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Alligator Records: conceituado selo de blues volta a ser distribuído no Brasil

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No ano em que festeja o 40º aniversário, a Alligator Records, conceituada gravadora de blues, retorna ao mercado brasileiro após um hiato de quase uma década. Graças à parceria com o selo carioca Delira Música, dez álbuns de seu catálogo já estão disponíveis por aqui.

Baseada em Chicago (EUA), a Alligator é dirigida até hoje por seu fundador, o produtor Bruce Iglauer, entusiasta do blues que distribuía seus primeiros discos com uma caminhonete. "Sou uma espécie de pastor que tenta converter todos à minha religião", disse ele a este repórter, em 1994, quando esteve pela primeira vez em São Paulo, acompanhando a cantora Koko Taylor (1928-2009).

Dona de um vozeirão potente, bem ao estilo do blues clássico de Chicago, Koko está representada no pacote por “Old School” (2007), álbum premiado com o Grammy. Também é homenageada pelo gaitista James Cotton, outro ícone do gênero, que incluiu seu “Blues for Koko” no repertório do CD “Giant” (2010).

Centrado em álbuns inéditos no Brasil, gravados na última década, o pacote mostra também a diversidade do catálogo Alligator. Um exemplo precioso é “Have a Little Faith” (2004), da veterana Mavis Staples, que interpreta com a voz rascante uma emotiva coleção de canções entre o rhythm & blues, o soul e o gospel. Carismática também é Janiva Magness, revelação do R&B, que esbanja talento e garra, em “What Love Will Do” (2008).

O rhythm & blues e o soul estão presentes também, em doses generosas, tanto no dançante repertório do californiano Tommy Castro (“Hard Believer”, 2009), como no saboroso “State of Grace” (2008), do trio The Holmes Brothers, que mistura material próprio e releituras de canções de John Fogerty, Hank Williams e Lyle Lovett.

A diversidade se amplia nos CDs restantes. Quem acha que o sanfoneiro Buckwheat Zydeco limita-se ao gênero típico da Louisiana, que usa como nome artístico, vai se surpreender ao ouvir “Lay Your Burden Down” (2009). Mais inusitado é o álbum do gaitista Corky Siegel, que faz “blues de câmara” com um quarteto de cordas e percussão. Já o também gaitista Rick Estrin está mais próximo do jump blues e do rockabilly dos anos 1950.

O pacote inclui ainda a reedição de um dos best-sellers da Alligator: “Showdown!” (1985), que registra o radiante encontro dos guitarristas Albert Collins, Robert Cray e Johnny Copeland. Um álbum essencial na discoteca de qualquer fã do blues moderno.

(texto publicado no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 29/07/2011)


40.º New Orleans Jazz & Heritage Festival: Erykah Badu, Mavis Staples e Sharon Jones se destacam na primeira semana

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No ano em que o New Orleans Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos musicais do mundo, festeja seu 40º aniversário, as mulheres roubam a cena, em meio à programação recheada de figurões do rock e pop, como Neil Young, Ben Harper, Dave Matthews, Joe Cocker e James Taylor.

Entre as mais de 200 atrações já exibidas nos 12 palcos instalados no hipódromo de New Orleans, cantoras e compositoras de diversos gêneros brilharam durante o primeiro final de semana do eclético festival, que prossegue até dia 3/5.

Última atração do sábado, no disputado palco Congo Square, a divertida Erykah Badu (foto acima) rebolou, provocou a plateia e batucou numa bateria eletrônica. O fato de sua música atual estar mais próxima do hip hop do que do neo-soul que a transformou em estrela da black music, no fim dos anos 90, não a afastou dos antigos fãs. A prova estava no coro que a acompanhou numa psicodélica versão de "On & On", seu primeiro hit.

Antes, na lotada tenda dedicada ao jazz, a ainda pouco conhecida, mas promissora Stephanie Jordan (irmã dos jazzistas Kent e Marlon Jordan, que pertencem a um dos clãs musicais mais importantes da cidade) consagrou-se com um tributo à veterana Lena Horne, acompanhada por uma big band.

Eletrizante como Tina Turner
Já a debochada Sharon Jones jamais pode contar com beleza para ver sua carreira decolar. foi
preciso que Amy Winehouse tomasse "emprestada" sua ótima banda para que a americana começasse a ser apreciada por um público mais amplo. Jones é uma artista eletrizante, como Tina Turner ou Bettye LaVette. Interpreta um irresistível repertório de soul e rhythm'n'blues, fazendo referências a mestres do gênero.

Carisma também não falta à veterana Mavis Staples, que superlotou a Tenda Gospel, na sexta e no domingo. No primeiro show, foi ovacionada por seu arrepiante tributo à matriarca gospel Mahalia Jackson. Mais calcada no rhythm" n'blues e no soul, a segunda aparição da cantora contou com quatro vocalistas, que lembraram com ela sucessos da época dos Staple Singers, como "I'll Take You There" e "Respect Yourself", com uma breve citação de "Respect", o megahit de Aretha Franklin. "Não quero ter problemas com sucessos dos outros", brincou.

Pena que a veterana Etta James, que fechou o programa de domingo, não tenha o mesmo humor. Depois de acusar a cantora Beyoncé de ter se apropriado de seu sucesso "At Last", voltou ao assunto em Nova Orleans: "Ninguém vai roubar essa canção de mim. Ela é minha", disse, com uma amargura desnecessária para uma intérprete tão reconhecida.

(cobertura publicada na “Folha de S. Paulo”, em 29/04/2009; viagem a convite do Bourbon Street Music Club e do festival Bridgestone Music)



 

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