Paulo Braga, André Vasconcellos e Cuca Teixeira: trio estreia no palco do Sesc Pompeia

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Três músicos de destaque na cena instrumental brasileira vão se encontrar pela primeira vez em um palco, no próximo final de semana, em São Paulo. A inédita reunião do pianista Paulo Braga com o baixista André Vasconcellos e o baterista Cuca Teixeira é uma iniciativa do projeto Encontros Instrumentais a série mensal de shows, que o Sesc Pompeia vem realizando desde o ano passado.

Tive o prazer de conversar com os três, por telefone, para escrever o texto que segue abaixo, a convite da equipe de programação do Sesc Pompeia. Paulo, André e Cuca me disseram que já se admiravam à distância e se mostraram bem animados com a oportunidade de tocarem juntos. Quem gosta de música instrumental ou de jazz sabe que esse tipo de encontro pode render boas surpresas.

 Encontros Instrumentais


No campo da música instrumental, os trios – especialmente os formados por piano, baixo e bateria – já são considerados clássicos. Desde a eclosão da bossa nova, no final dos anos 1950, trios como o Bossa 3 ou o Zimbo Trio serviram de veículos para a evolução da linguagem instrumental brasileira. Não é diferente no universo do jazz: do original Nat King Cole Trio ao contemporâneo The Bad Plus, muitos trios tem trazido inovações para esse gênero musical.

“Como o trio é uma formação reduzida, sobra mais espaço sonoro para ocupar. Outros caminhos se abrem”, comenta o brasiliense André Vasconcellos, talentoso contrabaixista e compositor que, depois de acompanhar mestres da MPB, como Djavan e Gilberto Gil, hoje integra a banda de Hamilton de Holanda. Animado com a oportunidade de tocar pela primeira vez com Paulo Braga e Cuca Teixeira, André aposta: “Sei que eles, músicos de altíssimo nível dos quais sou fã, costumam abrir muitos caminhos”.

Paulo também se declara estimulado por esse desafio. “Justamente porque ainda não tocamos juntos, esse pode ser um caminho para chegar a uma identidade única. O trio é uma formação tão clássica que o grande desafio é tentar não soar como algum trio conhecido”, observa o eclético pianista e compositor paulista, que já atuou como solista de orquestras, como a paulista Jazz Sinfônica ou a londrina Royal Philharmonic, assim como mantém há décadas a parceria com o vanguardista Arrigo Barnabé.

“O trio oferece muita liberdade para os músicos. No caso da bateria, sobra mais espaço para improvisar, o que eu gosto de fazer, particularmente”, admite o paulistano Cuca, que já percutiu seus pratos e tambores ao lado de estrelas da MPB, como Marina Lima e Maria Rita, assim como improvisou com mestres do jazz norte-americano, como o guitarrista George Benson ou o saxofonista Lee Konitz. 

A ideia de entrar num palco quase sem ensaiar certamente amedrontaria outros músicos, mas não os experientes integrantes desse trio. “A gente fala o mesmo idioma, a mesma língua musical. Cada um de nós traz seu vocabulário pessoal para uma conversa”, observa André, comparando os improvisos da música instrumental e do jazz a um bate-papo. “Quando seu parceiro improvisa, você presta atenção no que ele propõe, algo como uma reflexão musical, para também poder contribuir com seu ponto de vista”.

“A música instrumental é um idioma. Com ele a gente pode conversar sem abrir a boca”, concorda Cuca, que recorre a outra inusitada metáfora. “Ao se improvisar uma música, ela pode ser vista como um autódromo. Os músicos é que vão definir as tangências de cada curva. Ou seja, a música tem uma forma que serve de regra para os improvisos. Quem tem o domínio musical consegue percorrer esse trajeto de várias maneiras”.

A plateia do Sesc Pompeia pode se considerar privilegiada por acompanhar os primeiros encontros desse trio promissor. Tudo indica que a música instrumental brasileira acaba de ganhar mais um veículo possante, capaz de encarar suas curvas melódico-harmônicas, no ritmo certo, e com muita criatividade. 

ENCONTROS INSTRUMENTAIS No Sesc Pompeia (r. Clelia, 93, região oeste de São Paulo), dia 26/3 (sábado), às 21h, e dia 27/3 (domingo), às 19h. Ingressos: de R$ 9 a R$ 30. Mais informações no site do Sesc SP.

1 Comentário:

Cris Machado disse...

Minha opção de pianista, compositor e arranjador preferido com parceiros hiper músicos. Indiscutivelmente imperdivel!!

 

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