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Áurea Martins: mais reconhecida, cantora carioca emociona no primeiro DVD
Marcadores: Áurea Martins, bossa nova, chico buarque, johnny alf, samba-canção, tom jobim, vinícius de moraes | author: Carlos CaladoÉ difícil não pensar em injustiça, ou mesmo em preconceito, ao ver uma grande cantora, como Áurea Martins, conquistar um reconhecimento mais amplo só após os 70 anos. Para quem ainda não ouviu a voz negra e preciosa dessa intérprete fluminense, que durante meio século brilhou discretamente na noite carioca, o registro do show “Iluminante” (lançamento do selo Biscoito Fino, em DVD e CD) funciona bem como amostra de seu talento.
Em sambas-canções como “Janelas Abertas” (de Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e “Ilusão à Toa” (Johnny Alf), Áurea revela todo seu potencial como intérprete. Elegante, também desfila a voz expressiva por sambas mais gingados, além de cantar a lírica “Modinha” ao lado de Chico Buarque. Com apresentação da atriz Fernanda Montenegro, a edição em DVD inclui faixas extras e um breve depoimento da cantora. “Quando eu era mais nova tive uma fase de revolta, agora não. O que eu dou está aí, de graça, para quem souber aproveitar. Não tenho mágoa”, diz a generosa veterana da noite.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 27/10/2012)
Áurea Martins: a melancolia do samba-canção por uma diva da noite carioca
Marcadores: Áurea Martins, elton medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, moacyr luz, samba, samba-canção, sueli costa | author: Carlos CaladoPérola negra quase escondida por meio século na noite carioca, a cantora Áurea Martins, 70, vê enfim sua voz preciosa ser mais reconhecida. Em “De Ponta Cabeça” (lançamento Biscoito Fino), quarto álbum de sua carreira, ela interpreta 14 canções do letrista Hermínio Bello de Carvalho com vários parceiros.
Profunda conhecedora da dor de cotovelo que caracteriza o samba-canção, Áurea destila emoção ao abordar temas pungentes, como os de “Judiarias” (de Hermínio com Vital Lima), “Quando o Amor Acaba” (com Moacyr Luz) ou “Cobras e Lagartos” (com Sueli Costa), sem jamais perder a elegância.
E mesmo que outras faixas também tragam histórias de desilusões amorosas, os arranjos de Lucas Porto reforçam certa variedade rítmica, seja na abolerada “Acho Que É Você” (de Hermínio e Paulo Vak) ou em sambas mais gingados, como “Sete Dias” (outra com Luz) e “Pressentimento” (com Elton Medeiros).
Está longe de ser um disco de samba para se dançar ou festejar, mas quem pediria isso, em sã consciência, a essa diva da melancolia?
(resenha publicada no Guia Folha - Livros, Discos e Filmes, em 25/2/2011)
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