O vocalista de jazz Kurt Elling - Foto de Palma Kolansky/Divulgação
Chamá-lo simplesmente de cantor não faz jus à sua sofisticada concepção musical. Kurt Elling utiliza a voz como um instrumento, na melhor tradição dos grandes vocalistas do jazz – de Louis Armstrong a Jon Hendricks e Mark Murphy, que o influenciaram.
“O jazz é a música por meio da qual eu encontro e interpreto o mundo”, diz o norte-americano de Chicago, em entrevista à "Folha de S. Paulo". Nesta quarta (19/10), ele canta na Sala São Paulo, em concerto beneficente promovido pela Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes Carentes com Câncer).
Num universo musical dominado por cantoras, Elling reinou quase absoluto neste século. A revista especializada “Down Beat” o elegeu “melhor vocalista masculino de jazz” por 14 anos consecutivos. Indicado 12 vezes para o prêmio Grammy, saiu vencedor em 2009, com o álbum “Dedicated for You”.
“Não se ganha muito dinheiro ou fama como cantor de jazz – nada comparado ao que você consegue ao se tornar um astro pop”, ele comenta, tentando explicar a hegemonia feminina. “A maioria dos garotos atraídos pelo jazz prefere tocar um instrumento. E a maior parte dos que evoluem cantando acaba deixando o jazz”.
Em duas décadas de carreira, Elling já lançou 11 álbuns. Nos últimos anos, deixou de se limitar aos "standards" do repertório jazzístico. Em “Passion World” (2015), seu álbum mais recente, ele interpreta canções de vários países, como a cubana “Si Te Contara” (Felix Altuna), a francesa “La Vie em Rose” (Louiguy e Piaf) e a brasileira “Você Já Foi à Bahia” (Dorival Caymmi).
Também já gravou releituras de canções pop de Paul Simon, Sam Cooke e Carole King, no álbum “1619 Broadway” (2012). E recriou sucessos do rock de King Crimson e Beatles, em “The Gate” (2010).
O critério para escolher o repertório é, segundo ele, bem pessoal. “Preciso sentir, de algum modo, minha própria história naquela canção, que ela é capaz de despertar minha memória e meus sentimentos. Também tenho de sentir que posso acrescentar algo meu à história dessa canção no mundo”.
Já na hora de interpretar a canção, ou mesmo de improvisar com a voz, Elling acha que é essencial pensar antes de tudo no ouvinte. “Meu objetivo é criar música para as pessoas, cantar para a plateia. O grande jazz sempre foi feito para as pessoas”, afirma.
Admirador da música brasileira, Elling ressalta que, embora já tenha interpretado clássicas canções de “prodígios da criatividade, como Caymmi, Jobim e Vinicius de Moraes”, costuma estar aberto para aprender com músicos mais jovens.
“O Brasil transborda em talento, diversidade e beleza musical”, elogia, destacando os cantores Seu Jorge e Ana Carolina entre seus favoritos. “Adriana Calcanhotto, Bixiga 70 e Ava Rocha também fazem parte de minha coleção”, acrescenta.
A poucas semanas das conturbadas eleições para a presidência dos EUA, Elling diz acreditar na derrota de Donald Trump.
“É uma catástrofe que esse sujeito intolerante e repulsivo tenha chegado a representar uma face dos Estados Unidos para o mundo. É um insulto para as pessoas de boas intenções em todo o mundo que esse homem tenha recebido tamanho destaque, mas eu acredito que Trump será derrotado por maioria esmagadora”.
(Texto publicado na edição online da "Folha de S. Paulo", em 18/10/2016)
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Kurt Elling: premiado vocalista de jazz traz seu repertório eclético a São Paulo
Marcadores: adriana calcanhotto, beatles, Bixiga 70, carole king, dorival caymmi, jazz, jon hendricks, kurt elling, mark murphy, paul simon, sam cooke, Seu Jorge, tom jobim, vinicius de moraes | author: Carlos CaladoJohn Pizzarelli: guitarrista e cantor relê temas dançantes e baladas de Duke Ellington
Marcadores: duke ellington, jazz, john pizzarelli, kurt elling | author: Carlos Calado
Nos mais de 30 álbuns que já gravou, o cantor e guitarrista norte-americano John Pizzarelli tem feito um apanhado de grandes canções do século 20, não só as compostas em seu país, mas também de pérolas dos Beatles ou de clássicos da bossa nova. No recém-lançado “Rockin’ in Rhythm” (Telarc), ele interpreta 14 composições de Duke Ellington (1899-1974), talvez o maior compositor do jazz.
Com a elegância e o bom humor de sempre, Pizzarelli relê temas mais dançantes, como “Satin Doll” e “I’m Beginning to See the Light”, e baladas românticas, como “Solitude” e “All Too Soon”. Arrisca até uma inusitada fusão da quase centenária “East St. Louis Toodle-oo” com a suingada “Don’t Get Around Much Anymore”. Acerta também na divertida versão de “Perdido”, em parceria com os cantores Kurt Elling e Jessica Molaskey, sua mulher. Nada mal para um artista que já se definiu apenas como “um músico de jazz que gosta de entreter platéias”.
(Resenha publicada no "Guia da Folha - Livros, Discos e Filmes", em 28/5/2010)
Com a elegância e o bom humor de sempre, Pizzarelli relê temas mais dançantes, como “Satin Doll” e “I’m Beginning to See the Light”, e baladas românticas, como “Solitude” e “All Too Soon”. Arrisca até uma inusitada fusão da quase centenária “East St. Louis Toodle-oo” com a suingada “Don’t Get Around Much Anymore”. Acerta também na divertida versão de “Perdido”, em parceria com os cantores Kurt Elling e Jessica Molaskey, sua mulher. Nada mal para um artista que já se definiu apenas como “um músico de jazz que gosta de entreter platéias”.
(Resenha publicada no "Guia da Folha - Livros, Discos e Filmes", em 28/5/2010)
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