Milton Nascimento: DVD de 50 anos de carreira traz sucessos e melancolia

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Não é fácil resistir ao apelo de uma efeméride, ainda mais se tratando dos 50 anos de carreira de um artista do quilate de Milton Nascimento, grande compositor e intérprete de uma obra originalíssima que influencia outros músicos pelo mundo até hoje.

O DVD "Uma Travessia" (lançamento Universal), que registra o concerto comemorativo realizado no Rio, em novembro de 2012, oferece quase tudo o que se poderia esperar de um evento semelhante. Acompanhado por alguns dos melhores instrumentistas de Minas Gerais, Milton relembra 23 pérolas de seu repertório: de uma longa versão da triste “Cais” (parceria com Fernando Brant) à já clássica “Travessia”, seu primeiro sucesso.


Também não faltam participações especiais, como as do pianista Wagner Tiso e do cantor e compositor Lô Borges, parceiros de Milton que o acompanharam desde o início. Pena que em alguns momentos o show soe um tanto frio e arrastado. Por mais que tentem ser festivas, efemérides também carregam inevitáveis instantes de melancolia.

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 21/12/2013)

Bourbon Street: clube paulistano festeja 20 anos com seleção de craques de New Orleans

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                                                                              O baixista e cantor Tony Hall

Só o fato de ter sido inaugurado com uma temporada de shows do “rei do blues” B.B. King, em dezembro de 1993, já sugeria que o Bourbon Street Music Club não era uma dessas casas noturnas inventadas para durar apenas um ou dois verões. Hoje, ao festejar seus 20 anos de vida, esse clube paulistano é a mais conceituada casa de jazz, blues e black music da América Latina.

Além de ter apresentado, durante essas duas décadas, centenas de grandes nomes da cena internacional, como Ray Charles, Nina Simone, Marcus Miller, Shirley Horn, Joe Henderson, Betty Carter, Dianne Reeves, Joshua Redman, Diana Krall e John Pizzarelli, o Bourbon Street tornou-se também uma embaixada informal de New Orleans – uma das cidades mais musicais do mundo.

O clube começou trazendo revelações e artistas de destaque na eclética cena musical de New Orleans. Já em 2003 produziu a primeira edição de seu Bourbon Street Fest (inspirado no New Orleans Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos do gênero no mundo), com concertos gratuitos que já reuniram até 50 mil pessoas. Hoje seu festival faz parte do calendário oficial de eventos culturais da capital paulista. 


Para comemorar seus 20 anos, o Bourbon Street anuncia uma temporada – de 10 a 21 de dezembro – com a New Orleans All Stars Band, formada especialmente para essa ocasião, por líderes e integrantes de várias bandas de New Orleans que já se apresentaram com sucesso na casa.

Esta é a formação da NOASB: Erica Falls (vocalista da Nu Beginnings), Lanita Wise (vocalista da Mahogany Blue), Tony Hall (baixista e cantor da The Heroes e da Dumpstaphunk), Kenny Brown (guitarrista da The Heroes, entre outras; na foto acima), Gary Brown (saxofonista e cantor), Kurt Brunus (tecladista da Recreation Band) e Raymond Weber (baterista da The Heroes e da Dumpstaphunk).


Sem recorrer a grandes nomes, o Bourbon Street festeja seu aniversário de uma maneira original: homenageia alguns dos músicos que durante essas duas décadas divertiram suas plateias e contribuíram diariamente para que o clube seja o que é hoje.

Mais informações no site do Bourbon Street Music Club.

Trombone Shorty: revelação de New Orleans volta com mais jazz, soul e R&B

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                                                                          O instrumentista e cantor Trombone Shorty

Só mesmo um músico carismático como Trombone Shorty poderia conseguir algo assim: reunir a formação original da The Meters, lendária banda de funk de New Orleans, que se separou no final dos anos 1970. Zigaboo Modeliste (bateria), Leo Nocentelli (guitarra), Art Neville (teclados) e George Porter Jr. (baixo) se reencontraram para gravar com esse jovem instrumentista e cantor uma nova versão da balada “Be My Lady”. Essa faixa está no recém-lançado álbum de Shorty, “Say That to Say This” (lançamento Verve/Universal), bem produzido por Raphael Saadiq.


Depois de gravar dois discos marcados por incursões pelo hip hop e pelo rock, agora ele se reaproxima do soul e do R&B, em faixas bem dançantes, como “Vieux Carré” e “Shortyville”, ou mesmo do jazz, em “Sunrise” (todas elas de sua autoria). Quem já era fã do talentoso Shorty antes de suas bem sucedidas investidas pelo universo pop, vai gostar mais ainda. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes, edição de 30/11/2013)

 

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