"Woodstock": edição britânica do documentário em blu-ray é a mais completa e econômica

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Uma dica para aqueles que, como eu, depois de acompanhar as reportagens dos jornais e TVs sobre o 40.º aniversário do festival de Woodstock, ficaram com vontade de rever o monumental filme de Michael Wadleigh. Considerado um dos mais influentes documentários em toda a história do cinema, não fosse ele o festival de Woodstock dificilmente teria repercutido tanto. Talvez não tivesse se tornado um grandes ícones da contracultura dos anos 60 e 70, época em que o soul, o blues e o rock eram dominantes na cena musical.
O fato é que a comemoração dos 40 anos de Woodstock gerou novas edições do documentário. Nos Estados Unidos, a Warner lançou duas edições remasterizadas em DVD da "The Director's Cut" (A Versão do Diretor), a mesma lançada pela primeira vez em DVD, em 1997, com 224 minutos de duração (40 minutos a mais do que a primeira versão exibida nos cinemas).
A embalagem mais simples, com dois DVDs, traz como material extra apenas um breve documentário sobre o museu Woodstock, em Bethel (Nova York). Já a caixa "40th Anniversary Ultimate Collector's Edition", com quatro DVDs, vem recheada de souvenirs, como fac-símiles dos ingressos do festival e de bilhetes escritos por alguns de seus frequentadores, além de uma edição especial da revista "Life". Mas o que vale mesmo são as duas horas e meia de material extra, com gravações de Jimi Hendrix, Santana, Johnny Winter, Paul Butterfield, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, The Who, Mountain, entre outros, que não chegaram a entrar no filme.
Claro que mesmo essa edição mais completa em DVD perde, em termos de qualidade de imagem e som, para a versão em blu-ray. A superioridade do blu-ray se mostra não só no caso do documentário, mas especialmente no longo programa "Woodstock: From Festival to Feature", incluído entre o farto material extra. Com 77 minutos e filmado em alta definição, este disseca toda a realização do festival e do filme, por meio de depoimentos do diretor Michael Wadleigh, do produtor executivo do evento, Michael Lang, e do hoje famoso cineasta Martin Scorsese, que chegou a trabalhar na equipe de filmagem, entre outros participantes.
Agora um detalhe curioso que tem irritado os fãs do filme que, nos EUA, chegaram a pagar 70 dólares por edições "exclusivas" em blu-ray da "Ultimate Collector's Edition", lançadas pelas lojas Amazon e Target. A caixa da Amazon traz números inéditos das bandas Grateful Dead, Jefferson Airplane e Country Joe and the Fish; a versão da Target inclui gravações inéditas de Jimi Hendrix, The Who e Canned Heat.
Imagine como os mais fanáticos (aqueles que querem ver, ouvir e possuir "tudo" já lançado sobre Woodstock) se sentiram ao saber que a versão em blu-ray lançada pela Warner no mercado britânico não traz os badulaques das edições norte-americanas, mas inclui todas as faixas inéditas das caixas da Amazon e da Target. Pior ainda: essa edição pode ser comprada na Amazon UK por 13,98 libras (cerca de 23 dólares).
Portanto, se você quer ver ou rever "Woodstock", já tem um player de blu-ray em casa e não faz questão de lembrancinhas, já sabe qual é a versão mais completa e econômica do filme. O BD britânico que comprei pela web roda em qualquer aparelho de blu-ray (é "região livre"), custou cerca de R$ 50, incluindo o frete, e chegou em 12 dias. Mais difícil será arranjar 7 horas livres para ver e ouvir tudo de uma vez só...

7º Bourbon Street Fest: São Paulo recebe oito atrações musicais de New Orleans

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Musical e festiva como raras cidades no mundo, New Orleans está bem representada na 7ª edição do Bourbon Street Fest, que começa neste sábado, com entrada franca, no parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento destaca duas atrações inéditas no país: a bem-humorada pianista e cantora de rhythm & blues Marcia Ball e o jovem cantor e trombonista Glen David Andrews, revelação das bandas de metais da cidade. Quem fecha esse programa é o tecladista e cantor Kurt Brunus, bem conhecido por aqui.

Ball e Andrews voltam a se apresentar durante as cinco noites de shows, no Bourbon Street Music Club, a partir de terça (dia 18). Também inéditos por aqui, a cantora e pianista Carol Fran e o trio do organista Joe Krown, especialista em funk ao estilo de Nova Orleans, têm talentos de sobra para agradar a platéia.

De volta ao festival, o trombonista Big Sam comanda sua incendiária banda Funky Nation. Outro que retorna à cidade é o trompetista e cantor LeRoy Jones (na foto acima), seguidor de Louis Armstrong e mestre nos improvisos do jazz tradicional. Também não poderia faltar o zydeco, gênero dançante típico da Louisiana (e próximo do nosso forró), que será defendido pela banda Sunpie & The Sunpots. Festa garantida.

(publicado no “Guia da Folha”, em 14/08/2009)

New Orleans: a volta por cima de uma cidade que vive em clima de festa

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A proximidade do 7º Bourbon Street Fest, que começa no dia 15, em São Paulo (a programação completa está disponível no site do festival), me fez lembrar do show de encerramento, em 2005.
Naquele domingo ensolarado, já se sabia que New Orleans corria um grande perigo, por causa da iminente aproximação do furacão Katrina. Não foi por outra razão que, ironicamente, em meio à música festiva que cantores e instrumentistas da cidade exibiram no palco instalado à frente do Bourbon Street Music Club, era possível sentir uma certa preocupação no ar.

Muitos daqueles artistas nem conseguiram voltar para New Orleans, no dia seguinte. A tragédia desencadeada pelo Katrina é conhecida e deixou sequelas das quais a cidade ainda não se livrou, especialmente em suas áreas periféricas.
Dezenas de milhares de habitantes não retomaram suas casas até hoje, seja por falta de condições econômicas ou de auxílio do Estado norte-americano.

Por outro lado, o Jazz & Heritage Festival, um dos pilares do turismo da cidade, voltou a atrair as grandes multidões que costumavam frequentá-lo antes do Katrina. Não importa que o evento esteja recorrendo hoje a figurões do rock, como Jon Bon Jovi ou Robert Plant, para inflar suas bilheterias. Um festival tão eclético e gigantesco não corre o risco de se descaracterizar por meia dúzia de atrações mais apelativas.

O texto que vou postar em seguida foi escrito quatro anos atrás, ainda sob o impacto da tragédia provocada pelo Katrina. Fico satisfeito por ter conseguido
vislumbrar, naquele momento de dor e tristeza, que os artistas e moradores comuns de New Orleans teriam força suficiente para enxugar as lágrimas e dar a volta por cima.


UMA CIDADE CAPAZ DE DANÇAR EM SEU ENTERRO

Quem teve a sorte de conhecer Nova Orleans sabe que, além da impressionante diversidade musical que a cidade transpirava a cada esquina, ali também havia um ambiente especial. Sem a sisudez de outras cidades dos Estados Unidos, Nova Orleans cativava pela descontração, pelos sorrisos freqüentes que se viam tanto nas ruas do turístico French Quarter, como entre os edifícios do Central Business District.

Na verdade, nem seria preciso ir até à cidade para se captar essa atmosfera. Basta ouvir algum dos vários gêneros musicais cultivados ali, seja o rhythm & blues, o funk, o gospel, o zydeco ou o jazz das bandas de metais, todos eles marcados por uma carga de alegria que praticamente seduz o ouvinte, levando-o a sorrir ou mesmo dançar. Não era à toa que, até a chegada do furacão, qualquer dia era dia de festa, nas ruas, bares e clubes noturnos da capital musical da Louisiana.

Dois anos atrás, recém-chegado à cidade para cobrir mais uma vez o gigantesco New Orleans Jazz & Heritage Festival, evento que levava anualmente cerca de 500 mil pessoas ao Fair Grounds (o hipódromo local), tive a sorte de presenciar um dos rituais mais originais e característicos da cultura de Nova Orleans.

Ao cruzar a Canal Street, a longa avenida que se estende do rio Mississipi ao lago Pontchartrain, encontrei um ruidoso cortejo. Centenas de pessoas, incluindo grandes astros da música local, como os cantores Dr. John, Irma Thomas e Deacon John, desfilavam pela avenida, numa homenagem ao veterano guitarrista Earl King, mestre do blues de Nova Orleans, que morrera na véspera.

Celebração
Animada pelo som estridente dos trompetes e trombones das bandas Rebirth Brass Band e Young Men Olympian Junior Benevolent, incluindo alguns índios do Mardi Gras (o Carnaval local), a procissão prosseguiu por outras ruas da cidade, em direção ao Armstrong Park. Fechando o cortejo, dentro de uma carruagem negra puxada por cavalos, vinha o caixão do saudoso bluesman. Porém, em vez de lágrimas e olhares tristes, o que se via era uma celebração festiva, com os seguidores dançando e cantando pelas ruas. Alguns até portavam sombrinhas coloridas, além de grandes fotos do homenageado.

Rituais como esse, que pouco tinham a ver com as compenetradas tradições britânicas, eram bastante comuns em Nova Orleans já no século 19. Trata-se, segundo antropólogos e historiadores, de uma espécie de sincretismo, que teve origem em rituais e práticas semelhantes existentes em algumas regiões da África e da Europa.

Assim como algumas expressões musicais bem características de Nova Orleans, esse festivo ritual funerário reforça as diferenças culturais que a cidade revela frente ao resto dos Estados Unidos. Para isso contribuiu sua formação étnica e social. Uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, New Orleans tornou-se um borbulhante caldeirão cultural graças às contribuições de franceses, espanhóis, ingleses, irlandeses, eslavos, italianos, gregos e cubanos, além, é claro, dos africanos que chegaram até ali na condição de escravos.

O ambiente cosmopolita que já dominava a cidade, no final do século 19, explica seu distanciamento da conservadora doutrina luterana que proliferou pelo resto do país. Em Nova Orleans, graças ao contato direto entre negros e brancos, a música e a dança integravam a vida social. O prazer era visto como algo saudável e legítimo.

Incubadora do jazz
Traços culturais como esses também ajudam a explicar o papel essencial que Nova Orleans desempenhou na gestação do jazz. Hoje já se sabe que chamá-la de “berço do jazz” é um exagero que virou senso comum, mas não há dúvida de que a cidade desempenhou o papel de grande incubadora nessa criação musical.

Tendo isso em mente, ao ver hoje as tristes imagens de uma Nova Orleans submersa e devastada, penso que nem tudo está perdido. Essa cidade tão original e criativa existiu até hoje graças às pessoas, especialmente os artistas que ali nasceram e trabalharam, relacionando-se de uma forma inédita naquele país, em meio a contexto cultural e racial muito particular.

Lembrando da alegria sonora de John Boutté, Ivan Neville, Davell Crawford, Terrance Simien e Corey Henry, músicos de Nova Orleans que se apresentaram aqui em São Paulo, no último domingo (ironicamente, horas antes de verem sua cidade ser destruída), torço para que, enxugadas as lágrimas, eles e seus conterrâneos sejam capazes de cantar e dançar no aparente enterro de sua cidade. E que usem a animação de sempre para fazê-la reviver.

(Artigo publicado na “Folha de S. Paulo”, em 4/09/2005)


Mostra "Prata da Casa 10 Anos": novos talentos retornam ao Sesc Pompéia

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Começa hoje à noite, em São Paulo, a mostra “Prata da Casa 10 anos”. Dedicado a revelar novos talentos da música brasileira, o essencial projeto do Sesc Pompéia, do qual tive o prazer de ser curador entre 2000 e 2003, comemora sua primeira década de vida, exibindo uma seleção de 43 instrumentistas, cantores, compositores e bandas. A tarefa dos sete curadores, que participaram de uma enquete para definir esse elenco, foi dificílima. Dezenas e dezenas de outros artistas mereceriam estar no palco do Sesc Pompéia durante essa mostra. Posto a seguir texto que escrevi para o folder do evento que está sendo distribuído à platéia. Os shows da mostra “Prata da Casa 10 Anos” prosseguem até 30 de agosto.



A EXTINÇÃO DA CRÍTICA (E O PRAZER DE UM CURADOR)

Uma espécie em extinção. Esta é a primeira imagem que tem vindo à minha mente, nos últimos anos, sempre que sou chamado a discutir o papel do crítico na imprensa. Basta dar uma olhada rápida nos grandes jornais do país, para se perceber que essa antiga prática do jornalismo cultural está se perdendo. Quanto mais os jornais aderem ao fútil e desmiolado culto às celebridades que se vê por aí, menos espaço sobra para a crítica.

Não me refiro a essas avaliações de discos ou shows, expressas em esquemáticas estrelinhas precedidas por rápidas opiniões sem fundamentos musicais ou estéticos, que ainda freqüentam os jornais. A mera expressão do gosto pessoal de alguém não deveria ser chamada de crítica. A verdadeira crítica exige mais espaço e um esforço maior por parte de quem tenta praticá-la. É preciso contextualizar a obra em questão, conhecer e discutir suas referências e influências estéticas. Deve-se tentar entender quais são as intenções do artista, respeitar seu trabalho; não apenas julgá-lo, muito menos diminuí-lo se ele não se encaixar nos parâmetros de nosso gosto pessoal.

Foram critérios como esses que utilizei durante os dois anos e meio em que exerci, com grande prazer, a curadoria do Prata da Casa. Ouvindo e analisando as gravações de tantos compositores, intérpretes e instrumentistas, alguns bem jovens, outros já mais experientes, tive a certeza de que, diferentemente do que repetem os mal informados de plantão, este país não para de produzir talentos musicais.

Graças à curadoria no Prata da Casa pude conhecer artistas promissores dos mais distantes pontos do país, e sempre fiz questão de que essa diversidade, tanto geográfica como musical, estivesse representada em minha seleção. Vê-los em cena, realizando o sonho de se apresentar em um palco tão conceituado como o do Sesc Pompéia, foi uma experiência gratificante. Bem mais prazerosa do que alguns desses shows e discos de celebridades, que o ofício da crítica nos obriga, de vez em quando, a encarar. (CC)



New Orleans: 10 dicas musicais e turísticas dessa cidade, incluindo o Jazz Fest

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                                                                                              Photos by Carlos Calado

As dicas musicais e turísticas que vou postar em seguida foram encomendadas pela revista “TAM Nas Nuvens”. Trata-se de um breve roteiro de lugares e programas musicais em New Orleans, cidade que já tive o prazer de visitar dez vezes, nove delas especialmente para acompanhar o Jazz & Heritage Festival, como enviado da “Folha de S. Paulo”.

Duas coisas chamaram minha atenção logo que conheci essa cidade. Em primeiro lugar, o bom humor e a simpatia das pessoas que vivem ali. Além disso, em New Orleans, você pode ouvir música praticamente o tempo todo: nas ruas, nos restaurantes, nas lojas, no mercado, no aeroporto, em qualquer lugar.

O que mais me encanta é como uma cidade relativamente pequena, que chega a ser esnobada por norte-americanos ignorantes de outras regiões do país, pode ser tão musical. Em New Orleans você encontra centenas de artistas completos, que compõem e interpretam música de altíssima qualidade, em qualquer gênero: jazz, blues, R&B, gospel, soul, funk, rock, zydeco e outras vertentes locais.

Só uma cidade tão musical teria condições de produzir um evento gigantesco como o Jazz & Heritage Festival, que só perde em tamanho para o Mardi Gras (o carnaval local), mas está longe de ser o único evento desse gênero. Outras dezenas de festivais de música acontecem ali durante todo o ano. Por essas e outras, meu roteiro pessoal de New Orleans só poderia começar pelo Jazz Fest (é assim que os moradores da cidade o chamam).


DEZ RAZÕES PARA CONHECER NEW ORLEANS

JAZZ & HERITAGE FESTIVAL

Para os fanáticos por música, o melhor período para visitar New Orleans vai da última semana de abril ao primeiro final de semana de maio. É nessa época que acontece o Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos musicais do planeta, que festejou 40 anos em 2009. Com 12 palcos espalhados pelo Fairgrounds, o hipódromo da cidade, esse megafestival oferece cerca de 500 atrações ao ar livre. O elenco é bem eclético: astros do jazz, da black music, do rock e da música africana, além de figurões do blues, do soul, do gospel e outros gêneros locais. Como disse antes, já acompanhei nove edições do Jazz Fest e não vejo a hora de voltar.

BOURBON STREET

Turistas e baladeiros dos mais diversos cantos do mundo se divertem, andando e bebendo pelas esquinas desta que é a rua mais barulhenta e folclórica do sul dos EUA. Bares com estridente música ao vivo, restaurantes, lojas e clubes de strip-tease tentam atrair clientes de todas as maneiras. Situada no meio do French Quarter, o bairro turístico da cidade, a Bourbon é a rua do vale-tudo.

SNUG HARBOR
Alguns dos melhores músicos de New Orleans, como o veterano pianista Ellis Marsalis (na foto acima), a cantora Charmaine Neville e o saxofonista Donald Harrison, se apresentam com freqüência no Snug Harbor, o melhor clube de jazz contemporâneo da cidade. Fica na Frenchmen Street, onde também funcionam animados clubes e bares, indicados para se ouvir funk, soul e R&B com tempero local.

MAPLE LEAF

Situado fora da área turística, este misto de botequim e clube é mais freqüentado por moradores da cidade interessados em curtir funk, soul e R&B, em sessões dançantes que invadem as madrugadas. O blueseiro Walter “Wolfman” Washington e as bandas Papa Grows Funk e Rebirth Brass Band são atrações costumeiras desse local.

NATCHEZ

Um dos símbolos da cidade, este tradicional barco a vapor oferece cruzeiros de 2 horas de duração pelo rio Mississipi, com direito a uma bela vista da cidade. Para quem não vê problema em jantar mais cedo, o cruzeiro das 19h inclui buffet e jazz tradicional com a banda Dukes of Dixieland.


LOUISIANA MUSIC FACTORY
Especializada em gêneros musicais locais, como o zydeco, a cajun music ou o R&B e o funk de New Orleans, sem falar nos vários estilos do jazz, a Louisiana Music Factory é a mais tradicional loja de discos da cidade. Nos dias que precedem o Jazz & Heritage Festival, à tarde, ela promove pocket shows gratuitos com atrações do evento. Um conselho: chegue cedo, porque os retardatários nem conseguem entrar na loja, dependendo de quem estiver tocando no pequeno palco.

COURT OF TWO SISTERS

O brunch deste clássico restaurante, localizado no French Quarter, é famoso na cidade. Servido em um agradável pátio, oferece dezenas de pratos típicos das culinárias Cajun e Creole, além da música ao vivo.

ARNAUD’S

Inaugurado em 1918, este elegante restaurante é uma opção – de preços acessíveis e bom serviço – para se experimentar pratos da culinária local. Também tem música ao vivo.

MAGAZINE STREET
Charmosa e tranqüila, com quase 10km de extensão, essa rua exibe lojinhas descoladas, galerias de arte, antiquários e sofisticados restaurantes, de latinos a orientais. É a melhor opção para um passeio diurno fora da agitação do French Quarter.


OAK ALLEY

Só a visão da bela alameda, formada por majestosas árvores de 300 anos de idade, já vale a hora gasta no carro para chegar lá. A Oak Alley é uma ”plantation”, uma fazenda restaurada, que permite aos visitantes ter uma idéia de como era a vida no campo, nos Estados Unidos do século 19. Também inclui restaurante e uma pousada para quem quiser conhecer o local com calma.

(dicas publicadas na revista "TAM nas Nuvens", edição de agosto de 2009)


Wilson Simonal: alguns de seus sucessos na trilha de "Ninguém Sabe o Duro que Dei"

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Para as gerações mais novas, que ainda desconheciam o swing e o carisma de Wilson Simonal (1938-2000), a trilha sonora do documentário “Ninguém Sabe o Duro que Dei” (de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal), recém-lançada pela gravadora EMI, pode servir como uma valiosa introdução à obra desse grande intérprete e showman, cuja carreira foi praticamente interrompida, no início dos anos 70, após um episódio de implicações políticas que ainda provoca polêmica.

A versatilidade de Simonal está bem representada nas 16 faixas desta compilação: da fase bossa nova, em “Balanço Zona Sul” (Tito Madi) e “Nanã” (Moacir Santos e Mario Telles), ao pioneiro manifesto soul “Tributo a Martin Luther King” (Simonal e Ronaldo Bôscoli), incluindo os sucessos da chamada pilantragem, como “Não Vem Que Não Tem” (Carlos Imperial) e “Carango” (Imperial e Nonato Buzar). Já era tempo de o velado boicote político à música de Simonal ser revisto.

(resenha publicada no “Guia da Folha – Livros, Discos & Filmes”, em 31/7/2009)



Bob Dylan e Led Zeppelin: documentários resgatam influências de pioneiros do blues

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Um aviso para os fãs de Bob Dylan ou do Led Zeppelin: o DVD duplo "Down the Tracks" (lançamento da gravadora ST2) não traz nenhum número musical do autor da canção “Blowin’ the Wind”, nem do cultuado grupo de rock inglês. Isso não significa que os dois documentários incluídos nesta edição deixem de ter interesse para admiradores de ambos. A idéia aqui é investigar a influência de pioneiros do blues, hoje já quase esquecidos, sobre as obras desses ícones do rock.

Depoimentos de pesquisadores, produtores e músicos se alternam com raras imagens de bluesmen da velha guarda, como Son House, Charlie Patton, Howlin’ Wolf, Muddy Waters e Bukka White, entre outros, traçando uma história dessa manifestação afro-americana, que está na base de quase todos os gêneros existentes hoje na cena musical dos EUA. Mesmo narrada de maneira enviesada, uma história de grande valor para qualquer um que se interesse pela música popular do século 20.

(resenha publicada no “Guia da Folha – Livros, Discos & Filmes”, em 31/7/2009)



Roberto Corrêa: o embate do violeiro com a morte, em "Temperança"

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Talvez o mais erudito violeiro do país, Roberto Corrêa já publicou o livro “A Arte de Pontear Viola” e gravou mais de uma dúzia de discos. Esse virtuose mineiro radicado em Brasília, que costuma surpreender os fãs da música caipira com suas inventivas composições, parece ter buscado um ideal de simplicidade absoluta, no CD “Temperança”, lançamento do selo independente Viola Corrêa.

Acompanhado apenas pela viola, ele interpreta 18 canções de sua autoria, algumas em parceria, como a nostálgica “Moda de Gregório” (letra de Hermínio Bello de Carvalho). Quem não sabe que Corrêa superou um tumor cerebral, 15 anos atrás, pode até pensar que “A Morte Veio Me Buscar” seja apenas mais uma daquelas narrativas mitológicas de músicos que teriam vendido a alma ao Diabo em troca de sucesso, freqüentes entre violeiros e blueseiros. Depois desta obra-prima, não resta mais dúvida: Roberto Corrêa é o nosso Robert Johnson.

(resenha publicada no “Guia da Folha – Livros, Discos & Filmes”, em 31/7/2009)



 

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