existe uma minoria de empresários de artistas que ainda não se deram conta da fertilidade do nosso mercado, da nossa modernidade, e acreditam que estão lidando com algo menor. Eu me divirto bastante quando isto acontece."

Vale lembrar que o Free Jazz não foi o primeiro evento do gênero no país. Realizado em 1978 e 1980, o Festival Internacional de Jazz de São Paulo pavimentou o caminho trilhado pelo Free Jazz e os diversos festivais que o sucederam, não só por ter reunido, em suas duas edições, astros de primeira grandeza do jazz e da música instrumental brasileira, mas também porque os concertos foram transmitidos para o resto do país por meio da TV Cultura e outras emissoras estatais. Graças a esse festival e seus sucedâneos, o jazz passou a ser apreciado por um publico mais amplo e mais jovem, no Brasil.

Algo semelhante está acontecendo hoje, em virtude dessa nova geração de festivais. Um exemplo revelador foi o Jazz na Fábrica, festival realizado durante o mês de maio pelo Sesc Pompeia, em São Paulo. Com um formato inovador, esse evento exibiu 23 atrações musicais - de conceituados jazzistas estrangeiros, como o saxofonista Archie Shepp, o trompetista Christian Scott e a cantora Dee Dee Bridgewater, até instrumentistas nacionais do primeiro time, como Toninho Horta, Arismar do Espírito Santo e a Orquestra Ouro Negro. Quem teve a sorte de acompanhar esses concertos, encontrou um público bem jovem, que aplaudia os improvisos dos músicos com uma euforia típica de torcedores de futebol. Um sinal de que outros festivais de jazz podem vir por aí.

(Reportagem publicada no caderno Eu & Fim de Semana, do jornal “Valor Econômico”, em 3/06/2011)


 

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