New Orleans Jazz Fest 2014: Glen David Andrews voltará a São Paulo e Rio de Janeiro
Marcadores: blues, bruce springsteen, eric clapton, funk, glen david andrews, jazz fest, John Fogerty, Johnny Winter, new orleans, Phish, santana, soul | author: Carlos Calado“Eu nunca tinha feito um show protegido por seguranças, até tocar em São Paulo, cinco anos atrás. Fiquei me sentindo um astro do rock. Foi muito excitante”, diz o músico norte-americano à Folha, por telefone. Refere-se às suas participações no Bourbon Street Fest, no qual voltará a tocar, em São Paulo, Rio e Brasília.
Outra lembrança que Andrews guarda da primeira visita ao país, em 2009, é a de uma apresentação com o cultuado clarinetista e arranjador Paulo Moura (1932-2010). “Tocar com ele foi uma grande honra para mim. Acho que Moura é uma espécie de George Lewis do Brasil”, comenta, comparando o brasileiro ao clássico clarinetista de jazz de sua cidade.
Nascido e criado no bairro de Tremé, lendário reduto de músicos em Nova Orleans, Andrews pertence a uma família de tradição musical que destaca seu irmão Derrick Tabb (baterista da Rebirth Brass Band) e dois primos: o trompetista James Andrews e o cantor e multi-instrumentista Trombone Shorty, hoje astro de prestígio internacional.
“A série ‘Tremé’ foi uma das melhores coisas que já aconteceram para a comunidade musical de Nova Orleans. Ela contribuiu para que milhões de pessoas ouvissem nossa música, na TV, todas as semanas”, afirma Andrews, que participou de vários episódios.
Conhecido por suas performances explosivas, Andrews é um artista que sua a camisa, literalmente, para conquistar e entreter as plateias. Eclético, seu repertório mistura blues, funk, hip hop, rock, R&B, gospel e jazz tradicional.
“Uma das coisas que eu mais gosto no Brasil é ser um lugar onde se ouve muitos tipos de música”, comenta.
Diversidade musical também não falta ao Jazz Fest – termo com o qual os moradores de Nova Orleans se referem, carinhosamente, a seu maior evento, só comparável ao Carnaval. Durante dois finais de semana, no hipódromo local, 11 palcos oferecem mais de 400 shows de jazz, soul, gospel, blues, R&B, folk, rap, zydeco, country, cajun, ritmos caribenhos, até música brasileira e africana.
Nos últimos anos, o aumento de figurões do rock e do pop, na programação, tem sido uma estratégia dos produtores para atrair plateias mais amplas. Eric Clapton, Bruce Springsteen, Santana, Robert Plant, John Fogerty, Phish, Johnny Winter, Alabama Shakes e Arcade Fire estarão entre as atrações dos palcos maiores, nesta edição. A média anual de público é de 500 mil pessoas.
Brasil ganha destaque no evento
O New Orleans Jazz & Heritage Festival tem destacado todos os anos, desde 1996, um país com o qual a cidade tem afinidades culturais. Como já ocorreu em 2000, o Brasil foi o escolhido desta edição.
Porém, se naquele ano o país foi representado pela MPB de Chico César, pelo som instrumental de Hermeto Pascoal e pelos ritmos afros do bloco Ilê Ayiê, entre outros, desta vez os representantes brasileiros serão grupos de expressão regional, como Baiana System (BA), Tizumba e Tambor Mineiro (MG) e o Afoxé Omô Nilê Ogunjá (PE).
“Desde 2000 venho tentando inserir pelo menos um grupo brasileiro no festival, mas, por questões orçamentárias, torna-se difícil levar um artista mais famoso”, justifica a produtora Jo Iazzetti, que atua como consultora do evento.
Segundo ela, os nomes dos cantores Daniela Mercury, Caetano Veloso e Alceu Valença chegaram a ser aprovados pela produção do festival para esta edição, mas, por insuficiência de verba para os cachês ou por falta de parcerias com secretarias de Turismo brasileiras, os contratos não se efetivaram.
Além dos shows em dois palcos dedicados pelo New Orleans Jazz Fest a manifestações musicais da diáspora africana, o Brasil será o destaque do Cultural Exchange Pavilion (Pavilhão de Intercâmbio Cultural). A programação desse espaço inclui exposição fotográfica, demonstrações de muralistas e de artesãos de várias regiões do país, mostra de culinária de rua, exibições de capoeira e de bonecos gigantes do carnaval de Pernambuco.
(Reportagem publicada parcialmente na "Folha de S. Paulo", em 25/4/2014)
"Woodstock": edição britânica do documentário em blu-ray é a mais completa
Marcadores: blu-ray, blues, contracultura, Creedence Clearwater, documentário, jimi hendrix, Joe Cocker, Johnny Winter, mountain, paul butterfield, rock, santana, soul, the who, woodstock | author: Carlos Calado
Uma dica para aqueles que, como eu, depois de acompanhar as reportagens dos jornais e TVs sobre o 40.º aniversário do festival de Woodstock, ficaram com vontade de rever o monumental filme de Michael Wadleigh. Considerado um dos mais influentes documentários em toda a história do cinema, não fosse ele o festival de Woodstock dificilmente teria repercutido tanto. Talvez não tivesse se tornado um grandes ícones da contracultura dos anos 60 e 70, época em que o soul, o blues e o rock eram dominantes na cena musical.
O fato é que a comemoração dos 40 anos de Woodstock gerou novas edições do documentário. Nos Estados Unidos, a Warner lançou duas edições remasterizadas em DVD da "The Director's Cut" (A Versão do Diretor), a mesma lançada pela primeira vez em DVD, em 1997, com 224 minutos de duração (40 minutos a mais do que a primeira versão exibida nos cinemas).
A embalagem mais simples, com dois DVDs, traz como material extra apenas um breve documentário sobre o museu Woodstock, em Bethel (Nova York). Já a caixa "40th Anniversary Ultimate Collector's Edition", com quatro DVDs, vem recheada de souvenirs, como fac-símiles dos ingressos do festival e de bilhetes escritos por alguns de seus frequentadores, além de uma edição especial da revista "Life". Mas o que vale mesmo são as duas horas e meia de material extra, com gravações de Jimi Hendrix, Santana, Johnny Winter, Paul Butterfield, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, The Who, Mountain, entre outros, que não chegaram a entrar no filme.
Claro que mesmo essa edição mais completa em DVD perde, em termos de qualidade de imagem e som, para a versão em blu-ray. A superioridade do blu-ray se mostra não só no caso do documentário, mas especialmente no longo programa "Woodstock: From Festival to Feature", incluído entre o farto material extra. Com 77 minutos e filmado em alta definição, este disseca toda a realização do festival e do filme, por meio de depoimentos do diretor Michael Wadleigh, do produtor executivo do evento, Michael Lang, e do hoje famoso cineasta Martin Scorsese, que chegou a trabalhar na equipe de filmagem, entre outros participantes.
Agora um detalhe curioso que tem irritado os fãs do filme que, nos EUA, chegaram a pagar 70 dólares por edições "exclusivas" em blu-ray da "Ultimate Collector's Edition", lançadas pelas lojas Amazon e Target. A caixa da Amazon traz números inéditos das bandas Grateful Dead, Jefferson Airplane e Country Joe and the Fish; a versão da Target inclui gravações inéditas de Jimi Hendrix, The Who e Canned Heat.
Imagine como os mais fanáticos (aqueles que querem ver, ouvir e possuir "tudo" já lançado sobre Woodstock) se sentiram ao saber que a versão em blu-ray lançada pela Warner no mercado britânico não traz os badulaques das edições norte-americanas, mas inclui todas as faixas inéditas das caixas da Amazon e da Target. Pior ainda: essa edição pode ser comprada na Amazon UK por 13,98 libras (cerca de 23 dólares).
Portanto, se você quer ver ou rever "Woodstock", já tem um player de blu-ray em casa e não faz questão de lembrancinhas, já sabe qual é a versão mais completa e econômica do filme. O BD britânico que comprei pela web roda em qualquer aparelho de blu-ray (é "região livre"), custou cerca de R$ 50, incluindo o frete, e chegou em 12 dias. Mais difícil será arranjar 7 horas livres para ver e ouvir tudo de uma vez só...
