Cuidado! Kenny G ainda está vivo e voltou para entediar o New Orleans Jazz Fest

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                                                                                                          Foto: Carlos Calado

Não deixa de ser uma grande ironia: no mesmo dia em que a notícia da morte do terrorista Osama bin Laden tomou conta dos Estados Unidos e do noticiário mundial, uma figura quase tão nefasta (ao menos para muitos fãs do jazz) surgiu, literalmente, pela porta dos fundos, no New Orleans Jazz & Heritage Festival.

Sim, quase duas décadas depois de dominar as paradas de sucessos e as trilhas sonoras para elevadores e salas de espera de consultórios médicos com seu muzak grudento, quando ninguém mais já se preocupava com ele, Kenny G ressurgiu em New Orleans com o mesmo visual de anjo barroco decrépito e o mesmo som apelativo.


Talvez desconfiando que seu poder de atração já não é mais o mesmo, ele decidiu surpreender a platéia com um número quase circense. Em vez de entrar no palco, preferiu a porta dos fundos da tenda de jazz e postou-se no meio da platéia, cercado de guarda-costas e policiais.


Óbvio como toda sua “obra”, ensaiou um breve pot-pourri de alguns hits, terminando a pantomima com a caquética exibição de respiração circular, a mesma que seus fãs mais surdos teimam em aplaudir há décadas como um prodígio musical, quando se trata de um mero exercício físico.


Arrogante, ele ainda ensaiou uma gracinha carregada de inveja, antes de subir ao palco. “Obrigado por estarem aqui. E por não terem ido ao show do John Legend”, disse, com a maior cara de pau.


Detalhe revelador: esse atleta soprador de saxofone mal conseguiu atrair publico suficiente para ocupar todas as cadeiras da tenda de jazz, que meia-hora antes ficara abarrotada durante o concerto de Terence Blanchard.
E Legend atraiu pelo menos dez vezes mais de público do que seu suposto concorrente fanfarrão.

Por essas e outras não pude deixar de pensar em uma anedota que um músico de jazz (não consigo me lembrar qual) me contou na década de 90. “Se você tivesse um revólver com duas balas e à sua frente estivessem Hitler, Mussolini e Kenny G, em quem você atiraria?”, ele perguntou. “Essa é difícil”, respondi. “Pois é, mas eu daria os dois tiros no Kenny G”, ele disse. O cara estava coberto de razão.

13 comentários:

Federowski disse...

Acho que a cara do Miles Davis nessa foto resume tudo

Carlos Calado disse...

Demais essa foto, Federowski! Eu nem usaria o nome desse picareta e o do Miles numa mesma frase.Incrivel ver os dois juntos!

Albino Junior disse...

Foto mítica. hehe

Mas é igualmente engraçado notar que o único post da primeira página que tem comentário é esse. A música do Kenny G pode ser ruim, mas que ele ainda chama a atenção, ah isso chama.

Carlos Calado disse...

Pois é, Albino. Como outros supostos artistas tão populares, que chamam atenção pela mediocridade, Kenny G está para o jazz assim como Paulo Coelho está para a literatura, Romero Britto para as artes plásticas ou Silvester Stallone para o cinema.
Uma lista, aliás, enorme...

Scubidu disse...

Calado, vim ler o seu artigo sobre o Kenny G (já começa pelo nominho). E veja que eu não exagerei ao te perguntar: vc tinha uma arma de chumbinho em mãos?

Abraços!

Flavio

Carlos Calado disse...

Flavio, acho que o Kenny G já virou uma piada tão grande, que o mais adequado seria mesmo empremer uma enorme torta de creme na cara dele. Afinal, o cara não passa de um grande palhaço (sem querer ofender os reais profissionais do picadeiro, que eu respeito). Talvez, por saber o quanto é capaz de irritar quem gosta de música de verdade, ele tenha entrado cercado de seguranças e policiais, para evitar alguma manifestação mais violenta. O cara realmente desperta os baixos instintos de muita gente... Abraço

jazz34 disse...

Uma das piores pragas do sax soprano, tão bem executado por Coltrane, Shorter entre outros.
Sua música é mais inserida em vídeos de casamento, batizado, quinze anos e sei o quê.
Kenny adota a mesma fórmula há anos:
sax meloso+melodias grudentas= música para odiar ou fugir dela.

Federowski disse...

Não gosto de fazer propaganda, mas acho que nesse caso, é apropriado: http://blueandsentimental.blogspot.com/2011/06/kenny-g-as-palhetas-de-charlie-parker-e.html

Albino Cheganças Junior disse...

Carlos, é verdade. Vide que o "Kenny G" bom faz menor sucesso, que é o Garrett. Já agora, gostaria de saber a sua opinião sobre a grande quantidade de crianças e jovens que foram atrás de aulas de saxofone por causa do Kenny G. Você pensa ser válido o fato de que um músico medíocre pode levar muitas pessoas a aprender um instrumento? Por último, você acredita que o Chris Botti é o Kenny G do trompete, como já li e ouvi algumas vezes? rs

Abraços!

Albino Cheganças Junior disse...

Obs.: quem escreveu e disse que o Chris Botti é o Kenny G do trompete foram outras pessoas. Na pergunta pode dá a entender que me refiro à você.

Carlos Calado disse...

Albino, se o Kenny G realmente levou alguns garotos a estudar saxofone, ao menos terá deixado algo de positivo como seu legado (desde que esses futuros músicos não sejam clones do Kenny G). Quanto ao Botti, não conheço a obra dele o suficiente para emitir uma opinião como essa.

Noslew disse...

IN-VE-JA, e a respiração circular e trabalho do maxilar nos graves executados pelo narigudo cabeludo, são únicos no mundo. Sou saxofonista à 20 anos, concordo que as melodias do cara são massantes e as vezes até irritam, mas o cara é bom sim e o dominio que ele tem do instrumento nem John Coltrane e Charlie Parker tiveram.

Carlos Calado disse...

Noslew, eu também estudei e toquei saxofone durante uns 10 anos e, apesar de discordar totalmente de você, respeito sua opinião. Música é muito mais do que tocar bem um instrumento. Ficar exibindo a respiração circular no palco, durante dois minutos, não é arte, muito menos música. É circo.

 

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