Novos Talentos do Jazz: inscrições para grupos instrumentais vão até 30/4

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                                                                   O pianista Vitor Arantes, vencedor do concurso em 2017

Alguns dos principais festivais brasileiros de jazz e música instrumental organizaram um concurso que incentiva o cultivo dessas vertentes musicais entre os jovens. Com inscrições abertas até 30/4, o Novos Talentos do Jazz 2018 é dirigido a grupos instrumentais de residentes em todo o território nacional, formados por músicos com até 30 anos de idade.

Promovido pela Rede Nacional de Festivais de Jazz e Música Instrumental, essa competição oferece a possibilidade de os selecionados exibirem sua música em cinco conceituados eventos nacionais: Savassi Festival (Belo Horizonte, MG), Sampa Jazz Fest (São Paulo, SP), POA Jazz Festival (Porto Alegre, RS), Festival de Jazz & Blues (Guaramiranga, CE) e TUM Sound Festival (Florianópolis, SC).

Mais informações neste link: Edital - Novos Talentos do Jazz 2018

Makiko Yoneda: pianista mostra como a música pode aproximar culturas diversas

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                                                                               A pianista japonesa Makiko Yoneda

Talvez nenhum outro país admire tanto a música brasileira quanto o Japão -– algo facilmente perceptível em qualquer visita a cidades como Tóquio ou Kyoto. Foi essa paixão musical que levou a pianista Makiko Yoneda a se radicar em nosso país. Tanto que, no show de lançamento de “Brasileirismo”, seu primeiro disco (anteontem, no teatro do Sesc Consolação, em São Paulo), Makiko fez questão de agradecer à própria música brasileira por tê-la trazido ao Brasil, onde enveredou pelo caminho musical que segue hoje.

No palco, ao lado da pianista e compositora japonesa estavam o baterista Marcio Bahia e o baixista Jamil Joanes, conceituados instrumentistas brasileiros, que também a acompanham no álbum. Em saborosas composições próprias, como “Baião Partido”, “Maracatu” e “Não Posso Ver um Boteco”, Makiko combina ritmos brasileiros com influências da música clássica, marcadas pelo característico lirismo japonês.

Vale a pena conhecer o álbum de Makiko Yoneda e seu trio: nesta época tão conflituosa que vivemos neste planeta, “Brasileirismo” demonstra de maneira criativa como a música pode aproximar dois povos de culturas bem diversas.  






Trio Corrente e Hamilton de Holanda: encontro musical radiante numa noite triste

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                                             Paulo Paulelli, Fábio Torres, Edu Ribeiro e Hamilton de Holanda

Num dia tão triste para o Brasil (marcado pelo anúncio da iminente prisão do ex-presidente Lula), o show de quatro dos mais talentosos instrumentistas brasileiros serviu de bálsamo para quem estava na plateia do Sesc Vila Mariana, ontem, em São Paulo. Não bastasse a sofisticada musicalidade de Fabio Torres (piano), Edu Ribeiro (bateria) e Paulo Paulelli (contrabaixo), integrantes do Trio Corrente, a noite contou ainda com a participação especial de outro craque da música instrumental: o bandolinista Hamilton de Holanda.

“Esta é uma noite para se tocar muito”, disse Hamilton, sintetizando em poucas palavras a tristeza que muitos ali presentes certamente estavam sentindo. O repertório do show, com destaque para três composições de Tom Jobim, soou especialmente escolhido para a ocasião. Afinal, poucos compositores brasileiros compreenderam tão bem as contradições e belezas deste país quanto esse mestre da bossa nova.

Uma bela versão da melancólica “Retrato em Branco e Preto” e criativas releituras de “Chovendo na Roseira” e “Passarim” deixaram um recado no ar, sem a necessidade de recorrer a palavras. Não faltou também um toque de bom humor, presente na versão do samba “Maracangalha” (de Dorival Caymmi). O que seria de nós sem a música?



Vitoria Maldonado: parceria com Ron Carter reativa carreira da cantora paulistana

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Vitoria Maldonado é uma cantora de sorte. Com dois discos lançados desde os anos 1990, a também pianista e compositora paulistana pode ver sua carreira (até hoje desenvolvida em relativo “low profile”) ganhar um impulso internacional. Ninguém menos que o norte-americano Ron Carter, um dos contrabaixistas mais cultuados na cena do jazz, gostou de sua voz delicada e a convidou a gravar um disco com seu quarteto. Essa parceria pode ser ouvida no CD “Brasil L.I.K.E.” (selo Summit Records), já distribuído pela Tratore no mercado brasileiro.

No repertório, standards do jazz, como “They Can’t Take That Away From Me” (dos irmãos Gershwin) e “Night and Day” (Cole Porter), surgem em versões com sabor de bossa nova, ao lado de clássicos da MPB, como “Lugar Comum” (João Donato e Gilberto Gil) e “Se Todos Fossem Iguais a Você” (Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Gene Lees), em versão para o inglês, além de composições de Carter e Vitoria. A produção do disco é assinada por Ruriá Duprat, que também escreveu os arranjos para sua Brasilian Orchestra.

Três convidados especiais presentes nas gravações voltaram a acompanhar a cantora no show de lançamento do álbum (no Sesc Belenzinho, em São Paulo, no último dia 25/3): o violonista Roberto Menescal, o saxofonista Nailor Proveta e o veterano gaitista Omar Izar. Para a seção rítmica, foram convocados outros três craques da música instrumental paulistana: Michel Freidenson (teclados), Sylvinho Mazzuca (contrabaixo) e Duda Neves (bateria).

O jazzista Ron Carter não participou desse show de lançamento do álbum “Brasil L.I.K.E.”, mas, nos bastidores, comentava-se que um reencontro com Vitoria, em palcos brasileiros, ainda pode acontecer.






André Abujamra: compositor paulista estreia o ambicioso projeto "Omindá", sua obra-prima

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                                                                               André Abujamra, no show-filme "Omindá"

O humor frequenta a música e as apresentações de André Abujamra há décadas, mas desta vez esse inventivo compositor, instrumentista e ator paulista está falando sério, no melhor sentido da expressão.

“Omindá - A União das Almas do Mundo pelas Águas” (show-filme que estreou ontem, no palco e no telão do Auditório Ibirapuera, em São Paulo) é sua obra-prima. Difícil defini-la em poucas palavras, mas não deixa de ser uma coleção de belas canções inspiradas pelas relações do ser humano com a água.

Não é à toa que André tem dito em entrevistas que já pode morrer feliz. Dedicou-se por 11 anos a esse projeto, incluindo viagens para 14 países da Europa, da Ásia e das Américas. Editar tantas imagens e participações de dezenas de cantores e instrumentistas (como Anelis Assumpção, Mauricio Pereira, Paulinho Moska, Ritchie, Marcos Suzano, Mintcho Garrammone, Trupe Chá de Boldo ou a atriz Maria de Medeiros, entre outros)  deve ter sido uma tarefa difícil, mas André pode se orgulhar do resultado, não só pela mensagem humanitária que transmite, mas especialmente pela encantadora beleza das melodias e arranjos.

Surpreende também o fato de um projeto tão ambicioso como esse ter sido realizado sem qualquer patrocínio. André bancou toda a produção com o que ganha, principalmente, como compositor de trilhas sonoras. Um caso muito raro de artista que coloca sua música em primeiro lugar.

Para quem não pode apreciar o show-filme “Omindá” ao vivo, as inspiradoras canções de André já estão registradas no CD homônimo. Mas se você vive ou está em São Paulo não perca a chance de ver e ouvir o compositor e guitarrista à frente de uma pequena orquestra recheada com muita percussão e um coro, tocando e cantando ao vivo durante a projeção do filme (até domingo, 25/3). É uma experiência emocionante, daquelas que ficam em nossa memória por muito tempo.

Nublu Jazz: Neneh Cherry e Bebel Gilberto fecham oitava edição do festival

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                                                                          A cantora Neneh Cherry, no Nublu Jazz Festival

Numa noite dominada pelas mulheres, o Nublu Jazz Festival encerrou sua oitava edição, ontem, em São Paulo. A plateia que lotou a comedoria do Sesc Pompeia vibrou quando a cantora sueca Neneh Cherry (enteada do grande trompetista de jazz Don Cherry) homenageou Marielle Franco, a vereadora e ativista de direitos humanos assassinada dias atrás, no Rio de Janeiro. 

Carismática e elegante, Neneh ofereceu aos fãs de São Paulo o privilégio de conhecer em primeira mão o repertório inédito de seu próximo disco. Seu discurso é bem politizado, mas, curiosamente, algumas das canções são delicadas, realçadas por uma instrumentação pouco comum: harpa, piano acústico, teclados eletrônicos e percussão.


Já a cantora Bebel Gilberto, que abriu a noite, demonstrou coragem ao se lançar em uma apresentação bastante improvisada com três instrumentistas – o tecladista Ilhan Ersahin (criador do clube nova-iorquino que gerou o festival), o guitarrista Dave Harrington e o baterista Kenny Wollesen. Na prática, foram quase dois shows, já que entre as aparições viajandonas de Bebel, o trio mergulhou em improvisos instrumentais bem soltos, com um pé na vanguarda.

Duofel: violonistas festejam 40 anos de carreira com convidados especiais

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                                                         Fernando Melo e Luiz Bueno, do Duofel - Foto: Gal Oppido 

São poucos os grupos musicais que conseguem se manter ativos durante 40 anos. Mais raros ainda são aqueles, como o Duofel, que construíram sólidas obras musicais, calcadas em gravações relevantes e projetos criativos. Desde 1978, quando decidiram formar esse duo de violões, os autodidatas Fernando Melo e Luiz Bueno jamais abriram mão de fazer música instrumental com personalidade própria. 

“Não temos preconceitos musicais. A gente gosta de experimentar todos os tipos de música”, observa o paulista Bueno, que conheceu o alagoano Melo em 1976, quando tocavam guitarra e baixo, respectivamente, na banda de rock progressivo Boissucanga. A seriedade da dupla já se mostrava em seu projeto inicial: para se aprofundarem nos meandros da rítmica brasileira, os dois viajaram meses pelo interior de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, pesquisando manifestações folclóricas e ritmos musicais, como o maracatu, o baião e a embolada.

Na década de 1980, a produtiva parceria de sete anos com a cantora Tetê Espíndola deflagrou uma extensa série de encontros que o Duofel tem realizado com instrumentistas e cantores de diversos gêneros musicais: do vanguardista compositor e pianista paranaense Arrigo Barnabé ao percussionista paulista João Parahyba (presente em “As Cores do Brasil”, o primeiro álbum da dupla, gravado em 1990, na Alemanha); do percussionista indiano Badal Roy ao genial multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, que praticamente adotou o duo, em 1993.

“Hermeto é nosso padrinho. A convivência com ele abriu nossos horizontes musicais”, comenta Melo. Graças aos inventivos arranjos que o “bruxo” de Lagoa da Canoa idealizou para “Kids of Brazil” (álbum que o Duofel gravou nos EUA, em 1996), o interesse da dupla em pesquisar novas sonoridades e diferentes afinações para seus violões cresceu mais ainda.

A maior conquista do Duofel durante essa trajetória de quatro décadas, na opinião de Bueno, foi se dar o direito de abordar qualquer gênero musical, sempre adotando uma linguagem própria. Não foi à toa que, para gravar “Duofel Plays The Beatles” (2009), o disco mais popular lançado até hoje pelo duo, ele e Melo esperaram mais de uma década até imprimir a assinatura musical da dupla nesse projeto de releituras de sucessos do quarteto britânico.

“Só quando sentimos que a gente já poderia se divertir tocando Beatles, nós gravamos o disco”, diz Bueno. Essa “diversão” se apoiou em um método intuitivo de harmonização e arranjo, que ele e o parceiro desenvolveram com o tempo. “Geralmente, os caras que fazem arranjos usam toda a estrutura harmônica da música e traçam um caminho. A gente faz o contrário: lembramos da música e já saímos criando. Gostamos de partir da criatividade, harmonizando a música sem ficarmos presos ao original”, observa Melo.

Hoje, somando mais 150 composições editadas, sete trilhas sonoras, treze álbuns e três DVDs, o Duofel comemora 40 anos de carreira musical, num ambiente em que sempre se sentiu muito à vontade: tocando ao vivo. E como costuma fazer há décadas em seus projetos, não dispensa a companhia inspiradora e criativa de antigos e novos parceiros.

Finalmente, aquela pergunta inevitável: como o próprio Duofel explicaria essa longevidade tão incomum no cenário musical, em meio a tantos artistas e bandas descartáveis? “Nosso envolvimento com a música é muito intenso, até um pouco insano, em relação à vontade de que ela esteja sempre ‘up to date’, seja com instrumentos, sonoridades, experimentações ou repertórios. Nosso grande barato é fazer esse som que só o Fernando e eu sabemos fazer juntos”, conclui Bueno. Sorte dos fãs de diversas gerações do Duofel, que desfrutam essa brilhante parceria musical há quatro décadas.


DUOFEL 40 ANOS

Show no Sesc 24 de Maio (r. 24 de Maio, 109, região central de São Paulo/SP). 
Dia 10/3 (sábado), às 21h; dia 11/3 (domingo), às 20h.
Convidados: Hermeto Pascoal, Carlos Malta, Robertinho Silva, Benjamim Taubkin e Dani Black (no dia 10/3); Hermeto Pascoal, Arismar do Espírito Santo, Simone Soul e Raul Misturada (no dia 11/3).
Ingressos à venda no site do Sesc SP: www.sescsp.org.br  








Egberto Gismonti: compositor e instrumentista encantou a platéia do Bourbon Street

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Ver e ouvir um músico de altíssimo quilate a poucos metros de distância já seria por si só um privilégio, mas a apresentação de Egberto Gismonti, ontem, no clube paulistano Bourbon Street, superou qualquer expectativa.

Numa noite especialmente iluminada, o compositor e multi-instrumentista revisitou diversas joias de seu repertório, como “Caravela”, “Raga” e “Dança das Cabeças” –- esta introduzida por uma carinhosa menção ao saudoso percussionista Naná Vasconcelos (1944-2016), com o qual gravou um de seus discos mais cultuados.


Gismonti também divertiu a plateia do Bourbon Street, contando saborosos “causos” extraídos de suas andanças pelo mundo, que envolvem outros grandes músicos e/ou parceiros musicais, como o mestre da bossa nova Tom Jobim, o violonista Baden Powell, o contrabaixista Charlie Haden e o saxofonista Jan Garbarek.


E não bastassem tantas delícias numa única apresentação, o pianista ainda surpreendeu os fãs com uma personalíssima releitura do choro “Carinhoso”, de Pixinguinha. Que noite!





New Orleans Jazz Fest 2018: será que Aretha Franklin vai aparecer desta vez?

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Desde que a produção do New Orleans Jazz & Heritage Festival divulgou a programação oficial de sua 49ª edição, que será realizada de 27/4 a 6/5, os admiradores de Aretha Franklin (a maior intérprete da soul music, na opinião de críticos conceituados) já começaram a se perguntar: “Será que desta vez ela vai aparecer mesmo”?

A dúvida se justifica, já que a cantora (hoje com 75 anos) cancelou apresentações anunciadas nesse festival em 2009 e 2010. Para tranquilizar os frustrados fãs locais, Quint Davis, produtor do evento, avisou que desta vez ela reservou quatro dias de hotel na cidade e que terá a seu lado, no show do dia 28/4, uma banda grande com seção de sopros, piano de cauda, órgão e alguns vocalistas. Mais um detalhe importante: como Aretha tem medo de viajar de avião, segundo Davis, ela fará o percurso Detroit-New Orleans de ônibus.

A programação desta edição do Jazz Fest (é assim que a população de New Orleans o chama) destaca outros nomes de peso na área da soul music e do rhythm & blues, como o veterano compositor e cantor Smokey Robinson, a cantora Anita Baker, a banda Maze e o cantor e compositor Charlie Wilson (ex-The Gap Band). Sem falar em Irma Thomas, estrela local conhecida como “rainha do soul de New Orleans”. É ela quem abre o vídeo de divulgação do Jazz Fest 2018, cujo link está ao final deste texto.

Se você nunca esteve em New Orleans, ao ler entre os destaques do festival os nomes de vários medalhões da pop music e do rock, como Aerosmith, Sting, Jerry Lee Lewis, David Byrne, Beck, Jack White, Steve Miller Band ou Jack Johnson, pode ficar com uma impressão errada. Embora destine grande parte da programação de seus dois palcos maiores a atrações de rock e pop, o Jazz Fest reserva outros oito palcos ao jazz, ao blues, ao gospel, ao soul e ao rhythm and blues, à música caribenha, ao zydeco e outros ritmos da Louisiana -– ou seja, a todas as manifestações musicais que fazem parte da herança afro-americana nos Estados Unidos.

Por isso, entre os mais de 400 shows desta edição, há astros de vários gêneros da música negra: como os jazzistas Ron Carter, Dianne Reeves, Archie Shepp, Charles Lloyd, Marcus Miller, Terence Blanchard e Ellis Marsalis; os bluesmen Buddy Guy, John Mayall e a banda The Fabulous Thunderbirds; ou ainda carismáticas bandas locais, como Galactic, Dirty Dozen Brass Band, Soul Rebels, Big Sam’s Funky Nation, Bonerama e a Rebirth Brass Band, entre outras, que misturam vários ritmos em seus repertórios.

Aliás, é impressionante a variedade de gêneros musicais que são cultivados na cosmopolita New Orleans, quase sempre com alta qualidade. Não é à toa que mais de 90% da programação do Jazz Fest é reservada a atrações locais: do hip-hop da divertida banda Tank & The Bangas ao jazz contemporâneo do excelente quarteto Astral Project; do blues moderno de Walter “Wolfman” Washington ao irresistível funk da Ivan Neville’s Dumpstaphunk, que também estarão no programa desta edição.

No ano em que New Orleans comemora 300 anos, o Jazz Fest vai reservar seu último domingo para festejar essa efeméride. Também vai contar com o Pavilhão do Intercâmbio Cultural, onde acontecerá uma programação diária de shows, exposições e degustação de pratos típicos que remetem à influência de povos europeus, orientais e hispânicos na formação cultural da cidade. 


Atualização (em 16/3/2018): A produção do New Orleans Jazz & Heritage Festival anunciou hoje que Aretha Franklin cancelou sua apresentação. Segundo a nota oficial, "extremamente desapontada", a cantora foi obrigada por seu médico a abandonar as viagens e descansar por pelo menos dois meses. Aretha será substituída, no show de 28/4 em New Orleans, pelo cantor Rod Stewart. 

Conheça a programação completa e outras informações sobre o 49º New Orleans Jazz & Heritage Festival no site oficial do evento: www.nojazzfest.com



Festivais em 2018: roteiro de eventos de jazz, música instrumental e blues pelo Brasil

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Aqui você encontra um roteiro com as atrações musicais dos principais festivais brasileiros já anunciados para 2018. É atualizado regularmente para que os fãs do jazz, da música instrumental brasileira, da bossa nova, do choro, do blues, do soul e da black music possam se programar com antecedência.  

                                                      O pianista Amaro Freitas, atração do 5º RioMar Jazz Fest

5° RioMar Jazz Fest
Quando e onde: de 27 a 30/4/2018, em Recife (PE)
Atrações: Kenny Brown, Victor Biglione & Alma Thomas, Amaro Freitas, Jesuton, Carlos Bala, Alexandre Cunha, Ramon Montagner, Uptown Blues Band, George Israel e Tambora 3
riomarrecife.com.br/arquivos/hotsites/jazzfestival/page/perfil.php

10.º Bourbon Festival Paraty
Quando e onde: de 25 a 27/05/2018, em Paraty (RJ)
Atrações: a serem anunciadas
www.facebook.com/bourbonfestivalparaty

7.º Santos Jazz Festival
Quando e onde: de 26 a 29/07/2018, em Santos (SP)
Atrações: a serem anunciadas
www.santosjazzfestival.com.br/

8.º Jazz na Fábrica 
Quando e onde: agosto de 2018, no Sesc Pompeia (São Paulo, SP)
Atrações: a serem anunciadas
www.sescsp.org.br






















Festivais já realizados em 2018:


1.º Cunha Fest
Quando e onde: de 25 a 28/1/2018, em Cunha (SP)
Atrações: Serial Funkers convida Ed Motta, Big Time Orchestra convida Tiago Abravanel, Folk It All convida Leo Mancini, Trouble Doll convida Heloá Holanda, Fernando Rios - "Viva Tim e Ben", Vasco Faé, Orleans Street Jazz Band 
www.cunha.sp.gov.br


3.º Gravatá Jazz Festival
Quando e onde: de 10 a 13/02/2018, em Gravatá (PE)
Atrações: Earl Thomas & Just Groove com Igor Prado, Amaro Freitas Trio, Victor Biglione & Alma Thomas, Blues Etílicos, Uptown Blues Band, Blues Explosion (Gustavo Andrade e Jefferson Gonçalves), Quinteto Violado e outras 
www.facebook.com/gravatajazzfestival

19.º Festival Jazz & Blues 
Quando e onde: de 10 a 13/2/2018, em Guaramiranga (CE); 15 e 16/2/2018, em Fortaleza (CE)

Atrações: Dori Caymmi, Juarez Moreira, Arismar do Espírito Santo, Filó Machado, Adriano Grineberg, Gustavo Andrade e Jefferson Gonçalves, Filipe Catto, Waldonys com Big Band Unifor, Duo Estro Cuba, Davi Duarte, Nilton Fiore, André de Sousa, Gustavo Cocentino, Roberto Lessa, Rodrigo Morcego, Trio Guará, Netinho de Sá, Robertinho Marçal, Lu D'Sosa, Rebeca Cãmara, Natanael Pereira, Igor Ribeiro, Marilia Lima, Rafael Barbosa, Divas do Blues e outras
www.jazzeblues.com.br

8.º Nublu Jazz Festival
Quando e onde: de 15 a 17/03/2018, no Sesc Pompeia (São Paulo, SP) e no Sesc São José dos Campos (SP)
Atrações:  Neneh Cherry, Morcheeba, Seun Kuti & Egypt 80, Shabaka Hutchings, Ilhan Ersahin, Kenny Wollesen, Dave Harrington, Bebel Gilberto, G T'Aime e outras. 
nublujazzfestival.com/

Jazz & Blues Festival
Quando e onde: 29/3/2018, como parte da programação do evento Caruaru por Paixão, em Caruaru (PE) 
Atrações: Uptown Blues Band, George Israel, Allycats Band e Joanathan Richard

2º Festival Ilhabela Bossa & Choro
Quando e onde: de 6 a 8/4/2018, em Ilhabela (SP) 
Atrações: Wanda Sá com César Camargo Mariano, Paula & Jaques Morelenbaum, Toninho Horta & Alaíde Costa, BossaCucaNova com Roberto Menescal, Gian Correa Quinteto, Viva Tim & Ben e outras 
www.facebook.com/ilhabelabossaechoro/


"Dorival": craques da música instrumental redescobrem belezas de Caymmi

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                                                   André Mehmari, Rodolfo Stroeter, Tutti Moreno e Nailor Proveta 

Ontem à noite, assim que a plateia começou a deixar o teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, eu ainda estava sob o impacto emocional das belezas que acabara de ouvir, quando uma espectadora expressou bem o que fora aquele show.

“Essa música faz bem para a nossa alma”, ela disse. Quem esteve lá ou pelo menos já ouviu “Dorival”, o belíssimo disco que o baterista Tutty Moreno, o contrabaixista Rodolfo Stroeter, o pianista André Mehmari e o clarinetista Nailor Proveta acabam de lançar, sabe que o grau de empatia e inspiração musical que esse quarteto emana é algo raro de se encontrar em palcos ou nos estúdios de gravação. 

Sensível como de hábito, o maestro Proveta também sintetizou bem o significado desse projeto instrumental calcado na obra do grande Dorival Caymmi: “Nós precisamos disso. O Brasil precisa dessa música”. 

Não deixa de ser um consolo sentir que, ao menos no campo musical, ainda podemos nos orgulhar deste país tão complicado.



Discos de 2017: 50 álbuns recomendados de jazz, música instrumental e MPB

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De cara já vou avisando: esta não é uma lista de “melhores” discos de 2017. São tantos os lançamentos na área musical, pulverizados hoje em inúmeros selos independentes e veiculados por meio de diversas plataformas digitais, que é praticamente impossível a qualquer critico ou jornalista especializado ter acesso a toda essa produção, seja no Brasil, muito menos no exterior. 

Na lista que segue, você também não vai encontrar aqueles artistas que os grandes veículos de informação tanto martelaram e ajudaram a divulgar durante o ano passado, geralmente por causa de seus supostos recordes de vendagem ou exposição massiva nas redes sociais, não por méritos musicais. Em três décadas de atividade como crítico especializado, jamais valorizei números de vendas, atitudes marqueteiras ou orientação sexual. Para mim, música tem a ver, antes de tudo, com melodia, harmonia, ritmo, poesia e sensibilidade.

Por isso, aqui vai uma lista com 50 álbuns de música instrumental brasileira, MPB, jazz ou até de música clássica, aos quais tive acesso durante 2017 e que eu recomendo com ênfase. São discos que merecem figurar nas coleções de qualquer um que aprecia essas vertentes musicais. Ou de quem está aberto a ampliar seus horizontes musicais. Aproveite!





Airto Moreira - “Aluê” (Sesc) – Só o fato de esse grande percussionista, catarinense radicado há cinco décadas nos EUA, jamais ter gravado um disco seu no Brasil, já faz desse projeto algo especial. Além de apresentar três composições inéditas, Airto revisita temas de seus discos, como “Misturada” e “Sea Horse”. 

Alessandro Kramer - “Alessandro Kramer Quarteto” (Borandá) – Não confunda este acordeonista e compositor gaúcho com os “gaiteiros” mais típicos dos pampas. Embora domine essa tradição musical, Alessandro se destaca por sua formação eclética, que inclui o choro, a música clássica e o jazz – aliás, improvisa como poucos.

Amaro Freitas - “Sangue Negro” (independente) – Para quem aprecia música instrumental, é muito estimulante ver surgir um talento como esse pianista e compositor pernambucano de 26 anos, que mistura referências jazzísticas e regionais. Seu inusitado frevo-balada “Subindo o Morro” é de uma beleza encantadora.

Amilton Godoy e Léa Freire - “A Mil Tons” (Maritaca) – A flautista paulista reverencia a obra do pianista e compositor, ex-integrante do lendário Zimbo Trio, tocando com ele em duo. No repertório, belezas de Amilton como “Santa Cecilia” e “Teus Olhos”, além das suingadas “Três Irmãos” e “Teste de Som”.

André Marques Sexteto - “DiverCidades” (independente) – O brilhante pianista paulista (integrante do grupo de Hermeto Pascoal) prossegue sua pesquisa de ritmos brasileiros. Cururu, catira, chacareira e maracatu são alguns dos ritmos que inspiraram as novas composições de André, que ele interpreta com seu sexteto.

Antônio Adolfo - “Hybrido - From Rio to Wayne Shorter” (AAM) – Muito bem acompanhado, o pianista carioca apresenta saborosos arranjos para composições Wayne Shorter, um dos grandes saxofonistas e autores do jazz norte-americano. Pérolas como “Ana Maria” e “Beauty and the Beast” ganham suingue brasileiro.

Antônio Meneses e André Mehmari - “AM 60 AM 40” (Sesc) – Para quem não acredita em fronteiras entre o que se convenciona chamar de música clássica e música popular, nada mais estimulante do que este encontro do cultuado violoncelista com o virtuose do piano. No repertório, peças de Bach, Piazzolla, Jobim e Mehmari.

Arismar do Espírito Santo - “Flor de Sal” (Maritaca) – A verve humorística desse grande músico paulista, multi-instrumentista e compositor, já vem expressa nos títulos de faixas que integram seu álbum. Quem mais batizaria composições como a saltitante “Saci de Crocs” ou o vertiginoso samba-jazz “Tubarão na Coleira”? 





Banda Mantiqueira - “Com Alma” (Sesc) – A big band paulista festeja 25 anos em grande estilo. Revisita composições próprias, homenageia os mestres Moacir Santos, Tom Jobim, João Bosco e Dizzy Gillespie. E conta com participações especiais do trompetista Wynton Marsalis e do violonista Romero Lubambo.

Benjamim Taubkin, Itamar Doari e João Taubkin - “O Pequeno Milagre de Cada Dia” (Núcleo Contemporâneo) – Quem já assistiu ao belo documentário “O Piano que Conversa” (de Marcelo Machado) vai reconhecer algumas destas sensíveis conversas musicais do pianista com a percussão do israelense Doari e o baixo de João.

Breno Ruiz - “Cantilenas Brasileiras” (independente) – Revelação na área da canção, o pianista e cantor de Sorocaba (SP) estreia com uma sólida coleção de composições. Entre choros e valsas, há até lundus e modinhas de sabor moderno, com letras assinadas por ninguém menos que Paulo César Pinheiro.

Carlos Ezequiel - “Circular” (independente/Tratore) – Jazz contemporâneo e música instrumental brasileira da melhor qualidade, no álbum desse baterista e compositor alagoano, que vive em São Paulo. O quinteto de Ezequiel destaca o saxofonista norte-americano David Binney e o guitarrista norueguês Lage Lund.

Chico Buarque - “Caravanas” (Biscoito Fino) – A espera de seis anos valeu. Em composições como a contagiante “Massarandupió” (parceria com o neto Chico Brown) e a impactante “As Caravanas”, que não deve nada às suas obras-primas, Chico Buarque mostrou a fãs e desafetos que continua a ser um craque da canção.

Cibele Codonho - “Afinidade” (Eldorado). A cantora paulistana, ex-integrante do grupo vocal A Três, interpreta com classe conhecidas canções de João Bosco, Milton Nascimento, Dori Caymmi e Ivan Lins, entre outros. Participações do violonista Filó Machado e do cantor Mark Kibble (do grupo vocal Take 6).

Cleber Almeida Septeto - “Música de Baterista” (independente) – Não se iluda pelo título. A música desse inventivo baterista, integrante do Trio Curupira, valoriza bastante melodias e harmonias, além dos ritmos. É o que revelam seus belos arranjos e composições como “Livre”, “Subjetiva” e “Vó Landa Vó Cema”.

David Feldman - “Horizonte” (independente) – Participações de Raul de Souza (trombone) e Toninho Horta (violão e voz) valorizam a arte desse pianista carioca. Faixas como a sensível “Navegar”, a balada “Tetê” e a bossa “Sliding Ways” provam que o talento de Feldman também se estende à área da composição. 



Deangelo Silva - “Downriver” (independente) – Mais uma revelação recente da fértil cena musical de Belo Horizonte (MG). Vencedor do prêmio BDMG Instrumental 2017, o pianista estreia em disco com repertório autoral, marcado por sofisticadas referências jazzísticas e admirável habilidade nos improvisos.

Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise - “Dos Navegantes” (Biscoito Fino) – Belezas de Edu, como “Valsa Brasileira” e “O Circo Místico” (parcerias com Chico Buarque), entre outras, ganham aqui versões despojadas, com o próprio autor e dois craques da música instrumental: Lubambo (violão) e Senise (flauta).

Fabiana Cozza - “Ay Amor!” (Biscoito Fino) – Ao gravar este tributo ao carismático “cantautor” cubano Bola de Nieve (1911-1971), a cantora paulista dá, literalmente, um show de interpretação. Difícil não se emocionar ao ouvir suas versões das pungentes canções “Vete de Mi” ou “Be Careful, It’s My Heart”.

Fábio Torres - “De Cara pro Sol” (independente) – Pianista do premiado Trio Corrente, Fábio reúne 11 composições em seu segundo álbum autoral. Aqui explora formações camerísticas e solos de piano. A balada “Caroline” e a valsante “Pra Esquecer das Coisas Úteis” são apenas algumas das belezas desse projeto.

Grooveria - “Moto Contínuo” (independente/Tratore) – O samba e a black music se misturam no terceiro álbum desse coletivo paulista. Em meio a contagiantes composições próprias, as releituras de “Jorge Maravilha” (Chico Buarque) e “Berimbau” (Baden e Vinicius) já fazem sucesso há anos nos shows da Grooveria.

Guinga + Quarteto Carlos Gomes - “Avenida Atlântica” (Sesc) – As cordas do Quarteto Carlos Gomes emprestam sonoridades clássicas a novos arranjos de composições de Guinga, como “Saci” e “Odalisca”. Reforçam também o tom emotivo de canções mais recentes, como a instrumental “Tom e Vinícius” e a belíssima “Meu Pai”.

Gustavo Bombonato - “Novos Horizontes Apontam” (independente) – Uma boa surpresa a estreia deste pianista de Votuporanga (SP). Tocando composições próprias, como as jazzísticas “Cone de Fogo” e “Mr. Spaik”, ele traz a seu lado músicos de alto quilate, como Nenê (bateria) e Alberto Luccas (contrabaixo). 



Heloísa Fernandes - “Faces” (Borandá) – A talentosa pianista paulista criou o material desse álbum e o gravou depois de enfrentar risco de morte. Assim nasceram composições como “Mergulho” e “As Três Graças”, que revelam a sensibilidade e a habilidade de Heloísa para improvisar, com emoção à flor da pele.

Hermeto Pascoal & Big Band - “Natureza Universal” (Natura Musical) – Ausente dos estúdios havia 15 anos, o genial bruxo de Lagoa da Canoa (AL) lançou dois álbuns em 2017. Aqui sua “música universal” é traduzida para o formato orquestral. A imagem de seu discípulo Jovino Neto é perfeita: uma cachoeira de sons.

Hermeto Pascoal & Grupo - “No Mundo dos Sons” (Sesc) – Neste álbum duplo, Hermeto toca com os ótimos músicos de seu sexteto. Entre as 18 faixas há homenagens a Miles Davis, Tom Jobim, Ron Carter, Chick Corea e Astor Piazzolla. Depois de um longo hiato sem discos do bruxo, nada como ouvi-lo em dose dupla.

Igor Willcox - “#1” (independente) – O jazz de fusão dos anos 1970 e 1980 é a referência para várias das faixas do primeiro álbum do baterista e compositor paulista. Com participação especial do trombonista Bocato e o órgão de Vini Morales, o jazz-soul “Julie’s Blues” é uma das faixas mais contagiantes.

Isca de Polícia - “Isca - Volume 1” (Elo/Tratore) – A banda do incrível Itamar Assumpção (1949-2003) lança o primeiro disco sem ele. Fiel ao espírito musical de seu mentor, mas sem saudosismo, a Isca segue em frente com canções próprias e parcerias com Arrigo Barnabé, Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro.

Jaques Morelenbaum, Marcos Suzano, Benjamim Taubkin e outros - “Música na Serrinha” (Nucleo Contemporâneo) – Músicos de diversos países criando coletivamente durante o Festival de Artes da Serrinha (2015). Inclui DVD com documentário de Marcelo Machado, que registrou essa vivência artística.  



Jovino Santos Neto e André Mehmari - “Guris” (Adventure Music) – A ideia é inusitada: dois grandes pianistas celebram em duo a música de Hermeto Pascoal. No repertório, clássicos do bruxo, como “Aquela Valsa” e “Igrejinha”, além de composições de Jovino e André. O próprio homenageado surge em três faixas.

Lilian Carmona, “The First” (Sesc) – Primeiro álbum da experiente baterista paulista. Os saborosos arranjos de Débora Gurgel, Julinho Figueiredo, Pablo Zumarán e Bruno Alves para o bem escolhido repertório, assim como as feras que integram a banda, explicam a vontade de se ouvir este disco outras vezes.

Makiko Yoneda - “Brasileirismo” (independente) – Japonesa radicada em São Paulo, a pianista e compositora confirma sua afinidade com a música instrumental brasileira. Acompanhada por Jamil Joanes (baixo) e Marcio Bahia (bateria), craques do gênero, ela mistura ritmos brasileiros e referências clássicas com sensibilidade.

Mani Padme Trio - “Vô o” (Baticum) - Cubano que escolheu São Paulo para viver, o pianista Yaniel Matos integra esse inventivo trio com o baixista Sidiel Vieira e o baterista Ricardo Mosca. Com sentimento e bastante liberdade, eles releem canções de Milton Nascimento e Dorival Caymmi, assim como tocam material autoral.

Mário Adnet - Saudade Maravilhosa” (Sesc) – Uns dos grandes arranjadores brasileiros, Adnet exibe neste álbum belas composições de sua autoria, acompanhado por músicos cariocas do primeiro time. Completando o repertório, arranjos de “Viver de Amor” (Toninho Horta e Ronaldo Bastos) e “Caravan” (Ellington).

Marcus Santurys, Luiz Bueno e Alexandre Lora - “Gangha Indian Groove” (Fine Music). A instrumentação, com cítara e tablas, é típica da música indiana tradicional, mas o repertório é inusitado. “Raga Blues” e “Samba da Áurea” estão entre as surpresas oferecidas por esse trio adepto de fusões contemporâneas. 




Monica Salmaso - “Caipira” (Biscoito Fino) – A cantora paulista garimpou mais uma coleção de pérolas. Canções que remetem ao universo caipira, assinadas por Cartola, Passoca, Gilberto Gil e Roque Ferreira, entre outros, ganham brilho especial graças aos arranjados despojados e ao canto sublime de Monica.

Nelson Ayres e Ricardo Herz - “Duo” (independente) – Um inspirado encontro de duas gerações da música instrumental brasileira. O pianista e o violinista (cujo trio também lançou neste ano o ótimo álbum “Torcendo a Terra”) tocam composições próprias, como a lírica “Céu de Outono” (Ayres) e a “Valsa Tímida” (Herz).

Neymar Dias - “Feels Bach” (Estúdio Monteverdi/ Tratore) – Depois de interpretar canções dos Beatles com sua viola caipira, o virtuoso violeiro e contrabaixista encara o desafio de dedicar um álbum a obras de Bach (1685-1750). E não é que ele consegue que a viola soe barroca sem perder seu sotaque caipira?

Pó de Café - “Terra” (independente) – O grupo instrumental de Ribeirão Preto (SP) tem se superado a cada álbum. Desta vez recria pérolas da canção caipira, usando sonoridades jazzísticas e muita improvisação. A releitura da moda de viola “Rio de Lágrimas” (de Tião Carreiro, Piraci e Santos) é uma delícia.

Prettos - “Essência da Origem” (independente) – Craques do samba paulista, Magnu Sousá e Maurilio de Oliveira comandavam o Quinteto em Branco e Preto. Agora em dupla, eles celebram a diversidade desse gênero musical, em composições que vão do partido alto ao sambalanço, incluindo até influências da black music.

Rafa Castro - “Fronteira” (independente) – “Casulo”, a primeira faixa, já estimula a atenção do ouvinte com sua atmosfera de sonho. Participações especiais de Monica Salmaso (voz) e Teco Cardoso (sax soprano) referendam a música inventiva desse compositor e vocalista mineiro, que traz Milton Nascimento entre suas influências.

Rafael Martini - “Suíte Onírica” (independente) – Este projeto do talentoso compositor mineiro é ambicioso, no melhor sentido do termo: uma suíte em cinco movimentos, que se referem aos estágios do sono. Martini conta com um coral e a Orquestra Sinfônica da Venezuela. O (delirante) texto é assinado por Makely Ka.

Renato Borghetti e Yamandu Costa - “Borghetti Yamandu” (Natura Musical) – Encontro de dois brilhantes instrumentistas gaúchos. O gaiteiro e o violonista mergulham com virtuosismo na tradição musical dos pampas, tocando rancheiras e temas folclóricos, como “Prenda Minha”, além de composições de Borghetti.

Theo de Barros - “Tatanaguê” (independente) – Autor da clássica “Disparada” (com Geraldo Vandré), o compositor carioca mostra outras belas canções – 13 delas letradas por Paulo César Pinheiro. A escolha do cantor Renato Braz para interpretar quase todas soa perfeita, assim como a participação de Monica Salmaso.




Tulio Araujo - “Monduland” (independente) – Na música cosmopolita desse percussionista mineiro, o pandeiro é protagonista. Clássicos choros de Pixinguinha (“Um a Zero”) e Garoto (“Lamentos do Morro”) dividem o repertório do álbum com composições de Araújo, cujos arranjos revelam influências jazzísticas. 

Tutty Moreno, Rodolfo Stroeter, André Mehmari e Nailor Proveta - “Dorival” (Pau Brasil) – Esses craques da música instrumental recriam com muita liberdade clássicos de Dorival Caymmi, como “Dora” e Só Louco”. Vale lembrar que, duas décadas atrás, esse mesmo quarteto gravou o cultuado álbum “Forças D’Alma”.

Vento em Madeira - “Arraial” (Maritaca) – A sensação de prazer ao tocar, que esse quinteto paulista transmite em suas apresentações, também está estampada em seu terceiro álbum. Faixas como “Samba do Lana” e “Pintou Um Grilo” (composições da flautista Lea Freire”) revelam alegria pura em forma de música.

Vinícius Gomes - “Resiliência” (Blaxtream) – À frente de seu quinteto formado por outros craques da cena instrumental paulistana, o talentoso guitarrista e violonista assina as 10 faixas de seu primeiro álbum autoral. Emoções garantidas ao se ouvir a nervosa “Êxodo” (com Fernando Amaro) e a lírica “Ano Novo”.

Xenia França - “Xenia” (Natura Musical) – Baiana radicada em São Paulo, ela ainda é mais conhecida como vocalista da banda Aláfia. Neste estimulante álbum solo, recheado de referências da black music, da percussão afro-baiana e até do jazz, Xênia aborda com leveza temas como racismo e emancipação feminina.

Zélia Duncan e Jaques Morelenbaum - “Invento +” (Biscoito Fino) – Não leve o título do álbum à risca. A cantora e o violoncelista interpretam 14 canções de Milton Nascimento, num projeto marcado pela simplicidade. Ainda assim as despojadas releituras da dupla realçam belezas menos evidentes desse precioso repertório.


 

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